Sunday, December 13, 2015
Xudozhnik, de George Kurasov

Mais quadros de George Kurasov aqui.

Posted at 08:05 pm by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, December 06, 2015
O mais razoável

Aí eu estou lendo um desses liberais sem paixão (google it, se você quer saber quem é), debochando do Olavo: "This is man is a genius, with a growing audience in the US"(1)

Isso por causa deste twitter: "Se O Donald Trump for eleito, ele e o Putin têm todas as condições para restaurar a bipolaridade que assegurou a paz desde 1945." (Olavo de Carvalho)

Sinceramente...

Eu acho muito mais razoável acreditar nisso que o Olavo disse (que alias está sendo otimista) do que acreditar no que os liberais sem paixão acreditam, que o capitalismo e a globalização, seguindo seu ritmo natural, aumentarão a paz, a liberdade e os direitos dos homens (2). Sorry, liberais sem paixão, eu não sei se o Olavo está certo, mas mais razoável, sem dúvida.

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(1) Se ele quis falar como os americanos, deveria ter dito America (que em inglês não tem acento no "e") e não US.

(2) Já que estamos falando da América, direito à liberdade de expressão, à liberdade de religião, o direito de guardar e usar armas, à liberdade de assembleia e à liberdade de petição, etc.

Posted at 10:11 pm by Flamarion Daia Júnior
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Thursday, November 19, 2015
O Massacre dos Inocentes na França

Thomas Sowell: "There was a painful irony when France's immediate response to the terrorist attacks in Paris was to close the borders. If they had closed the borders decades ago, they might have avoided this attack."

Pois é...

Coisa abundante aqui no Brasil é gente achando que um país controlar suas fronteiras e selecionar quais imigrantes podem entrar ou não, descartando tipos suspeitos, é puro racismo irracional. O massacre de inocentes na França mostrou que não. Ou por outra: pode até ser racismo, mas com certeza não é irracional.

O massacre de inocentes na França mostrou isso e deve ficar na memória por talvez três ou quatro meses – e olha que estou sendo otimista. Aí, voltará o febeapá habitual, chamando de racista quem exige de seu país que controle suas fronteiras e seja cuidadoso ao escolher quais imigrantes podem entrar e quais não podem. Como se não fosse uma questão de vida ou morte, como se fosse só birra de caipiras reacionários. Os brasileiros, principalmente os que trabalham na mídia, não levam seu próprio país a sério e erram achando que outros povos também não levam, daí os brasileiros acham que tomar precauções quando escolhemos que imigrantes podem ou não entrar num país deve ser um bobo preconceito racista.

Quem leva a sério o país onde nasceu e cresceu (o que, repito, não é o caso dos jornalistas brasileiros) tende a ter outra opinião.

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Outra coisa que eu acho fantástico é a miopia ideológica de muitos comentaristas. Comentando o massacre, eles dizem: "Agora, a extrema direita vai tirar proveito disso".

Sim, vai. É claro que vai. Quando um partido comete erros, e os partidos que há muito tempo tem governado a França (não só o socialista) cometeram vários erros na questão da imigração, os partidos adversários tiram proveito disso. Todos os partidos fazem isso. Os socialistas franceses tiraram proveito dos erros de Sarkozy, os democratas americanos tiraram proveito dos erros de Bush, o PT tirou proveito dos erros do PSDB, em todo mundo é assim e assim será por muito tempo, e eu acho ótimo, porque isso é sinal que o país é uma democracia normal e seus partidos fazem o que um partido deve fazer numa democracia normal, ou seja, tiram proveito dos erros de seus adversários.

O que os comentarias lamentam, uma pessoa normal acha normal.

Na verdade, isso nem mereceria um comentário, dizer que um partido se aproveita do erro de um adversário é como uma manchete dizendo que astrônomos tiram fotos de estrelas ou os evangelhos são quatro, ou algo assim. Esses comentaristas não se lembram de mencionar quando é um partido de esquerda tirando proveito dos erros de um partido de direita (ou tido como de direita), quando este está no poder. Eles só se lembram de mencionar isso, em tom de lamento, quando é um partido de direita tirando proveito dos erros de um partido de esquerda.

Isso pouco diz sobre a situação política da França, mas diz muito sobre o estado psicológico desses comentaristas: Para eles, a existência de partidos de direita, em si, é um problema que precisa ser eliminado. Como os nazistas achavam que era preciso eliminar os judeus, como os comunistas acham que é preciso eliminar a burguesia. Não é que esses comentaristas sejam cruéis. O que eles são é idiotas que falam sem pensar. Eles não sabem que gostariam que não houvesse partidos de direita disputando o poder e vigiando os partidos de esquerda, para tirar proveitos dos erros dos partidos de esquerda. Eles não sabem que lá no fundo o que desejam é uma ditadura. Porque democracia onde só existem partidos de uma mesma ideologia é ditadura.

Posted at 10:26 am by Flamarion Daia Júnior
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Wednesday, October 28, 2015
A diferença entre Petralhas e Tucanos

Eu escrevi, há um ano:Os petistas querem tirar do cidadão honesto o direito de ter uma arma de fogo para se defender, mas não têm apoio popular para isso, aí eles tentam criar vários obstáculos burocráticos e legais para impedir que o cidadão honesto tenha acesso às armas. E os tucanos? Mesma coisa.

Agora, leio isso:

Revogar o estatuto do desarmamento é um escândalo, diz FHC em vídeo.

Sabem qual é a diferença entre Petralhas e Tucanos? Os tucanos usam camisinha e vaselina para te estuprar, os petistas não.

Posted at 11:17 pm by Flamarion Daia Júnior
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Saturday, August 29, 2015
Ponto por Ponto 23

É com grande prazer que anuncio a volta do Dennis ao Twitter":

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Saudades dos blogs de Portugal, caro leitor? Não se preocupe, o Super Flumina ainda está ativo

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Enquanto escrevo, eu vejo "O Lobo de Wall Street". Como alguém tem coragem de dizer que essa porcaria não é um bom filme eu não consigo entender. Só pode ser raiva de gente rica, o filme é ótimo.

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É, vejo enquanto escrevo. Filmes raramente valem que eu pare de escreve enquanto eu os vejo. Posso até fazer as duas coisas juntas. Dá prioridade a um filme, raramente.

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Antes, eu achava ridícula essa mania dos tradutores de legendas de cortarem os palavrões que os americanos falam. Agora, eu me pergunto: será que não é melhor assim? Brasileiro já é boca suja demais para o meu gosto, não quero que copiem mais essa mania dos filmes americanos. Que copiamos tudo, qualquer um pode ver.

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E tanta gente atribuindo as baixarias e as imoralidades da teledramaturgia (palavra que me faz rir de mim mesmo por usá-la) ao saudoso Nélson Rodrigues… Balela, isso é coisa de Hollywood. "Roliú", dizia o igualmente saudoso Rubem Braga.

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E é bom, como é bom, ter mais uma desculpa para citar o eterno Paulo Francis! Ele dizia (e com certa frequência) que uma vez alguém que tinha estado anos fora do Brasil uma vez perguntou ao Rubem Braga: "O que há de novo?" Rubem Braga pensou, pensou e afinal disse: "Roliú com filtro". Antes o cigarro era sem filtro. E foi essa a única novidade importante que Rubem Braga foi capaz de citar.

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Continuo vendo o filme, ele começa a ficar chatinho a partir da segunda metade. Ainda é melhor que a média. Não, não vou contar o final dele.

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Até parece que não escrevo por falta de tempo. Waal, isso foi verdade alguns anos atrás. Eu não escrevo hoje porque tenho preguiça mesmo. Tenho tempo de sobra, mas prefiro baixar pornografia e jogar no facebook. Minha filha joga muito comigo, sabem? Ele vive com o noivo dela (ainda não casaram), e mal nos encontramos ao vivo, mas conversamos muito on-line.

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Eu queria casar com a mulher que eu amo, e não deu certo. Hoje, eu quero namorar a mulher que eu amo (continua a mesma), mas casar de jeito nenhum. Ela não serve para ser esposa de ninguém. Mas pode ser uma ótima namorada.

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Será que pensar isso é pecado? Waal, eu sei duas coisas: é uma merda, e é verdade.

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2015 será igual a 1992? Waal, vejamos: Dilma, muito parecida com Collor, só que mais burra. A coligação da Dilma é maioria no congresso, mas não se Eduardo Cunha ficar contra ela. Eduardo Cunha, muito parecido com Ibsen Pinheiro. Tucanos em cima do muro, em 2015 como em 1992. Crise econômica sem perspectiva de melhora a curto prazo, em 1992 como em 2015. Mas esse Rodrigo Janot não é um Aristides Junqueira. Isso provavelmente salvará a Dilma.

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Mas nada salvará a vida dos brasileiros de merda e mais merda nos próximos anos. Eu sou o único com emprego na minha família. Minha mãe tem sua renda de imóveis a aposentadoria, minhas irmãs e meus cunhados estão desempregados, assim como minha filha. Tenho mais dois filhos, um está no exército e o outro faz estágio. Acho muito improvável que os desempregados da família arrumem emprego nos próximos anos. Acho muito pouco improvável que o povo passe a gostar mais de Dilma nos próximos anos. Acho até boa essas tentativas idiotas dos cada vez mais raros simpatizantes do governo de mostrar que a oposição é igual ao PT, primeiro porque é claro que não é, o PT é pior, segundo porque assim as pessoas não esperarão nada de muito bom do próximo governo. Só que não seja igual ou pior que os petistas, o que, convenhamos, é uma esperança mais que razoável.

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A noite está sendo quente, sinal de chuva em Brasília nos próximos dias, é assim nesta época do ano, mas até chover o calor desse final de inverno (oficialmente…) é horrível. Graças a Deus tenho ventilador. Pensar que por culpa da Dilma a conta da luz virá altíssima… Você, defensor dos pobres que me lê, saiba que a maioria deles também tem ventilador nesse calor e gosta. Mas quantos poderão ligar? Acho que saberem que a classe média pagará muito caro pelos nossos ventiladores não é consolo para eles. Pode ser consolo para algum esquerdista idiota.

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O que ando lendo? No momento, "Guillaume le Conquérant", de Yann Coz. A Idade Média me deixa pasmo, sempre. Como aquele povo (todos os países) gostavam de uma briguinha. Porque eram isso, briguinhas. O povão entrava de gaiato e muito de vez em quando nas briguinhas dos poderosos. As brigas de hoje são horríveis, é povão contra povão, e o povão precisa acreditar que seu inimigo é pior do que ele. As elites de hoje ficam em seus gabinetes enquanto o povão pega o povão de outro país. As elites medievais eram muito, muito melhores do que as elites de hoje com o povão. E eu falo de todas as elites que temos hoje: a política, a cultural, a econômica, a esquerdista, a conservadora… Waal, talvez as elites religiosas sejam melhores hoje do que eram na Idade Média. Mas não ouso dizer com certeza absoluta. (O corretor do texto diz que "certeza absoluta" é pleonasmo, que eu deveria dizer só "certeza". Waal, como diria o lobo de Wall Street, fuck you, corretor. O que sabem estes corretores? Eu quase chamo o Rubem Braga de Rubens Braga por culpa desse corretor).

Posted at 10:41 pm by Flamarion Daia Júnior
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Friday, June 26, 2015
A elite como superioridade natural...

"A elite como superioridade natural, assumindo em consequência o dever de servir, esclarecer e amparar os menos dotados e mais necessitados, essa seria a consciência ideológica de uma direita respeitável. Mas, cedo ou tarde – em geral muito cedo – essa superioridade é usada não mais como munus – o serviço prestado ao público –, mas como gazua para privilégios. E atrás vem logo o esquecimento de nobrezas humanísticas e dignidades éticas, pois os privilégios simples já não bastam, não satisfazem. O apetite aumenta e as elites apodrecem, cevadas no gozo de vantagens estúpidas e na satisfação de vaidades ridículas, mantidas por meio de prepotências mais cruéis. Não é dando mais dois anos a Sir Ney que vamos ultrapassar esse estágio", disse o saudoso Millôr Fernandes no também saudoso Jornal do Brasil, em primeiro de abril (mas ele não estava mentido) de 1987. Há 28 anos. Sou velho mesmo. E cada vez menos reconheço o país de minha adolescência e juventude, o que por sinal acho mais bom do que ruim. Tenho fé que minha maturidade e minha velhice serão muito melhores que minha juventude.

 

O "Sir Ney" no texto era o então presidente José Sarney, e foi o ainda mais saudoso Paulo Francis que inventou esse apelido, embora o Millôr tenha sido o maior divulgador (rimou).

 

Mas o que me ocorre nesse pequeno parágrafo do Millôr, além de algumas lembranças do passado, é que esse é o destino de toda corrente política, não só das de direita, respeitável ou não. Foi assim com o patriciado romano, a nobreza feudal, os "coronéis" da república velha do Brasil, a nomenclatura soviética. Todas eram elites naturalmente superiores ao povão, e essas elites usaram, em seus melhores momentos, sua superioridade natural a serviço da comunidade, para acabar, já em sua decadência, a usar sua superioridade a serviço das ditas vantagens estúpidas e vaidades ridículas por meio das prepotências mais cruéis. A exceção é a nomenclatura soviética, que mesmo quando era abnegada e desapegada, não colocava seus talentos e sua capacidade a serviço do povo soviético mas sim a serviço de uma utopia irrealizável, e justamente por isso foi o pior tipo de elite que pode existir, uma maldição para seu próprio povo.

 

Tal seria (e não o progresso econômico através do capitalismo) o programa de uma direita respeitável: criar e conservar uma elite consciente de sua superioridade e que por isso assume "o dever de servir, esclarecer e amparar os menos dotados e mais necessitados", ou seja, criar e conservar uma boa elite. E isso é possível, há exemplos de boas elites na história.

 

Comparem isso com os dois pressupostos implícitos (ou explícitos, no caso dos anarquistas: "Hay gobierno? Soy contra!") em qualquer ideologia esquerdista, ou seja, que toda elite é má e que o povo não precisa de nenhuma elite, boa ou má. O primeiro pressuposto é uma mentira, como qualquer estudante sério de história sabe muito bem, o segundo é um absurdo total – e nem é preciso estudar história ou qualquer tipo de ciência, basta observar o comportamento das pessoas comuns por algum tempo (rimou de novo...).

Posted at 12:24 pm by Flamarion Daia Júnior
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Wednesday, April 29, 2015
Debate Sobre Nelson Rodrigues

Bom, começou assim:

Adam Smith e David Hume deixaram claro, entretanto, que o mercado, que é a única solução conhecida para o problema da coordenação econômica, depende ele próprio do tipo de ordem moral que emerge de baixo, quando as pessoas se responsabilizam por suas vidas, aprendem a honrar seus acordos e vivem em justiça e caridade com seus vizinhos.

E meu amigo comentou:

A teoria economica de Adam Smith serviu de base ao marxismo e já foi refutada há muito tempo, pelos proprios economistas liberais. Quanto a David Hume, de fato era conservador em politica (não sei se sinceramente ou se apenas para ganhar a confiança da classe dominante da epoca para suas ideias ousadas no campo da moral, tal como o nosso Nelson Rodrigues), mas foi o grande destruidor da metafisica que possibilitou a obra de Kant, base filosofica da contemporaneidade e de sua anarquia espiritual, sem a qual também não haveria Hegel, Marx ou comunismo.

Então eu comentei:

"Quanto a David Hume, de fato era conservador em politica (não sei se sinceramente ou se apenas para ganhar a confiança da classe dominante da epoca para suas ideias ousadas no campo da moral, tal como o nosso Nelson Rodrigues), mas foi o grande destruidor da metafisica que possibilitou a obra de Kant, base filosofica da contemporaneidade e de sua anarquia espiritual, sem a qual também não haveria Hegel, Marx ou comunismo."

Não li o Hume, mas do Nelson eu manjo. E se o Nelson queria ganhar a confiança da classe dominante para suas idéias ousadas no campo da moral, ele fracassou redondamente. De fato, se há algo que Nelson pouco teve em vida foi apoio da elite cultural, ou econômica (ele teve apoio de alguns riquinhos para montar "Vestido de Noiva", mas foi muito antes dele divulgar suas ideias conservadoras). E a principal razão foi justamente o seu conservadorismo político. O Nelson perdeu sendo conservador, ele não ganhou.

Acho que o único conservador que apoiou o Nelson (depois de anos e anos de polêmicas amargas) foi o Gustavo Corção. Alguém conhece outro?

E o que são as idéias ousadas do Nelson no campo da moral? Ele acreditava basicamente em duas coisas (considerando suas peças): 1) O homem é escravo de seus instintos mais repugnantes; e 2) Por isso, a condição humana é essencialmente trágica. É o que suas peças, quase todas, mostram.

Ele não era um escritor cristão, verdade seja dita, porque não acreditava na possibilidade de redenção dos homens. Não há um Aliocha ou um Michkin em suas peças, há apenas Raskolnikovs que, ao contrário do original russo, não têm possibilidade de redenção. Os sórdidos de Nelson Rodrigues são sórdidos até o fim, para Nelson apenas as conveniências sociais os impedem de se degradarem na vista de todos, como se degradam nos bastidores. Mas no final as conveniências sociais são incapazes de salvá-los de um destino trágico.

Essas idéias de Nelson Rodrigues combinam muito bem com uma doutrina conservadora: As convenções sociais, a vida em sociedade, elas são muito úteis para impedir que o ser humano sucumba a seus mais sórdidos instintos. Em alguns momentos, no entanto, esses sórdidos instintos superam as convenções sociais e isso tem resultados trágicos. Mesmo assim, na maior parte do tempo, os seres humanos são capazes de se conterem e levar uma vida razoável, monótona e produtiva, pelo respeito que têm às convenções sociais. Se for ver, não há nada de ousado nas idéias de Nelson Rodrigues. E, no fundo, há apenas uma coisa errada: a falta de crença na possibilidade de redenção.

Mas se quando falamos de "Idéias ousadas no campo da moral" estivermos falando das situações bizarras que o dramaturgo colocava em cena, então não se trata de moral. Se trata de obras teatrais ousadas. Que nem mesmo são novidade. (Exceto talvez na nudez em cena, mas isso é uma questão de forma, não de conteúdo). Já existiam muitas das bizarrices de Nelson Rodrigues no antigo teatro grego. E ninguém acha estranho e muito menos "não conservador" quando uma peça de Eurípedes ou Sófocles é montada sem cortes.

Sabiam que nas peças do Nelson Rodrigues existem poucos palavrões? Um dos charmes do Nelson é esse: Ele cria situações sórdidas e bizarras, mas sua linguagem é de mocinha de família.


E aí, meu amigo respondeu:

Nelson Rodrigues fracassou? Não é isso que os fatos mostram. O Anjo Pornografico nunca teve problemas nem com o Estado Novo, nem com o regime militar. Pelo contrario, uma de suas peças mais sordidas, Album de Familia, foi proibida em 1946 pela censura da democracia e teve de esperar até 1965, quando a censura da ditadura, em plena vigencia dos atos institucionais, liberou-a para o bem da familia brasileira: http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81lbum_de_Fam%C3%ADlia

Tá vendo como vale a pena puxar o saco dos milicos? Aqui tem um artigo que faz a comparação do tratamento dado pela censura do regime militar ao anticomunista Nelson Rodrigues e ao esquerdista Oduvaldo Vianna Filho: http://www.revistas.usp.br/anagrama/article/view/35606/38325

Nelson Rodrigues ganhou dinheiro com suas peças (o que é exceção entre os grandes escritores brasileiros) e foi consagrado ainda em vida. Nelson Rodrigues está para o teatro brasileiro como Oscar Niemeyer para a arquitetura, inclusive na velhacaria ideologica: enquanto Niemeyer era comunista para ser incensado como "genio" pela claque do movimento comunista internacional, Rodrigues era anticomunista para escapar da fatalidade da censura. No fundo, acho que o comunismo de Niemeyer valia tanto quanto o anticomunismo de Rodrigues: o valor de suas conveniencias e interesses pessoais. Quando o Niemeyer morreu, o Reinaldo Azevedo escreveu que ele era metade genio e metade idiota. Nem uma coisa nem outra: Niemeyer não era genio (acho as obras dele uma porcaria, tal como as de Nelson Rodrigues), e sua opção ideologica não era por idiotice, mas por esperteza mesmo. No fundo, Niemeyer e Rodrigues foram dois velhacos que conseguiram convencer boa parte da classe letrada brasileira de que eram genios -- inclusive o Reinaldo Azevedo. Aliás, a mesma ditadura que liberava as peças pornograficas de Nelson Rodrigues executava os projetos não menos pornograficos de Niemeyer. Nelson, pelo menos tinha uma vantagem sobre Niemeyer: apesar de hipocrita, era otimo frasista.

E ambos não apenas foram consagrados e incensados em vida, como suas obras continuam aí, a assombrar os postumos. Toda a teledramaturgia da TV Globo depende intelectualmente de Nelson Rodrigues. Parece até que o destino da Venus Platinada é pecar. E o resultado até a BBC já documentou: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/01/090130_noveladivorciobrasil_np_tc2.shtml

O proprio beijo gay na TV escandaliza menos quando se vê precedido por um Beijo no Asfalto....

Não é que Nelson Rodrigues não acreditava na possibilidade de redenção. É que ele detestava a familia. A familia, nas peças de Nelson, é o ambiente das piores canalhices. A imagem que tem a familia nas peças de Nelson Rodrigues -- como nas novelas da Globo -- é a pior possivel. A familia rodrigueana é simplesmente repugnante, é a familia do pai que prostitui as filhas. E nem se compare com as tragedias gregas: como diz Aristoteles em sua Poetica (c. V, n. 24), a tragedia visa mostrar homens superiores ao comum dos mortais, em situações-limite que provocam no espectador terror e/ou piedade. As peças de Nelson Rodrigues não contam com heróis, com homens superiores. Seus personagens são uns mediocres, quando não são pervertidos são uns covardes ou estupidos, só provocam repugnancia, inclusive quando são as vitimas ou os mocinhos da historia.

É por isso que a esquerda descolada adora Nelson Rodrigues, que é apontado como o "genio" do teatro brasileiro do seculo XX em qualquer manualzinho de literatura para o ensino medio. Manuais que, por outro lado, nem sequer citam o nome de Corção -- nisso não dá pra criticar a esquerda, eles sabem identificar muito bem o que lhes serve. Corção, aliás, só apoiou Nelson Rodrigues quando já estava lelé.

Se esse teatro do mundo cão combina com uma doutrina conservadora, esse é um conservadorismo que não me interessa. Ai, "as convenções sociais"... que permitem aos seres humanos se conterem e levarem uma vida razoavel, monotona e produtiva. Se tudo o que o conservadorismo tem a oferecer aos homens é "uma vida razoavel, monotona e produtiva", eu prefiro a Revolução -- como preferirá qualquer homem que se percebe algo mais que um animal. Esse conservadorismo à la Montaigne é a direita que a esquerda gosta, porque não tem outro argumento senão o "sempre fizemos assim". Contra esse conservadorismo se levantaram Socrates e o Cristo. O cristianismo em seu estado puro tem certo problema com as convenções sociais -- eu sou discipulo d'Aquele que disse: "Ouvistes o que foi dito aos antigos, eu, porém, vos digo..."

Se o socialismo é uma utopia subversora da propriedade e da familia, nenhum intelectual brasileiro fez mais pelo socialismo do que Nelson Rodrigues.

«No teatro exploram-se os temas mais morbidos. Os estudos realizados pela psicologia em profundidade forneceram um copioso material para subinteligencias criarem um teatro em que os heróis são desajustados, neuroticos, loucos morais, angustiados de todos os graus, temperamentos em frangalhos, personalidades em decomposição, pessoas de carater equivoco e mal formado, situações das mais insolitas, intrigas que só a mente de um louco poderia criar, pois esse teatro está mais proximo dos hospicios que do bom senso, e tudo isso é apresentado como arte, como sublime arte. Essas peças equivocas em que personagens dizem asnices em alto tom e que uma plateia ignorante considera sentenças de "alta filosofia", em que o dialogo é um amontoado de lugares comuns, que mais deveriam fazer rir do que pensar, tudo isso recebe o louvor de uma critica de mente estropiada, e é exaltado ao maximo» (Mario Ferreira dos SANTOS, A Invasão Vertical dos Barbaros).

Graça e paz,

Senhor P. (é uma pena que o senhor P não me autorize a dizer o nome dele, mas ele deve ter suas razões).

E aí, eu novamente repliquei:


Caro amigo Senhor P., veja o que você disse e o que eu respondi:

"Quanto a David Hume, de fato era conservador em politica (não sei se sinceramente ou se apenas para ganhar a confiança da classe dominante da epoca para suas ideias ousadas no campo da moral, tal como o nosso Nelson Rodrigues)."

“Não li o Hume, mas do Nelson eu manjo. E se o Nelson queria ganhar a confiança da classe dominante para suas idéias ousadas no campo da moral, ele fracassou redondamente.”

“Nelson Rodrigues fracassou? Não é isso que os fatos mostram.” Que fatos, caro Senhor P? Não os que conheço.

“O Anjo Pornografico nunca teve problemas nem com o Estado Novo, nem com o regime militar.” Não teve? “O Casamento”, romance que estava tendo um grande sucesso de vendas – e detalhe: na época, 1966, os livros de ficção estavam isentos de censura. Ou seja, a censura ao livro do Nelson foi um caso especial, contra ele. E quanto ao Estado Novo (nem vou discutir se o regime era conservador), o que havia para censurar? No começo da carreira, Nelson era um desconhecido, ainda que filho de um pai famoso, e sua obra era até bastante recatada em comparação ao que escreveria depois. O certo é que Nelson Rodrigues não defendia o conservadorismo no tempo do Estado Novo.

Sigo lendo o artigo da revista da USP enquanto escrevo. O autor é tão bem informado que chama o romance “O Casamento” de peça. E atribui a vitória do Nelson na justiça, para liberar seu romance, a seus contatos com os poderosos e ao seu conservadorismo. Sem nunca dá uma prova disso. A mim, parece que ele ganhou na justiça porque a lei estava do lado dele. Alias, o autor do artigo também diz que o Nelson ir à justiça no tempo do regime militar é o mesmo que reconhecer a legitimidade do regime militar. Eu digo que o autor do artigo da revista da USP é um idiota.

“Nelson Rodrigues ganhou dinheiro com suas peças (o que é exceção entre os grandes escritores brasileiros) e foi consagrado ainda em vida.” Nossa, que grande pecado! É aquela história, artista só presta quando passa fome pela arte. Mas talvez você, meu caro amigo, esteja atribuindo isso ao “sucesso” dele em ganhar o apoio dos conservadores. Acho melhor procurar outra razão, porque quando ele se destacou como cronista reacionário ele já não escrevia muitas peças. A maioria de sua produção teatral, inclusive todas suas melhores peças, é anterior ao regime militar.

O anticomunismo do Nelson era sincero. Tá lá na página 298 da biografia dele:

“Entre perguntas simpáticas sobre seu estado, Pinheiro Jr., com a maior delicadeza, quis saber:
‘Nelson, supondo que você tivesse de dizer suas últimas palavras, quais teriam sido?’
Não se sabe se Nelson achou aquilo uma piada de necrotério; se quis provocar a redação de ‘Última Hora’, que certamente encomendara a pergunta; ou se teve outro motivo. Mas ficou sério e disse:
‘Você promete que publica?’
O repórter fez que sim e molhou o lápis na ponta da língua. E Nelson, ardendo em febre:
‘Então anota: ‘Que besta graduada era o Carlos Marx!’.’
Pinheiro Jr. anotou — e, surpreendentemente, a frase de Nelson ultrapassou incólume as brigadas marxistas de ‘Última Hora’ e saiu no dia seguinte, 12 de dezembro de 1958.”

Pois é, em 1958, o presidente era o Juscelino. O Nelson já era antimarxista. Ele era antimarxista por que via o fracasso econômico e cultural dos países comunistas. Ele era antimarxista porque abominava a ideia de viver num país marxista. Ele era antimarxista porque ele via o que a politização esquerdista estava fazendo com as artes no Brasil em geral e com o teatro brasileiro em particular, desumanizando tudo. Ele não era antimarxista para conseguir o apoio dos conservadores. Que apoio o Nelson conseguiu dos conservadores em 1961? Em 1961, quando ele escreveu isso:

“O Brasil atravessa um instante muito divertido de sua história. Hoje em dia, chamar um brasileiro de reacionário é pior do que xingar a mãe. Não há mais direita nem centro: — só há esquerda neste país. Perguntem ao professor Gudin: — ‘Você é reacionário?’. Sua resposta será um tiro. Insisto: — o brasileiro só é direitista entre quatro paredes e de luz apagada. Cá fora, porém, está sempre disposto a beber o sangue da burguesia. Pois bem. Ao contrário de setenta milhões de patrícios, eu me sinto capaz de trepar numa mesa e anunciar gloriosamente: — ‘Sou o único reacionário do Brasil!’. E, com efeito, agrada-me ser xingado de reacionário. É o que eu sou, amigos, é o que sou. Por toda parte, olham-me, apalpam-me, farejam-me como uma exceção vergonhosa. Meus colegas são todos, e ferozmente, revolucionários sanguinolentos. Ao passo que eu ganho, eu recebo da Reação.
E, no entanto, vejam vocês: — como é burra a burguesia! Eu, com todo o meu reacionarismo, confesso e brutal, sou o único autor perseguido do Brasil, o único autor interditado, o único que, até hoje, não mereceu jamais um mísero prêmio. Pois bem. Enquanto a classe dominante me trata a pontapés e me nega tudo — que faz com os outros? Sim, que faz com os autores altamente politizados? Amigos, eis o equívoco engraçadíssimo: — a burguesia os trata a pires de leite, como gatas de luxo. O Dias Gomes, com o seu ‘Pagador de promessas’, fez um rapa de prêmios. O Flávio Rangel não dá um espirro sem que lhe caia um prêmio na cabeça. O meu amigo Augusto Boal, premiado. O Vianinha, premiadíssimo.”

E quanto à sua crítica à família - na vida real a família é o ambiente das piores canalhices. Não, não é porque o Nelson inventou, é porque é. Ele usou o que ele viu. Ele não detestava a família, ela tinha uma visão trágica da família. Ele dizia que as mulheres gostam de apanhar porque ele viu uma mulher que apanhou e adorou na vida real. Ele mostrava as maiores barbaridades acontecendo dentro do lar, mas não para fazer propaganda contra o lar. Ele mostrava as maiores barbaridades acontecendo dentro do lar porque muitas das maiores barbaridades acontecem dentro do lar. No Brasil em que Nelson Rodrigues nasceu, o duelo ainda era uma saída honrada para resolver disputas, os poderosos mandavam matar seus desafetos contando (com razão) com a impunidade judicial e os casamentos eram estupros legalizados entre senhores quarentões e meninas de 12, 13 ou 14 anos. Um país bárbaro. Ler Gilberto Freyre é importante e necessário, claro. Mas leia também Aluisio Azevedo, Lima Barreto, Paulo Prado, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Monteiro Lobato, Ronaldo Vainfas, Afonso Arinos, José Lins do Rego... E que tal Guimarães Rosa? Nos contos de Guimarães Rosa, há zoofilia (sexo com animais) e canibalismo. Mas o Guimarães Rosa tem uma grande diferença de Nelson Rodrigues: ele acredita em redenção.

Numa coisa, você tem razão: os personagens de Nelson, a grande maioria, são uns medíocres, quando não são pervertidos são uns covardes ou estúpidos. Por isso, eu o acho melhor nas comédias que nas tragédias. “Dorotéia” é hilariante. “Bonitinha, mas ordinária” e “Viúva, mas honesta”, são boas, também. Mas mesmo nas tragédias, que tal Moema, a intrigante que destrói a própria família e termina louca, em “Senhora dos Afogados”? Ou Ritinha, a mocinha que se prostitui para sustentar a mãe e as irmãs, em “Bonitinha, mas ordinária”? As personagens femininas de Nelson são as melhores da literatura brasileira.

E Jonas, o grande patriarca de “Álbum de Família”, é o maior vilão da literatura brasileira, o homem que se brutaliza e afunda na sordidez por causa de seu amor pela própria filha, amor que ele quer reprimir de qualquer maneira. Ele é um homem poderoso, de paixões extremas, e procurando evitar o pior, que seria consumar sua paixão pela filha, ele espalha violência e sordidez a sua volta, até que no final perde a filha e se deixa matar pela esposa, pois já não ver sentido em viver. É um grande vilão, que nada deixa a não ser morte e destruição de sua passagem pelo mundo, e tem um final lamentável e não lamentado, morto pela própria mulher diante do caixão da filha de ambos. É um personagem trágico, porque é, sim, superior a maioria dos mortais, não moralmente, claro, mas em termos de vontade e capacidade de controlar. A necessidade de reprimir seu amor pela filha o fazia poderoso e temido. Sem isso, só resta morrer. Um grande vilão, nessa literatura brasileira que tem tão poucos vilões (admito que não li todos os bons livros da literatura brasileira, se você puder me citar algum grande vilão que não conheço eu agradeceria), e os poucos que têm nem são personagens, mas caricaturas. Já o Jonas de “Álbum de Família” é um dos maiores vilões da literatura mundial. Dostoievsky e Shakespeare tem vilões melhores, mas só eles. A peça “Album de Família”, em si, é ruim, por causa do excesso de incesto e também porque os outros personagens não estão a altura da grandeza demoníaca e autodestrutiva de Jonas.

E é claro que você tem direito de não gostar da obra de Nelson Rodrigues, muita gente inteligente não gosta. Mas eu acho que seria melhor ler antes de criticar, pelo menos. “O beijo no asfalto” não foi um beijo gay. E nem faz muito sentido atribuir os recentes “beijos gays” das novelas da globo a uma peça escrita cinquenta anos antes dessa moda de beijos gays. O politicamente correto de Hollywood é o verdadeiro culpado disso, teríamos muitos casos de amor entre casais do mesmo sexo mesmo sem “O Beijo no Asfalto”.

“Se esse teatro do mundo cão combina com uma doutrina conservadora, esse é um conservadorismo que não me interessa.” O que eu acho certo. Não é porque uma doutrina é conservadora que ela está correta. Dois exemplos: o inglês que acha que a Inglaterra deve conservar Gibraltar e o argentino que defende que seu país continue reivindicando as ilhas Falkland. As duas posições são conservadoras, do ponto de vista inglês e argentino, e as duas estão erradas. As “tendências conservadoras” nas peças de Nelson Rodrigues (não acho muito certo chamar de “doutrina” por que o Nelson não tinha pretensões intelectuais e nunca pretendeu criar um sistema ideológico) tendem a um conservadorismo, mas dependem de duas coisas, primeiro de certa leitura crítica de suas peças (como a leitura que eu faço), e segundo do cansaço moral leitor ou do espectador de Nelson. É um conservadorismo de gente conformada, e mais do que conformada, cansada. De pessoas que viveram intensas, desgastantes e infelizes paixões na juventude, e na idade madura renunciaram a elas. Pessoas que entendem que as paixões são fontes de remorsos, decepções, nojo e amargura, e entendem isso porque viveram paixões. E não querem vivê-las de novo. Em Nelson Rodrigues, como na vida real, as paixões quase nunca deixam algo útil e bom, que possamos relembrar com serenidade e orgulho na velhice. E o leitor ou o espectador que entender isso, e agir de acordo, esse tende ao conservadorismo. É um conservadorismo de velhos cínicos e cansados de viver, mais ainda assim é um conservadorismo. Eu não gosto desse conservadorismo, mas não vou deixar de reconhecer que é conservadorismo porque eu não gosto dele.

Posted at 12:34 pm by Flamarion Daia Júnior
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Wednesday, April 01, 2015
O que entendo de economia

Bom este artigo do Mises Brasil: “Você provavelmente entende tanto de economia quanto de astrofísica”.

Entendo mais de economia do que de Astrofísica. Bem, entendo algumas poucas coisas.

Por exemplo, entendo que impostos muito altos são ruins para todos. Realmente, todos. Alguém pode dizer que impostos muito altos ajudam algumas classes sociais, como funcionários públicos ou os pobres (e até muita gente de classe média) beneficiados pelos serviços estatais. Não, é ruim para todos. Imposto é tomar dinheiro arrecadado pela produção de bens e serviços. Se os produtores tivessem mais dinheiro para investir, toda a sociedade, e não apenas os produtores, teriam mais bem e serviços para consumir. Inclusive funcionários públicos e os beneficiados pelos serviços estatais. Dinheiro de imposto é dinheiro tirado de quem produz e dado a quem não produz, ou pode até produzir, mas não é por isso que recebe o dinheiro, e sim por ter poder político.

A Petrobrás, por exemplo, não recebe dinheiro com a ajuda do governo (quando não diretamente do próprio governo) porque é boa em produzir petróleo. Ela recebe esse dinheiro porque tem força política, força essa que deriva da ideologia dos brasileiros. (A Petrobrás é um dos muitos exemplos que desmentem as teorias de Marx, ela existe e é poderosa não por causa dos interesses econômicos de uma classe social, e sim por causa da ideologia da maioria dos brasileiros de todas as classes sociais – isso quando os brasileiros prejudicados financeiramente pela Petrobrás são maioria em todas as classe sociais, exceto, talvez, os funcionários da própria empresa estatal, e mesmo eles são uma minoria dentro do universo dos empregados públicos).

Então, eu sei que impostos muito altos significam dinheiro que faz falta nos investimentos capitalistas e sei que isso acaba sendo ruim para todas as classes sociais. Sei que, se o governo cobrasse menos impostos, a produção seria maior e isso significaria mais recursos para todos, inclusive para o governo. O que mais?

Ah, eu também sei que todo imposto é sobre a produção, direta ou indiretamente. Imposto sobre o consumo seria imposto pago pelo consumidor quando ele compra um produto. Mas o imposto sobre a produção também é imposto que o consumidor paga, já que quem produz, quando vende seu produto, inclui no preço o imposto que pagou para produzi-lo. É certo que se o imposto sobre a produção fosse menor, o preço do produto também seria menor.

De resto, quando o preço de um produto aumenta, seu consumo diminui e o produtor ganha menos dinheiro. Ganhando menos dinheiro, investe menos dinheiro e produz menos. Seja por causa de imposto sobre a produção, seja pelo chamado imposto sobre o consumo, o resultado final é sempre o mesmo: menos dinheiro para investir em produção. E isso também vale para o imposto de renda. É certo que imposto de renda não aumenta o preço de um produto, pelo menos não diretamente. Mas o pagador de imposto é também um consumidor, pelo menos potencialmente. Com menos dinheiro para gastar, depois de pagar impostos, ele irá comprar menos. Por isso, os produtores também irão vender menos e ganharão menos dinheiro, e terão menos dinheiro para seus investimentos. Então, se o imposto de renda for muito alto, a produção também será menor, no final das contas.

Ou seja, de um jeito ou de outro, todos os impostos acabam sendo ruins para a produção.

E eu não entendo como alguém pode achar que impostos altos são bons para a produção, como muita gente acha. Podemos defender os impostos dizendo que há coisas mais necessárias que produzir e vender mais bem e serviços, como uma polícia e uma justiça para perseguir e prender criminosos, ou um exercito para defender nosso país de possíveis agressores, ou uma obra que pode melhorar a vida de muitas pessoas, e que nesses casos vale a pena sacrificar os investimentos em produção para pagar impostos, e essa argumentação eu entendo e posso respeitar (mesmo que discorde em alguns casos), mas eu não entendo e não posso respeitar que alguém diga que impostos muito altos acabam ajudando na produção e melhorando a economia. Isso, de jeito nenhum.

Eu sei disso com certeza absoluta não por ler um livro ou ser da ideologia liberal, mas porque trabalhei muitos anos no comércio varejista e tenho um irmão que trabalha no comercio atacadista, e eu acompanho os negócios dele, às vezes até faço alguma tarefa para ele. Eu sei que impostos altos prejudicam os negócios dele e dos produtores que vendem para ele, como antes me prejudicavam e prejudicavam os que vendiam bem e serviços para mim.

Poderia falar mais sobre economia, pois tenho noções de mais algumas coisas, mas não. Prefiro falar do que sei com certeza absoluta.

Eu também sei com certeza absoluta que se nossos políticos, os esquerdistas principalmente, é verdade, mas também quase todos os políticos não esquerdistas soubessem disso, então o Brasil hoje estaria em situação muito melhor. Se soubessem disso e agissem de acordo. Mas aí já não é mais questão de economia, e sim de ideologia, para não dizer mau-caratismo mesmo.

Posted at 02:29 pm by Flamarion Daia Júnior
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Monday, February 23, 2015
O mérito é deles

O mal momento pelo qual o governo passa nada tem a ver com a mídia e muito menos com a oposição. O que acontece é que cada vez mais pessoas estão começando a sentir na pele (e no bolso) as consequências da idiotice petralha.

Posted at 03:42 am by Flamarion Daia Júnior
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Thursday, February 19, 2015
Mulher alta de tamancos

Ela é arrogante e gosta de me humilhar? Ou eu é que sou narcisista e acho que ela (e o resto do mundo) faz tudo pensando em mim?

Bom, quem pensa o pior da raça humana costuma estar certo, então provavelmente a reposta para as duas perguntas é "sim".

Posted at 05:07 pm by Flamarion Daia Júnior
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