Monday, August 28, 2017
O ensino religioso em julgamento, por Rodrigo R. Pedroso

Nesta semana, dia 30 de agosto, vai a julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação que pode ter consequências extremamente nefastas para os destinos da liberdade religiosa no Brasil. Trata-se da ADIn 4439, proposta em 2010 pela procuradora-geral da República em exercício, Débora Duprat. O que particularmente me incomoda é que o público não tem tomado conhecimento da importância do que está em jogo e que tampouco as confissões religiosas têm se mobilizado convenientemente para a defesa de suas liberdades constitucionais.

A referida ADIn 4439 pretende que o STF determine, com eficácia geral e vinculante (ou seja, na prática, com força de lei), que o ensino religioso nas escolas públicas apenas possa ter natureza não-confessional. Não bastasse inventar o contrassenso “ensino religioso não-confessional”, a demanda visa, na verdade, a suprimir o ensino religioso tal como previsto em todas as constituições brasileiras desde 1934, restringindo, destarte, por meio de interpretação fraudulenta da Constituição vigente, a liberdade religiosa dos brasileiros.

Como se sabe, o ensino religioso nas escolas públicas do Brasil foi restaurado pelo Decreto Federal n. 19.941, de 30 de abril de 1931, baixado pelo presidente Getúlio Vargas. No ofício em que Francisco Campos, que era na época o ministro da Educação, expôs os motivos do decreto ao presidente, dois pontos são claramente salientados: o ensino religioso é confessional e tal fato não implica violação à laicidade do Estado. In verbis:

«Meu caro Presidente

Afetuosa visita.

Envio-lhe o decreto junto, que submeto ao seu exame e aprovação.

Como verá, o decreto não estabelece a obrigatoriedade do ensino religioso, que será facultativo para os alunos, na conformidade da vontade dos pais ou tutores.

Não restringe, igualmente, o decreto o ensino religioso ao da religião católica, pois permite que o ensino de outras religiões seja ministrado desde que exista um grupo de pelo menos vinte alunos que desejem recebê-lo.

O decreto institui, portanto, o ensino religioso facultativo, não fazendo violência à consciência de ninguém, nem violando, assim, o princípio de neutralidade do Estado em matéria de crenças religiosas.

(...)


Sei que V.Exa. tem recebido do seu estado natal representações assinadas por dezenas de milhares de pessoas, pedindo a V.Exa. as suas simpatias em favor da educação religiosa.

Ora, se o decreto não oprime nenhuma consciência, nem viola o princípio da neutralidade do Estado em matéria religiosa; se o ensino por ele instituído é de caráter absolutamente facultativo; se a sua aprovação interessa tão profundamente ao aperfeiçoamento do nosso sistema de educação; se, aprovado por V.Exa., determinará, como estou certo, um impressionante e entusiástico movimento de apoio ao governo de V.Exa., não vejo como contra o mesmo se possam levantar objeções valiosas. Foi assim pensando e com o intuito de mobilizar mais uma força, a maior das nossas forças morais, ao lado de V.Exa., que me animei a submeter ao seu exame o projeto de decreto.

Assinando-o, terá V.Exa. praticado talvez o ato de maior alcance político do seu governo, sem contar os benefícios que da sua aplicação decorrerão para a educação da juventude brasileira.»
(In: A Revolução de 30 – Textos e documentos, Editora Universidade de Brasília, grifos nossos).

Entretanto, talvez mais que a própria exposição de motivos do decreto, a prova de que o ensino religioso confessional nas escolas públicas não viola a laicidade do Estado é o fato de que o presidente que o restaurou no Brasil era pessoalmente ateu, da escola de Augusto Comte. Sim, Getúlio Vargas era ateu, mas um ateu digno e patriota que sabia ver, acima do caos das ideologias subversivas e desintegradoras, a realidade do bem comum e do interesse nacional.

Aliás, o Decreto Federal n. 19.941/1931, revogado em 1991 pelo presidente Fernando Collor, na sanha de destruir a Era Vargas, trazia em seu art. 9º norma salutar:

Art. 9º. Não é permitido aos professores de outras disciplinas impugnar os ensinamentos religiosos ou, de qualquer outro modo, ofender os direitos de consciência dos alunos que lhes são confiados.

O fato é que o ensino religioso, uma vez restaurado nas escolas públicas brasileiras pelo decreto de 1931, foi alçado a norma constitucional pela Constituição promulgada aos 16 de julho de 1934, nos seguintes termos:

Art. 153. O ensino religioso será de frequência facultativa e ministrado de acordo com os princípios da confissão religiosa do aluno manifestada pelos pais ou responsáveis e constituirá matéria dos horários nas escolas públicas primárias, secundárias, profissionais e normais.

Observem que o texto da Constituição de 1934 explicita que o ensino religioso deve ser “ministrado de acordo com os princípios da confissão religiosa do aluno”, ou seja, abertamente confessional. Ninguém, todavia, supôs que a confessionalidade do ensino religioso fosse contrária à laicidade do Estado, também garantida pela Constituição de 1934 como pela de 1891, que constitucionalizou a separação entre Estado e Igreja.

Desde 1934, todas as constituições que teve o Brasil consagraram explicitamente a previsão do ensino religioso nas escolas públicas. E sempre se entendeu que tal ensino religioso seria confessional, de matrícula facultativa, ministrado de acordo com a confissão religiosa professada e declarada pela família do aluno. Pelo menos em setenta anos jamais se pôde identificar um único doutrinador que esposasse entendimento contrário. E, se é verdade que optima est legum interpres consuetudo (“o costume é o melhor intérprete das leis”, Digesto 1, 3, 37), o art. 210, § 1º, da Constituição vigente, deve ser interpretado como permitindo, nas escolas públicas, o ensino religioso confessional, de matrícula facultativa, de acordo com a confissão religiosa da família do aluno.

Porém, na ADIn 4439, a procuradora-geral da República em exercício, dra. Débora Duprat, sofisma ao dizer que «a única forma de compatibilizar o caráter laico do Estado brasileiro com o ensino religioso nas escolas públicas é através da adoção do modelo não-confessional» (parágrafo n. 6). Ora, em primeiro lugar já provamos não ser isso verdade, visto que o ensino religioso confessional convive bem com o Estado laico brasileiro desde 1931. De fato, violação à laicidade do Estado haveria se fosse privilegiada uma confissão religiosa em detrimento de outras, o que não ocorre. Pelo contrário, a previsão constitucional do ensino religioso franqueia as portas das escolas públicas a todas as confissões religiosas, segundo a demanda de seus respectivos adeptos.

Em segundo lugar, a expressão “ensino religioso não-confessional” é uma contradição em termos. É exatamente o mesmo que dizer “ensino religioso não-religioso”. Isso porque, embora se possa dizer que uma única religião seja a verdadeira, o fato é que não existe apenas uma religião, mas várias. Um ensino religioso não-confessional, portanto, não poderia corresponder ao de nenhuma religião existente; seria, então, ou o ensino de uma nova religião ou o de uma outra coisa que não se poderia chamar de religião. Aliás, na petição inicial, a dra. Duprat faz algumas acrobacias dialéticas tentando esboçar o que seria esse estranho “ensino religioso não-confessional”: «modelo não-confessional, em que o conteúdo programático da disciplina consiste na exposição das doutrinas, das práticas, da história e de dimensões sociais das diferentes religiões – bem como de posições não-religiosas, como o ateísmo e o agnosticismo – sem qualquer tomada de partido por parte dos educadores» (n. 6). Ora, doutora, isso não é ensinar religião, mas sociologia. Em outras palavras, o que pretende a dra. Duprat é a substituição ou a absorção do ensino religioso, previsto constitucionalmente, pelo ensino da sociologia – uma ciência, diga-se de passagem, de estatuto epistemológico bastante discutível.

Contra o ensino religioso confessional, a dra. Duprat esgrime o princípio da igualdade. Ocorre que este não é violado por aquele, simplesmente porque a permissão do ensino religioso confessional nas escolas públicas não significa “o endosso pelo Estado de qualquer posicionamento religioso», uma vez que se trata de oportunidade igualmente aberta a todas e quaisquer confissões religiosas, sem nenhum favorecimento ou discriminação em relação a esta ou àquela. Tanto o catolicismo, como as diversas denominações protestantes, o judaísmo ortodoxo ou reformista, o islamismo sunita ou xiita, o budismo e o espiritismo kardecista ou umbandista têm, segundo o art. 210, § 1º, da Constituição, o mesmo direito de ministrar o ensino religioso nas escolas públicas aos seus respectivos adeptos.

Não há igualmente perigo de confusão entre o poder civil e as confissões religiosas porque o ideal é que estas mesmas, segundo o seu interesse, ministrem o respectivo ensino religioso nas escolas públicas, com o mínimo de custos para o Estado.

A dra. Duprat gasta alguns parágrafos de sua manifestação dissertando sobre a diferença entre laicidade e laicismo, não se sabe se simplesmente para preencher papel ou para disfarçar o fato de que a demanda dela é laicista, na medida em que visa a expulsar a religião das escolas públicas. De fato, diz a dra. Duprat no parágrafo n. 4: «A escola pública não é lugar para o ensino confessional e também para o interconfessional ou ecumênico, pois este, ainda que não voltado à promoção de uma confissão específica, tem por propósito inculcar nos alunos princípios e valores religiosos partilhados pela maioria, com prejuízo das visões ateístas, agnósticas, ou de religiões com menor poder na esfera sócio-política» (grifos nossos). Assim, pode-se entender que a demanda da dra. Duprat é motivada pelo desejo de compensar o “prejuízo” que o ateísmo tem com o ensino religioso nas escolas públicas.

A dra. Duprat chega a ser preconceituosa ao afirmar que o ensino religioso confessional seria incompatível com «uma das finalidades mais essenciais do ensino público: formar pessoas autônomas, com capacidade de reflexão crítica, seja para a escolha e persecução dos seus planos individuais de vida, seja para a atuação como cidadãos no espaço público» (n. 37). Ou seja, a contrario sensu, a dra. Duprat deu a entender que as pessoas que professam uma religião qualquer não são autônomas, ou que a religião prejudica a capacidade de reflexão crítica dos alunos. Isso é indubitavelmente manifestação de preconceito antirreligioso, que deveria ser inadmissível num documento oficial do Ministério Público Federal.

Diz a dra. Duprat, no parágrafo n. 13 de sua petição, que «as escolas públicas brasileiras, com raras exceções, são hoje um espaço de doutrinamento religioso, onde, por vezes, os professores são representantes das igrejas, tudo financiado com recursos públicos». É para se perguntar em que país essa procuradora vive porque, no Brasil real, os estabelecimentos de ensino, desde o nível fundamental até o superior, são na verdade espaços de intensivo doutrinamento marxista, o que não é difícil de se constatar. Parece mesmo que a dra. Duprat está assustada com a possibilidade de o ensino religioso confessional oferecer aos alunos das escolas públicas visões de mundo alternativas à do marxismo hegemônico nas cátedras.

Além disso, a dra. Duprat parece ter uma opinião muito desfavorável a respeito do poder familiar (outrora chamado “pátrio poder”), suspeita que se corrobora por declarações dela feitas à imprensa. Efetivamente, no parágrafo n. 7 da petição inicial, ela diz que os alunos devem ser «pessoas autônomas, capazes de fazerem escolhas e tomarem decisões por si próprias em todos os campos da vida, inclusive no da religiosidade», como se os pais ou a família nada tivessem que ver com isso. Contra esse abstracionismo que não vê papel algum para a família na formação religiosa da criança e do adolescente, invoco o testemunho de outro ateu, o filósofo positivista Teixeira Mendes, escrevendo numa época em que a Constituição de 1891 ainda proibia o ensino religioso nos estabelecimentos públicos de ensino:

«O respeito à liberdade espiritual prescreve que se acatem nos filhos menores as convicções religiosas de seus pais (...). Reconhecer que existem religiões; constatar que uma criança foi consagrada segundo tal ou qual culto, são fatos da mesma ordem que verificar a existência do sol. E, uma vez sabida qual é a religião em que os pais tencionavam educar os filhos, o respeito à liberdade espiritual consiste justamente em proporcionar, tanto quanto possível, às crianças realmente órfãs, isto é, sem família de espécie alguma, o culto e o ensino religioso correspondente (...). Para isso, cumpre facultar a um sacerdote da religião dos pais o exercício do seu ministério nos internatos municipais; ou, então, providenciar para que os órfãos possam assistir ao culto e receber o ensino religioso nas igrejas a que seus pais pertenciam»
(A liberdade espiritual e o ensino religioso nos estabelecimentos municipais, Jornal do Commercio, 8 de junho de 1904).

Outro fato que é significativo na manifestação da dra. Duprat são as extensas citações que ela faz da autora Débora Diniz, incansável militante pela legalização do aborto no Brasil, no que sempre contou com bolsas de fundações supercapitalistas estrangeiras. Além de sua homônima, a dra. Duprat também invoca o PNDH-3 (Plano Nacional de Direitos Humanos – 3), aprovado pelo Decreto Federal n. 7.037/2009, baixado pelo presidente Lula.

É preciso frisar-se, todavia, que a ADIn 4439 é uma tentativa de restringir a liberdade religiosa dos brasileiros mediante uma interpretação fraudulenta da Constituição. O ensino religioso, de caráter confessional, está previsto na Constituição de 1988, como estava nas que a antecederam, desde a Constituição de 1934. Por mais de setenta anos jamais se entendeu que o ensino religioso nas escolas públicas, ministrado segundo a confissão religiosa do aluno, violava a laicidade do Estado. Entretanto, a dra. Duprat e a Procuradoria Geral da República tentam agora subverter a interpretação da norma constitucional, dando-lhe um sentido que frustra a sua eficácia, de maneira a proibir que as confissões religiosas possam entrar nas escolas públicas. É isso o que está em jogo. Vamos ver se o STF vai engolir esse entendimento inusitado e, com isso, não apenas apagar setenta anos de história, mas também fatiar a liberdade religiosa dos brasileiros, fechando as portas das escolas públicas às confissões religiosas.
Autor: Rodrigo R. Pedroso, Advogado graduado pela FD/USP. Mestre em filosofia pela FFLCH/USP. Procurador da Universidade de São Paulo. Membro do Centro de Estudos de Direito Natural “José Pedro Galvão de Sousa”.

Posted at 08:23 pm by Flamarion Daia Júnior
Make a comment  

Thursday, August 03, 2017
Geisha-Revue, de Georg Tappert

Mais quadros de Georg Tappert aqui.

Posted at 10:35 pm by Flamarion Daia Júnior
Make a comment  

Saturday, April 29, 2017
Ponto por ponto 25

As bebidas alcoólicas têm uma longa tradição de tolerância na cultura popular. A maconha não. A cachaça e a cerveja fazem parte dos nossos costumes. A maconha não. Por isso, é possível impedir o consumo em massa da maconha com medidas legais, mas é impossível impedir o consumo em massa da cachaça com medidas legais. Legalizar a maconha provocará o consumo em massa da maconha, e isso por sua vez causará muitos males à sociedade. Podemos impedir esses males mantendo a maconha ilegal. Não podemos impedir os males que as bebidas alcoólicas causam à sociedade tornando as bebidas alcoólicas ilegais.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Daí, alguém pode dizer: "mas então o povo é hipócrita, tolerando o cachaceiro e perseguindo o maconheiro". Responder o que a isso? Verdade, o povo é hipócrita, sim, nisso e em muitas coisas. E quem governa um povo deve considerar os defeitos do povo enquanto governar. Quem governa deve, portanto, considerar a hipocrisia do povo ao tomar umas medidas. Se um governante proíbe a maconha mas não proíbe a cachaça, ele não está sendo hipócrita: ele está fazendo o bem que pode fazer, considerando os defeitos do povo que ele governa.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Comentário meu no facebook (comentário a um post): Uma coisa que me deixa triste: não há país decente com uma grande comunidade muçulmana. Muçulmanos só são toleráveis quando são poucos demais para influenciar a comunidade. Mais do que isso, começam os problemas. Se são minoria de bom tamanho, vivem criando caso e reivindicando direitos. Se são maioria, elegem governos que desrespeitam os direitos dos não muçulmanos. Se são uma grande maioria, digamos mais de 70%, elegem governos cada vez mais autoritários, com retórica teocrática. Simplesmente não dá para ter muçulmanos sem que os outros tenham problemas por causa disso. A não ser que eles sejam muito poucos. E não é só um problema para judeus e cristãos. Isso acontece no mundo inteiro. Na índia, os muçulmanos são um problema até pior que na Europa. Se os muçulmanos vierem para o Brasil, eles serão um problema para os brasileiros também.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Também no facebook, um homem que eu considero inteligente veio com essa: "Iracema é um grande livro, eu diria até que um livro fundamental.". O que me fez ler Iracema. Ok, se você gosta de histórias de garotas virgens correndo no mato...

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

O José de Alencar chama a virgem de virgem o tempo todo. Isso pode ter sido muito lindo na metade do século XIX, ou no final do século XVI, que é quando a história de Iracema acontece. Se fosse hoje e eu ficasse chamando uma virgem de virgem o tempo todo, a virgem acabaria me dando uma bela bofetada na cara e com razão.

O José de Alencar é um chato que tem um livro razoável, "O Guarani". Eu não posso pensar em nenhum escritor vivo que possa ter sido influenciado por José de Alencar. O Jorge Amado disse uma vez que José de Alencar é uma de suas influências, mas o Jorge Amado morreu há mais de quinze anos.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Falando em facebook, achei esse link lá: http://giphy.com/gifs/l0Exdhkn0NL496kiQ. O que me deixa grilado é que o menino tem cabelos castanhos e olhos azuis. Muçulmano?

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Não sei não, mas eu imagino que no futuro a guerra não será mais entre muçulmanos e cristãos, pelo menos não na Europa, porque os muçulmanos terão sido vitoriosos, mas aí teremos uma guerra entre muçulmanos claros e muçulmanos escuros. E eu acho que os claros vão ganhar, porque terão um status social superior e não estarão tolhidos pelo politicamente correto.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Quem já leu alguma coisa sobre a história dos muçulmanos sabe que eles sempre foram desunidos pra caramba.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Tenho pensado muito se a democracia é viável no Brasil. Um povo que vota tão mal quanto o nosso… Pelé foi tão criticado quando disse que o brasileiro não sabe votar, mas essa foi uma das poucas vezes fora do campo de futebol que ele estava certo.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Se tenho dúvidas se a democracia é viável no Brasil, no caso do Rio de Janeiro com certeza a democracia não é viável. Os brasileiros em geral às vezes acertam quando votam em alguém. Os cariocas sempre erram. Estou até começando a achar que o Brasil deveria dar independência ao Rio de Janeiro.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

O Brasil não tem inimigos(*), mas com estados como Maranhão, Alagoas, Rio de Janeiro e Espirito Santo e uma capital como Brasília - que país precisa de inimigos?

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Links: http://catecismo-ortodoxo.blogspot.com.br e http://skemmata.blogspot.com.br.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

A Preta Gil disse que é cria do Chacrinha com a Tropicália. Acredito. O que é mais difícil de acreditar é ter gente que acha isso bom, a começar pela própria Preta Gil.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Eu acho fascinante o quanto meu amigo, o Liberal Sem Paixão, dá importância a isso de ganhar debates. Fidel Castro nunca ganhou debate algum. Fidel Castro tomou o poder e ficou lá até se aposentar porque tinha um punhado de militantes armados e fanatizados, enfrentou adversários que davam muita importância a ganhar debates e acabou sendo protegido pela União Soviética (e também, depois da morte do presidente Kennedy, deixou de ser ameaçado pelos americanos). Hitler, que Fidel Castro muito admirava, também nunca ganhou debate algum. Hitler tomou o poder e ficou lá até ser deposto por força maior porque tinha um punhado de militantes armados e fanatizados, enfrentou adversários que davam muita importância a ganhar debates e acabou sendo protegido pela União Soviética. Quase o mesmo roteiro de Fidel Castro, exceto que Hitler ao menos disputou eleições, tirando isso foi quase a mesma coisa. Os dois nunca perderam tempo debatendo alguma coisa, eles deixavam isso para os liberais sem paixão e para os comunistas de salão.

Agora, o meu amigo Liberal Sem Paixão está me dizendo que o PT destruiu a esquerda porque, segundo ele, agora ficou mais difícil para um esquerdista ganhar um debate. Como eu não quero perder a amizade do Liberal Sem Paixão, eu não pergunto para ele porque, se é assim, os esquerdistas têm mais de 10 partidos disputando eleições e os liberais não têm nenhum.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

O Bolsonaro está errado sobre as privatizações, está errado sobre Brilhante Ulstra, está errado sobre o Regime Militar e está errado sobre a maneira de tratar um filho que mostra tendências homossexuais.

Mas o Bolsonaro está certo sobre o aborto, está certo sobre o desarmamento, está certo sobre a liberação da maconha e está certo sobre a imigração.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *



(*) Não citem a Argentina, para ser inimigo uma condição é ser levável a sério.

Posted at 10:11 am by Flamarion Daia Júnior
Make a comment  

Sunday, October 30, 2016
Eu tenho escrito muita coisa

Só não estou publicando. Só isso.

Mas vou publicar alguma coisa a qualquer hora.

Posted at 02:25 pm by Flamarion Daia Júnior
Make a comment  

Wednesday, September 07, 2016
Ponto por ponto 24

Como eu imaginava, o Temer está sendo melhor que a Dilma Roussef, mas não está sendo grande coisa.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Estranhos liberais, dizem que ter ou não ter um ministério da cultura é uma questão menor, e não entendem porque tanta gente tem raiva do Temer por ele ter voltado atrás na decisão de extinguir o ministério (eu não sei nem se ele chegou a oficializar (1) alguma coisa, acho que nada saiu no Diário Oficial). Esses liberais entendem muito da doutrina liberal, entendem mais de economia que a maioria das pessoas, podem até terem uma grande cultura geral, também, poliglota e etc., mas de política eles não entendem nada.

Política é jogo sujo.

Jogo sujo quer dizer: a não ser que você queira enganar os adversários, não pode mostrar fraqueza, porque senão eles (os adversários) vão se fortalecer as suas custas.

E o Temer diz que vai, aí é pressionado e não vai, ele mostra fraqueza. E os esquerdosos, que entendem muito mais de política que os liberais de quase tudo, vão tirar proveito disso.

E é esse o problema com o Temer dizer que vai fechar o da Cultura e depois voltar atrás.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

De resto, eu nem imaginava que o da Cultura estaria entre os ministérios que o Temer fecharia. Eu fiquei agradavelmente surpreso quando soube que o Temer queria fechá-lo, mas não fiquei nem um pouco surpreso quando ele voltou atrás. Não, nem um pouco.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Blogs portugueses: o Abrupto (http://abrupto.blogspot.com.br) ainda está ativo. E o "Do Portugal Profundo" (http://doportugalprofundo.blogspot.com.br) também.

Tenho também que corrigir o link do Dennis no twitter: https://twitter.com/DennisOnTheNet

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Tá lá na Folha (Rolha, falha, etc.) de São Paulo do dia 23 de junho, quinta feira:

Há 50 anos

Assembleia de SP discute compra de videoteipes dos jogos da Copa

DO BANCO DE DADOS - A Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou na quarta (22 de junho de 1966) o projeto do governador Laudo Natel, que solicita o crédito de Cr$ 1,5 bilhão para a compra de videoteipes dos jogos da Copa do Mundo na Inglaterra.

O líder do governo, deputado José Pedro Carolo, apresentou emenda para tornar os videoteipes propriedade do governo do Estado. Os vídeos serão cedidos às emissoras nacionais de televisão sob a condição de inserirem somente publicidade de patrocinadores indicados pelo governo.


O Laudo Natel era da ARENA, sabem. Ele foi governador confirmado pelo direitista liberal Castelo Branco. Isso é direita, no Brasil: dinheiro do governo para jogos de copa do mundo!

Quanto o governo já gastou no único esporte que não precisa da ajuda do governo, o futebol? Tenho certeza que mais do que em todos os outros esportes somados. E isso admitindo que gastar dinheiro com esportes é função do governo.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Uma pessoa que eu acho inteligente escreveu um artigo tolo sobre um assunto que eu conheço melhor do que essa pessoa. Não vou dizer quem é nem sobre o que é por dois motivos: 1) gosto muito dessa pessoa, e 2) tenho um pouco de vergonha de entender do assunto em questão.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Disse o André de Oliveira, no facebook: "O mais feroz de seus críticos, se tiver o mínimo de seriedade, tem de admitir, pelo menos, que o cara tem uma prosa inacreditável".

Mas o que falta nos críticos do Olavo de Carvalho é justamente isso, seriedade. Talvez o único seja o meu amigo, que volta e meia cito aqui, o senhor P. O senhor P, podemos discordar dele e do que ele diz do Olavo de Carvalho (eu discordo de algumas coisas), mas pelo menos o senhor P não joga para a plateia. Todos os outros críticos do Olavo de Carvalho jogam para a plateia.

Meu outro amigo, o Liberal sem Paixão, que tanto gosta de atacar o Olavo de Carvalho, eu nunca o vi atacar sem jogar para a plateia. Mas o senhor P não faz isso.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Falando no meu outro amigo, o Liberal sem Paixão, imagino que ele tenha ficado muito triste com a moça que urinou e defecou na foto do Jair Bolsonaro. Não, não é que o Liberal sem Paixão seja fã do Bolsonaro, pelo contrário. É que não dá para forçar a barra e equiparar os fãs do Bolsonaro com os esquerdistas, depois dessa. Um fã do Bolsonaro nunca iria urinar e defecar na foto de um radical de esquerda. Esse episódio deixa os fãs do Bolsonaro indignados e enojados, as pessoas normais pasmas com o inacreditável nível de baixeza a que essa gente pode chegar, os esquerdistas radicais deliciados, os esquerdistas mais lúcidos preocupados com a má repercussão do caso (se não fosse isso, é claro que eles também ficariam deliciados) e os liberais sem paixão, um pouco tristes. Tristes, porque fica difícil fazer o que os liberais sem paixão mais gostam, que é forçar a barra para equiparar radicais de direita com os de esquerda.

É claro que um fã do Bolsonaro não faria isso, pelo menos não em público, e muito menos seria contratado por uma prefeitura administrada por um fã do Bolsonaro depois. Triste para o Liberal sem Paixão é admitir isso, o provável é que ele evite o assunto.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

E falando do Facebook, eu dei lá uma definição de democracia: Uma enorme cota para idiotas.

No tempo em que o voto era censitário, só quem tinha um certo padrão de vida poderia votar. Quem tinha inteligência, claro que tentava melhorar de vida e, com seu trabalho e inteligência, enriquecia e ganhava condições de votar.

Pobres, geralmente, são burros. Se não é burro, é vagabundo. É lógico: se não fosse ou burro ou vagabundo, não seria pobre, seria rico. Ou, pelo menos, de classe "mérdia". Quem tem inteligência e vontade de trabalhar, não permanece pobre por toda vida. Dá direito de voto aos pobres é dá direito de voto a burros ou preguiçosos, e, com certeza, eles não vão fazer o bem com esse direito. Então, na prática, a democracia é uma gigantesca cota para essa gente.

Vejam o que acontece nos EUA: Os burros estão com Donald Trump, os vagabundos (que nem por isso deixam de também serem burros) com Hillary Clinton.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Não que eu ache muito trágico os americanos terem que escolher entre o Donald e a Hillary. Os dois são melhores que o Obama.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Se gostei das Olimpíadas? Gostei, sim. Teve babaquice politicamente correta, mas o que não tem, hoje em dia?

Eu fico pensando como seria bom se houvesse mais espaço para os outros esportes. Uma das razões para o Brasil ser um país tão chato é que aqui só se leva a sério o futebol e ignoramos os outros esportes, a maioria mais divertida. As olimpíadas poderiam mudar isso, mas acho difícil.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Eu fico pensando no chato futebol feminino - como é chato o futebol feminino! Financeiramente, nunca será viável. Mas, se fosse para a seleção brasileira, eu acho que o povo poderia concordar com o financiamento público do futebol feminino, até porque não custa tanto dinheiro assim. As meninas do futebol jogam com alma, isso não se pode negar, e a torcida gosta disso, então, eu acho que a maioria dos pagadores de impostos concordaria, se houvesse um referendo para isso, com o financiamento público do futebol feminino. Eu ouvi alguém dizer que futebol feminino é tão ruim quanto basquete feminino. Pode até ser, mas o basquete feminino é bem menos chato. Mas eu pensei o seguinte, sobre o futebol feminino: e se fosse usado para testar mudanças nas regras, como cobaias? Nesse caso, teria sua utilidade.

E algumas mudanças poderia fazer o futebol feminino ser bem menos chato. Por exemplo: toda falta é, no mínimo, um pênalti. Falta sofrida no campo adversário vale dois pênaltis. O "pênalti" mesmo, a falta dentro da grande área, vale quatro pênaltis. E três escanteios seguidos vale um pênalti. E uma mudança no tempo, também, quatro tempos de 25 minutos, com intervalos de 5 minutos, em vez de dois de 45, com intervalo de 15.

O futebol feminino não melhoraria de qualidade, mas ao menos teria mais gols. Isso poderia atrair mais torcedores. Os americanos iriam gostar.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Pediram-me uma lista de quinze escritores que me influenciaram. São eles: Jorge Luis Borges, Gabriel Garcia Marquez, João Guimarães Rosa, Ernesto Sábato, Franz Kafka, Edgar Allan Poe, Fiódor Dostoiévski, Liev Tolstói, Charles Dickens, Ernest Hemingway, Charles Baudelaire, Juan Rulfo, Eça de Queiroz, Thomas Mann e Roberto Arlt.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Roberto Arlt merece uma explicação: há escritores melhores do que ele, Arthur Koestler, Albert Camus, Vargas Llosa, Gore Vidal, Mikhail Lérmontov, Yukio Mishima, Gustave Flaubert, Daltron Trevisan, Guy de Maupassant, Eugene O'Neill, Graciliano Ramos e outros, muitos outros. Mas Roberto Arlt foi mais importante, para mim, porque graças a ele eu descobri a literatura argentina. Não foi graças a Jorge Luis Borges, que é um talento mais mundial do que argentino (na "História Universal da Infâmia" há um conto totalmente de ficção, "O Homem da Esquina Rosada", que se passa em algum lugar indefinido da Argentina, e vários contos ou casos reais que se passam em vários países e épocas). Roberto Arlt, sim, me fez ficar curioso sobre a literatura argentina. E graças a Roberto Arlt descobri depois Manuel Puig, Ernesto Sábato, Júlio Cortazar, Tomas Eloy Martinez, Enrique Molina e outros escritores argentinos. É isso que faz Roberto Arlt mais importante para mim que outros escritores melhores do que ele.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

(1) Alias, o verbo "oficializar" é uma triste consequência linguística da vida burocratizada que levamos.

Posted at 08:12 pm by Flamarion Daia Júnior
Make a comment  

Monday, April 25, 2016
Notas sobre o fim de Dilma Roussef

Claro que eu gostei do fim da Dilma e do PT (E é claro que ela caiu quando perdeu na câmara, o senado apenas vai confirmar). Mas há uma coisa triste: a Dilma perdeu por ser desastrada demais. Outro petista, menos desastrado mas tão culpado quanto a Dilma, outro petista teria ganhado, sem ser por isso menos ruim. Enfim, que o Brasil aprenda e que a Dilma não culpe nada nem ninguém além de sua própria incompetência e maldade.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

O Michel Temer, que será nosso presidente (ninguém tem certeza por quanto tempo, mas imagino que até a posse do vencedor das eleições de 2018, de acordo com a nossa constituição), ele não privatizará nenhum empresa pública. Com sorte, ele pode extinguir alguns (poucos) ministérios. Ele pode tentar trazer de volta a CPMF, e ele teria, para isso, o que a Dilma não teve, maioria do congresso. E, bem, como uma solução provisória, eu acho que dois ou três anos de CPMF não seria ruim, desde que também houvesse cortes nas despesas públicas. Aí, algum engraçadinho vem me perguntar se eu fui contra a tentativa da Dilma de restaurar a CPMF. É, fui contra. Mas eu não confiava na Dilma para reduzir os gastos públicos, então, com a Dilma, a CPMF se tornaria um imposto permanente. Com o Temer, a CPMF pode ser realmente provisória.

Ele deve diminuir a quantidade de petistas no Estado, mas pelo menos alguns serão substituídos pela gente de Temer. Mesmo assim, uma coisa boa, menos petistas no Estado é sempre bom. E acho que alguns cargos serão extintos, não ocupados pela gente de Temer, duplamente bom, portanto, mesmo que ainda muito longe do ideal. O Michel Temer não fará nenhuma tentativa de censurar a mídia, como os petistas fizeram, sem conseguir, nos últimos 13 anos. O Michel Temer deve ter uma política externa mais discreta, politicamente correta, sim, mas vai tentar conciliar o politicamente correto com os interesses do Brasil. Na educação e na cultura (onde o Estado não deveria se meter e se mete mesmo assim), será a mesma coisa: o Michel Temer tentará conciliar o politicamente correto com os interesses do Brasil (mas o “homeschooling” continuará sendo crime). E espero que o Temer se empenhe menos em desarmar o cidadão honesto, mesmo que nada faça para prender os bandidos (combater o crime é função dos governos estaduais, dizem... O governo federal não pode planejar ações conjuntas com os governos estaduais? O governo federal não pode propor uma nova legislação, para facilitar o trabalho da polícia e da justiça?).

Então, eu espero que o Temer melhore, mas não espero muita coisa.

O Temer nunca dirá que a esquerda não presta e que o que a esquerda propõe, quase sempre, é ruim para todo mundo menos para os esquerdistas (políticos normais propõem o que é bom para eles, sim, mas ao menos eles tentam conciliar isso com o que é bom para a maioria das pessoas). O Temer é político e ele sabe que pode precisar da ajuda dos esquerdistas, que têm grande poder político. Para minar o poder político da esquerda é preciso combater o poder cultural da esquerda, de onde ela tira seu poder político. Isso não é função dos políticos, por melhores que sejam. É função nossa, das pessoas que podem oferecer alternativas ao esquerdismo cultural.

Não é difícil oferecer alternativas ao esquerdismo cultural: trata-se de procurar ler por prazer, no caso da literatura, ou estudar com seriedade, no caso das ciências, e escrever suas conclusões com honestidade. Uma pessoa interessada em artes e ciências, religião, história e economia, ou em cultura em geral, e disposta a escrever publicamente sobre isso, sem viés esquerdista (e sem negar razão a um autor esquerdista, se por acaso ele estiver certo em alguma coisa), uma pessoa só é muito pouco, admito, mas centenas de pessoas assim representam uma boa alternativa ao domínio esquerdista na nossa cultura. Quanto mais pessoas estiverem escrevendo na internet, com seriedade, sobre cultura ou ideologia, mais pessoas se entusiasmarão e também farão isso. É dessa maneira que se destrói a hegemonia cultural da esquerda, base de sua força política. Pode demorar, provavelmente irá demorar, mas com certeza é melhor do que confiar em algum “político iluminado”.

Mesmo porque não teremos um político iluminado nas eleições de 2018. O vencedor será um candidato tucano, ou seja, um esquerdista, ou um dissidente do PT como Marina Silva, ou seja, um esquerdista ainda mais radical. Jair Bolsonaro? Por enquanto, eu voto nele, mas não tenho esperança que ele ganhe.

De qualquer modo, sobrevivemos a cinco anos de Dilma Roussef. Podemos sobreviver a um tucano.

Posted at 11:08 am by Flamarion Daia Júnior
Make a comment  

Sunday, February 14, 2016
Intervencionistas e golpistas

Você sabe a diferença entre intervencionistas e golpistas?

A diferença é que um dos grupos leu a constituição e descobriu que ela pode ser interpretada de um jeito que autoriza a intervenção militar mesmo contra a vontade do presidente da república (que é o chefe das forças armadas). Já o segundo não leu a constituição, ou leu mas não se importa, e deseja uma intervenção militar sem se preocupar com formalidades legais.

Ou seja, não é uma diferença ideológica, mas psicológica: um grupo se importa com o que as pessoas pensam, o outro não. (Ou talvez seja para evitar processos. Se uma pessoa perde uma intervenção militar de acordo com a constituição, ela pode ser acusada de alguma coisa?)

Tirando essa diferença, os dois grupos são iguais: eles acham que os militares são capazes de consertar os erros dos políticos.

Coisa de que eu duvido muito, considerando o que os militares têm dito por aí, considerando como eles se comportam no nesses tempos de PT, considerando como eles governaram nos últimos 10 anos do regime militar, pelo menos.

E é só porque eu duvido da capacidade dos militares de consertarem os erros dos políticos que eu não sou golpista, nem intervencionista. Se eu não duvidasse, não me importaria nem um pouco rasgar essa constituição horrível que o Mário Covas, o Ulisses Guimarães e o Bernado Cabral impuseram ao Brasil (notem que o PT nem teve muita coisa a ver com isso, é coisa de esquerdista "moderado" e da falsa direita que quer agradar a esquerda). Mas eu duvido, e por isso não apoio o golpe. Nem uma intervenção constitucional.

Agora, não pensem que eu acho esses políticos que vão ficar no poder, de onde não sairão, exceto pela improvável ação dos militares, a melhor alternativa. Não. Não espero mais dos políticos que dos militares.

Então, é isso: Não vale a pena lutar pela volta dos militares, e não vale a pena lutar pela permanência dos políticos. E exigir respeito à constituição é, gostem ou não, exigir que os políticos continuem no poder. Não vejo em que tucanos e petistas sejam melhores que os militares, não vejo em que militares são melhores que tucanos e petistas. Não apoio nem um nem outro e não acredito nessa constituição, como não acredito que resgá-la seja melhor.

Então, não tem solução (além de deixar o Brasil, o que não posso fazer porque estou velho demais e tenho filhos)? Bom, solução tem. A pessoa deve tentar melhorar seu próprio nível cultural para tentar entender melhor a situação do Brasil e convencer outras duas ou três pessoas a fazerem o mesmo. Se tiver sorte, serão quatro pessoas que melhoraram de nível. Se essas quatro pessoas repetirem o processo, então serão quase vinte pessoas que melhoraram de nível. Depois, serão cem, depois quatrocentas, depois umas mil e quinhentas, e um dia veremos que somos maioria no Brasil e que os intelectuais de esquerda, que impuseram a divisão política entre tucanos e petistas, com apenas os militares como uma alternativa muito pouco atraente (não importa se legal ou não), já não convencem ninguém.

É uma solução que exige muita paciência e boa vontade, porque levará muito tempo, e também porque sempre haverá o risco de encontrarmos pessoas malvadas ou simplesmente idiotas que não entenderão ou fingirão nada entender e, se essas pessoas idiotas ou malvadas fizerem alguma coisa, será para atrapalhar. Mas não vejo solução melhor.

Posted at 04:03 pm by Flamarion Daia Júnior
Make a comment  

Thursday, January 28, 2016
Japonesa no Banho, de James Tissot

Mais quadros de James Tissot aqui.

Posted at 08:50 pm by Flamarion Daia Júnior
Make a comment  

Tuesday, December 15, 2015
Não mirem-se no exemplo, pensem sobre isso

Hoje eu resolvi ouvir "Mulheres de Atenas", do Chico Buarque, na voz de Ney Matogrosso. Belíssima música, linda interpretação, a do Ney. E tanta gente dizendo que o Chico Buarque devia só se dedicar à música, que ele não tem nada que se meter com política… e essa gente está errada, essa gente não entende nada. Explico: a militância esquerdista do Chico Buarque o salvou de muita coisa ruim. "Mulheres de Atenas" é um exemplo: se ele não fosse um comunista, ele teria sido linchado pelos politicamente corretos.

Então, como ele não tem que se meter em política? Não teria, se ele vivesse num país onde um artista pudesse ser só um artista. Mas no Brasil, o artista tem que ser esperto, além de artista, e o Chico Buarque ficou esperto, e muito. Se ele fosse apolítico, nem precisaria ser de direita, "Mulheres de Atenas" teria sido o fim da carreira dele, ele nunca mais seria elogiado em lugar nenhum. Mas como ele é esperto (ser comunista é consequência dessa esperteza, estou com o Millôr Fernandes, desconfio de todo idealista que lucra com seu ideal, aliás, foi para o Chico Buarque que o Millôr inventou essa frase), "Mulheres de Atenas" foi tocada, festejada, e depois esquecida, exceto pelos que gostam de boa música popular, "Mulheres de Atenas" é uma das mais belas letras que já fizeram na MPB. É, com certeza, contra os direitos das mulheres. Cadê que as feministas criticam?

E é isso o que mais detesto no politicamente correto. É uma lei que só vale para os inimigos da esquerda. Borges de Medeiros disse: "Aos amigos, tudo! Aos inimigos, a lei!". Os esquerdistas, do mundo inteiro, podem bem dizer: "Aos amigos, tudo! Aos inimigos, o politicamente correto!" Ou nem precisam falar nada, basta agir como se assim fosse – porque assim é. Chico Buarque compôs "Mulheres de Atenas" e é um ídolo intocável dos intelectuais brasileiros, a ponto de nem mesmo admitirem crítica a seus romances. Lula da Silva contou alguns anos atrás como arrancava dinheiro de gente pobre em São Paulo, inclusive um "Crioulo", essa a palavra que o Lula usou, debochando do termo afrodescendente. Se fosse um político de direita ou mesmo da esquerda civilizada do PSDB, enfrentaria mil processos e dez mil campanhas nas redes sociais. Fidel Castro colocava os gays de Cuba em campos de concentração para recuperá-los pelo trabalho, mas teve que acabar com isso porque Cuba precisou de dinheiro e assim os gays foram liberados para servirem de prostitutos, um modo de ganhar dinheiro para a revolução – só idiotas acham que se faz revolução apenas com idealismo, todos os revolucionários sempre tiveram muito dinheiro para seus crimes. Mas Fidel Castro nunca foi criticado por isso, nunca. O movimento gay e seus simpatizantes não ligam para gays perseguidos se o perseguidor for alguém como Fidel. Sem contar o racismo e o machismo do comunismo cubano, um regime contra negros e contra mulheres, como também os regimes árabes, inimigos dos Estados Unidos – ser antiamericano, pelo jeito, perdoa qualquer crime não só contra a humanidade, mas também contra qualquer classe que os politicamente corretos querem proteger. Gays, negros e mulheres não são protegidos quando o agressor ou o ofensor é de esquerda. Ou aliado da esquerda contra os americanos, como é o caso dos árabes.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Mas o que me deu vontade de escrever sobre "Mulheres de Atenas" nem mesmo foi isso. É que a letra da música descreve muito bem como era a condição feminina sobre o paganismo grego. A moda hoje é criticar o cristianismo como sendo uma religião do patriarcado, que nega os direitos das mulheres. Idiotas, o cristianismo foi a religião que começou a reconhecer alguns direitos das mulheres. Leiam a letra com atenção, e saibam: essa era a condição das mulheres nas sociedades pagãs. O cristianismo foi um alívio enorme para as mulheres. Por isso as mulheres pagãs aderiram em massa ao cristianismo. As pagãs do mundo grego e romano ririam muito dessas wickas mimadinhas do moderno paganismo, que acham que se não fosse o cristianismo as mulheres seriam sacerdotisas ou guerreiras respeitadas. Prestem atenção na letra de "Mulheres de Atenas", queridas. Paganismo, para as mulheres, era isso:


Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas; cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas, serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Posted at 06:52 pm by Flamarion Daia Júnior
Make a comment  

Sunday, December 13, 2015
Xudozhnik, de George Kurasov

Mais quadros de George Kurasov aqui.

Posted at 08:05 pm by Flamarion Daia Júnior
Make a comment  


Next Page




<< July 2017 >>
Sun Mon Tue Wed Thu Fri Sat
 01
02 03 04 05 06 07 08
09 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 31


If you want to be updated on this weblog Enter your email here:




rss feed






















Zadig

Achou bonitinho? Ent�o salve o banner e coloque o meu link na sua p�gina!























































































rel=