Tuesday, December 15, 2015
Não mirem-se no exemplo, pensem sobre isso

Hoje eu resolvi ouvir "Mulheres de Atenas", do Chico Buarque, na voz de Ney Matogrosso. Belíssima música, linda interpretação, a do Ney. E tanta gente dizendo que o Chico Buarque devia só se dedicar à música, que ele não tem nada que se meter com política… e essa gente está errada, essa gente não entende nada. Explico: a militância esquerdista do Chico Buarque o salvou de muita coisa ruim. "Mulheres de Atenas" é um exemplo: se ele não fosse um comunista, ele teria sido linchado pelos politicamente corretos.

Então, como ele não tem que se meter em política? Não teria, se ele vivesse num país onde um artista pudesse ser só um artista. Mas no Brasil, o artista tem que ser esperto, além de artista, e o Chico Buarque ficou esperto, e muito. Se ele fosse apolítico, nem precisaria ser de direita, "Mulheres de Atenas" teria sido o fim da carreira dele, ele nunca mais seria elogiado em lugar nenhum. Mas como ele é esperto (ser comunista é consequência dessa esperteza, estou com o Millôr Fernandes, desconfio de todo idealista que lucra com seu ideal, aliás, foi para o Chico Buarque que o Millôr inventou essa frase), "Mulheres de Atenas" foi tocada, festejada, e depois esquecida, exceto pelos que gostam de boa música popular, "Mulheres de Atenas" é uma das mais belas letras que já fizeram na MPB. É, com certeza, contra os direitos das mulheres. Cadê que as feministas criticam?

E é isso o que mais detesto no politicamente correto. É uma lei que só vale para os inimigos da esquerda. Borges de Medeiros disse: "Aos amigos, tudo! Aos inimigos, a lei!". Os esquerdistas, do mundo inteiro, podem bem dizer: "Aos amigos, tudo! Aos inimigos, o politicamente correto!" Ou nem precisam falar nada, basta agir como se assim fosse – porque assim é. Chico Buarque compôs "Mulheres de Atenas" e é um ídolo intocável dos intelectuais brasileiros, a ponto de nem mesmo admitirem crítica a seus romances. Lula da Silva contou alguns anos atrás como arrancava dinheiro de gente pobre em São Paulo, inclusive um "Crioulo", essa a palavra que o Lula usou, debochando do termo afrodescendente. Se fosse um político de direita ou mesmo da esquerda civilizada do PSDB, enfrentaria mil processos e dez mil campanhas nas redes sociais. Fidel Castro colocava os gays de Cuba em campos de concentração para recuperá-los pelo trabalho, mas teve que acabar com isso porque Cuba precisou de dinheiro e assim os gays foram liberados para servirem de prostitutos, um modo de ganhar dinheiro para a revolução – só idiotas acham que se faz revolução apenas com idealismo, todos os revolucionários sempre tiveram muito dinheiro para seus crimes. Mas Fidel Castro nunca foi criticado por isso, nunca. O movimento gay e seus simpatizantes não ligam para gays perseguidos se o perseguidor for alguém como Fidel. Sem contar o racismo e o machismo do comunismo cubano, um regime contra negros e contra mulheres, como também os regimes árabes, inimigos dos Estados Unidos – ser antiamericano, pelo jeito, perdoa qualquer crime não só contra a humanidade, mas também contra qualquer classe que os politicamente corretos querem proteger. Gays, negros e mulheres não são protegidos quando o agressor ou o ofensor é de esquerda. Ou aliado da esquerda contra os americanos, como é o caso dos árabes.

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Mas o que me deu vontade de escrever sobre "Mulheres de Atenas" nem mesmo foi isso. É que a letra da música descreve muito bem como era a condição feminina sobre o paganismo grego. A moda hoje é criticar o cristianismo como sendo uma religião do patriarcado, que nega os direitos das mulheres. Idiotas, o cristianismo foi a religião que começou a reconhecer alguns direitos das mulheres. Leiam a letra com atenção, e saibam: essa era a condição das mulheres nas sociedades pagãs. O cristianismo foi um alívio enorme para as mulheres. Por isso as mulheres pagãs aderiram em massa ao cristianismo. As pagãs do mundo grego e romano ririam muito dessas wickas mimadinhas do moderno paganismo, que acham que se não fosse o cristianismo as mulheres seriam sacerdotisas ou guerreiras respeitadas. Prestem atenção na letra de "Mulheres de Atenas", queridas. Paganismo, para as mulheres, era isso:


Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas; cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas, serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Posted at 06:52 pm by Flamarion Daia Júnior

 

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