Entry: Ponto por ponto 24 Wednesday, September 07, 2016



Como eu imaginava, o Temer está sendo melhor que a Dilma Roussef, mas não está sendo grande coisa.

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Estranhos liberais, dizem que ter ou não ter um ministério da cultura é uma questão menor, e não entendem porque tanta gente tem raiva do Temer por ele ter voltado atrás na decisão de extinguir o ministério (eu não sei nem se ele chegou a oficializar (1) alguma coisa, acho que nada saiu no Diário Oficial). Esses liberais entendem muito da doutrina liberal, entendem mais de economia que a maioria das pessoas, podem até terem uma grande cultura geral, também, poliglota e etc., mas de política eles não entendem nada.

Política é jogo sujo.

Jogo sujo quer dizer: a não ser que você queira enganar os adversários, não pode mostrar fraqueza, porque senão eles (os adversários) vão se fortalecer as suas custas.

E o Temer diz que vai, aí é pressionado e não vai, ele mostra fraqueza. E os esquerdosos, que entendem muito mais de política que os liberais de quase tudo, vão tirar proveito disso.

E é esse o problema com o Temer dizer que vai fechar o da Cultura e depois voltar atrás.

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De resto, eu nem imaginava que o da Cultura estaria entre os ministérios que o Temer fecharia. Eu fiquei agradavelmente surpreso quando soube que o Temer queria fechá-lo, mas não fiquei nem um pouco surpreso quando ele voltou atrás. Não, nem um pouco.

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Blogs portugueses: o Abrupto (http://abrupto.blogspot.com.br) ainda está ativo. E o "Do Portugal Profundo" (http://doportugalprofundo.blogspot.com.br) também.

Tenho também que corrigir o link do Dennis no twitter: https://twitter.com/DennisOnTheNet

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Tá lá na Folha (Rolha, falha, etc.) de São Paulo do dia 23 de junho, quinta feira:

Há 50 anos

Assembleia de SP discute compra de videoteipes dos jogos da Copa

DO BANCO DE DADOS - A Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou na quarta (22 de junho de 1966) o projeto do governador Laudo Natel, que solicita o crédito de Cr$ 1,5 bilhão para a compra de videoteipes dos jogos da Copa do Mundo na Inglaterra.

O líder do governo, deputado José Pedro Carolo, apresentou emenda para tornar os videoteipes propriedade do governo do Estado. Os vídeos serão cedidos às emissoras nacionais de televisão sob a condição de inserirem somente publicidade de patrocinadores indicados pelo governo.


O Laudo Natel era da ARENA, sabem. Ele foi governador confirmado pelo direitista liberal Castelo Branco. Isso é direita, no Brasil: dinheiro do governo para jogos de copa do mundo!

Quanto o governo já gastou no único esporte que não precisa da ajuda do governo, o futebol? Tenho certeza que mais do que em todos os outros esportes somados. E isso admitindo que gastar dinheiro com esportes é função do governo.

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Uma pessoa que eu acho inteligente escreveu um artigo tolo sobre um assunto que eu conheço melhor do que essa pessoa. Não vou dizer quem é nem sobre o que é por dois motivos: 1) gosto muito dessa pessoa, e 2) tenho um pouco de vergonha de entender do assunto em questão.

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Disse o André de Oliveira, no facebook: "O mais feroz de seus críticos, se tiver o mínimo de seriedade, tem de admitir, pelo menos, que o cara tem uma prosa inacreditável".

Mas o que falta nos críticos do Olavo de Carvalho é justamente isso, seriedade. Talvez o único seja o meu amigo, que volta e meia cito aqui, o senhor P. O senhor P, podemos discordar dele e do que ele diz do Olavo de Carvalho (eu discordo de algumas coisas), mas pelo menos o senhor P não joga para a plateia. Todos os outros críticos do Olavo de Carvalho jogam para a plateia.

Meu outro amigo, o Liberal sem Paixão, que tanto gosta de atacar o Olavo de Carvalho, eu nunca o vi atacar sem jogar para a plateia. Mas o senhor P não faz isso.

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Falando no meu outro amigo, o Liberal sem Paixão, imagino que ele tenha ficado muito triste com a moça que urinou e defecou na foto do Jair Bolsonaro. Não, não é que o Liberal sem Paixão seja fã do Bolsonaro, pelo contrário. É que não dá para forçar a barra e equiparar os fãs do Bolsonaro com os esquerdistas, depois dessa. Um fã do Bolsonaro nunca iria urinar e defecar na foto de um radical de esquerda. Esse episódio deixa os fãs do Bolsonaro indignados e enojados, as pessoas normais pasmas com o inacreditável nível de baixeza a que essa gente pode chegar, os esquerdistas radicais deliciados, os esquerdistas mais lúcidos preocupados com a má repercussão do caso (se não fosse isso, é claro que eles também ficariam deliciados) e os liberais sem paixão, um pouco tristes. Tristes, porque fica difícil fazer o que os liberais sem paixão mais gostam, que é forçar a barra para equiparar radicais de direita com os de esquerda.

É claro que um fã do Bolsonaro não faria isso, pelo menos não em público, e muito menos seria contratado por uma prefeitura administrada por um fã do Bolsonaro depois. Triste para o Liberal sem Paixão é admitir isso, o provável é que ele evite o assunto.

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E falando do Facebook, eu dei lá uma definição de democracia: Uma enorme cota para idiotas.

No tempo em que o voto era censitário, só quem tinha um certo padrão de vida poderia votar. Quem tinha inteligência, claro que tentava melhorar de vida e, com seu trabalho e inteligência, enriquecia e ganhava condições de votar.

Pobres, geralmente, são burros. Se não é burro, é vagabundo. É lógico: se não fosse ou burro ou vagabundo, não seria pobre, seria rico. Ou, pelo menos, de classe "mérdia". Quem tem inteligência e vontade de trabalhar, não permanece pobre por toda vida. Dá direito de voto aos pobres é dá direito de voto a burros ou preguiçosos, e, com certeza, eles não vão fazer o bem com esse direito. Então, na prática, a democracia é uma gigantesca cota para essa gente.

Vejam o que acontece nos EUA: Os burros estão com Donald Trump, os vagabundos (que nem por isso deixam de também serem burros) com Hillary Clinton.

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Não que eu ache muito trágico os americanos terem que escolher entre o Donald e a Hillary. Os dois são melhores que o Obama.

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Se gostei das Olimpíadas? Gostei, sim. Teve babaquice politicamente correta, mas o que não tem, hoje em dia?

Eu fico pensando como seria bom se houvesse mais espaço para os outros esportes. Uma das razões para o Brasil ser um país tão chato é que aqui só se leva a sério o futebol e ignoramos os outros esportes, a maioria mais divertida. As olimpíadas poderiam mudar isso, mas acho difícil.

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Eu fico pensando no chato futebol feminino - como é chato o futebol feminino! Financeiramente, nunca será viável. Mas, se fosse para a seleção brasileira, eu acho que o povo poderia concordar com o financiamento público do futebol feminino, até porque não custa tanto dinheiro assim. As meninas do futebol jogam com alma, isso não se pode negar, e a torcida gosta disso, então, eu acho que a maioria dos pagadores de impostos concordaria, se houvesse um referendo para isso, com o financiamento público do futebol feminino. Eu ouvi alguém dizer que futebol feminino é tão ruim quanto basquete feminino. Pode até ser, mas o basquete feminino é bem menos chato. Mas eu pensei o seguinte, sobre o futebol feminino: e se fosse usado para testar mudanças nas regras, como cobaias? Nesse caso, teria sua utilidade.

E algumas mudanças poderia fazer o futebol feminino ser bem menos chato. Por exemplo: toda falta é, no mínimo, um pênalti. Falta sofrida no campo adversário vale dois pênaltis. O "pênalti" mesmo, a falta dentro da grande área, vale quatro pênaltis. E três escanteios seguidos vale um pênalti. E uma mudança no tempo, também, quatro tempos de 25 minutos, com intervalos de 5 minutos, em vez de dois de 45, com intervalo de 15.

O futebol feminino não melhoraria de qualidade, mas ao menos teria mais gols. Isso poderia atrair mais torcedores. Os americanos iriam gostar.

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Pediram-me uma lista de quinze escritores que me influenciaram. São eles: Jorge Luis Borges, Gabriel Garcia Marquez, João Guimarães Rosa, Ernesto Sábato, Franz Kafka, Edgar Allan Poe, Fiódor Dostoiévski, Liev Tolstói, Charles Dickens, Ernest Hemingway, Charles Baudelaire, Juan Rulfo, Eça de Queiroz, Thomas Mann e Roberto Arlt.

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Roberto Arlt merece uma explicação: há escritores melhores do que ele, Arthur Koestler, Albert Camus, Vargas Llosa, Gore Vidal, Mikhail Lérmontov, Yukio Mishima, Gustave Flaubert, Daltron Trevisan, Guy de Maupassant, Eugene O'Neill, Graciliano Ramos e outros, muitos outros. Mas Roberto Arlt foi mais importante, para mim, porque graças a ele eu descobri a literatura argentina. Não foi graças a Jorge Luis Borges, que é um talento mais mundial do que argentino (na "História Universal da Infâmia" há um conto totalmente de ficção, "O Homem da Esquina Rosada", que se passa em algum lugar indefinido da Argentina, e vários contos ou casos reais que se passam em vários países e épocas). Roberto Arlt, sim, me fez ficar curioso sobre a literatura argentina. E graças a Roberto Arlt descobri depois Manuel Puig, Ernesto Sábato, Júlio Cortazar, Tomas Eloy Martinez, Enrique Molina e outros escritores argentinos. É isso que faz Roberto Arlt mais importante para mim que outros escritores melhores do que ele.

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(1) Alias, o verbo "oficializar" é uma triste consequência linguística da vida burocratizada que levamos.

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