Entry: Ponto por ponto 25 Saturday, April 29, 2017



As bebidas alcoólicas têm uma longa tradição de tolerância na cultura popular. A maconha não. A cachaça e a cerveja fazem parte dos nossos costumes. A maconha não. Por isso, é possível impedir o consumo em massa da maconha com medidas legais, mas é impossível impedir o consumo em massa da cachaça com medidas legais. Legalizar a maconha provocará o consumo em massa da maconha, e isso por sua vez causará muitos males à sociedade. Podemos impedir esses males mantendo a maconha ilegal. Não podemos impedir os males que as bebidas alcoólicas causam à sociedade tornando as bebidas alcoólicas ilegais.

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Daí, alguém pode dizer: "mas então o povo é hipócrita, tolerando o cachaceiro e perseguindo o maconheiro". Responder o que a isso? Verdade, o povo é hipócrita, sim, nisso e em muitas coisas. E quem governa um povo deve considerar os defeitos do povo enquanto governar. Quem governa deve, portanto, considerar a hipocrisia do povo ao tomar umas medidas. Se um governante proíbe a maconha mas não proíbe a cachaça, ele não está sendo hipócrita: ele está fazendo o bem que pode fazer, considerando os defeitos do povo que ele governa.

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Comentário meu no facebook (comentário a um post): Uma coisa que me deixa triste: não há país decente com uma grande comunidade muçulmana. Muçulmanos só são toleráveis quando são poucos demais para influenciar a comunidade. Mais do que isso, começam os problemas. Se são minoria de bom tamanho, vivem criando caso e reivindicando direitos. Se são maioria, elegem governos que desrespeitam os direitos dos não muçulmanos. Se são uma grande maioria, digamos mais de 70%, elegem governos cada vez mais autoritários, com retórica teocrática. Simplesmente não dá para ter muçulmanos sem que os outros tenham problemas por causa disso. A não ser que eles sejam muito poucos. E não é só um problema para judeus e cristãos. Isso acontece no mundo inteiro. Na índia, os muçulmanos são um problema até pior que na Europa. Se os muçulmanos vierem para o Brasil, eles serão um problema para os brasileiros também.

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Também no facebook, um homem que eu considero inteligente veio com essa: "Iracema é um grande livro, eu diria até que um livro fundamental.". O que me fez ler Iracema. Ok, se você gosta de histórias de garotas virgens correndo no mato...

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O José de Alencar chama a virgem de virgem o tempo todo. Isso pode ter sido muito lindo na metade do século XIX, ou no final do século XVI, que é quando a história de Iracema acontece. Se fosse hoje e eu ficasse chamando uma virgem de virgem o tempo todo, a virgem acabaria me dando uma bela bofetada na cara e com razão.

O José de Alencar é um chato que tem um livro razoável, "O Guarani". Eu não posso pensar em nenhum escritor vivo que possa ter sido influenciado por José de Alencar. O Jorge Amado disse uma vez que José de Alencar é uma de suas influências, mas o Jorge Amado morreu há mais de quinze anos.

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Falando em facebook, achei esse link lá: http://giphy.com/gifs/l0Exdhkn0NL496kiQ. O que me deixa grilado é que o menino tem cabelos castanhos e olhos azuis. Muçulmano?

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Não sei não, mas eu imagino que no futuro a guerra não será mais entre muçulmanos e cristãos, pelo menos não na Europa, porque os muçulmanos terão sido vitoriosos, mas aí teremos uma guerra entre muçulmanos claros e muçulmanos escuros. E eu acho que os claros vão ganhar, porque terão um status social superior e não estarão tolhidos pelo politicamente correto.

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Quem já leu alguma coisa sobre a história dos muçulmanos sabe que eles sempre foram desunidos pra caramba.

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Tenho pensado muito se a democracia é viável no Brasil. Um povo que vota tão mal quanto o nosso… Pelé foi tão criticado quando disse que o brasileiro não sabe votar, mas essa foi uma das poucas vezes fora do campo de futebol que ele estava certo.

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Se tenho dúvidas se a democracia é viável no Brasil, no caso do Rio de Janeiro com certeza a democracia não é viável. Os brasileiros em geral às vezes acertam quando votam em alguém. Os cariocas sempre erram. Estou até começando a achar que o Brasil deveria dar independência ao Rio de Janeiro.

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O Brasil não tem inimigos(*), mas com estados como Maranhão, Alagoas, Rio de Janeiro e Espirito Santo e uma capital como Brasília - que país precisa de inimigos?

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Links: http://catecismo-ortodoxo.blogspot.com.br e http://skemmata.blogspot.com.br.

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A Preta Gil disse que é cria do Chacrinha com a Tropicália. Acredito. O que é mais difícil de acreditar é ter gente que acha isso bom, a começar pela própria Preta Gil.

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Eu acho fascinante o quanto meu amigo, o Liberal Sem Paixão, dá importância a isso de ganhar debates. Fidel Castro nunca ganhou debate algum. Fidel Castro tomou o poder e ficou lá até se aposentar porque tinha um punhado de militantes armados e fanatizados, enfrentou adversários que davam muita importância a ganhar debates e acabou sendo protegido pela União Soviética (e também, depois da morte do presidente Kennedy, deixou de ser ameaçado pelos americanos). Hitler, que Fidel Castro muito admirava, também nunca ganhou debate algum. Hitler tomou o poder e ficou lá até ser deposto por força maior porque tinha um punhado de militantes armados e fanatizados, enfrentou adversários que davam muita importância a ganhar debates e acabou sendo protegido pela União Soviética. Quase o mesmo roteiro de Fidel Castro, exceto que Hitler ao menos disputou eleições, tirando isso foi quase a mesma coisa. Os dois nunca perderam tempo debatendo alguma coisa, eles deixavam isso para os liberais sem paixão e para os comunistas de salão.

Agora, o meu amigo Liberal Sem Paixão está me dizendo que o PT destruiu a esquerda porque, segundo ele, agora ficou mais difícil para um esquerdista ganhar um debate. Como eu não quero perder a amizade do Liberal Sem Paixão, eu não pergunto para ele porque, se é assim, os esquerdistas têm mais de 10 partidos disputando eleições e os liberais não têm nenhum.

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O Bolsonaro está errado sobre as privatizações, está errado sobre Brilhante Ulstra, está errado sobre o Regime Militar e está errado sobre a maneira de tratar um filho que mostra tendências homossexuais.

Mas o Bolsonaro está certo sobre o aborto, está certo sobre o desarmamento, está certo sobre a liberação da maconha e está certo sobre a imigração.

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(*) Não citem a Argentina, para ser inimigo uma condição é ser levável a sério.

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