Friday, June 26, 2015
A elite como superioridade natural...

"A elite como superioridade natural, assumindo em consequência o dever de servir, esclarecer e amparar os menos dotados e mais necessitados, essa seria a consciência ideológica de uma direita respeitável. Mas, cedo ou tarde – em geral muito cedo – essa superioridade é usada não mais como munus – o serviço prestado ao público –, mas como gazua para privilégios. E atrás vem logo o esquecimento de nobrezas humanísticas e dignidades éticas, pois os privilégios simples já não bastam, não satisfazem. O apetite aumenta e as elites apodrecem, cevadas no gozo de vantagens estúpidas e na satisfação de vaidades ridículas, mantidas por meio de prepotências mais cruéis. Não é dando mais dois anos a Sir Ney que vamos ultrapassar esse estágio", disse o saudoso Millôr Fernandes no também saudoso Jornal do Brasil, em primeiro de abril (mas ele não estava mentido) de 1987. Há 28 anos. Sou velho mesmo. E cada vez menos reconheço o país de minha adolescência e juventude, o que por sinal acho mais bom do que ruim. Tenho fé que minha maturidade e minha velhice serão muito melhores que minha juventude.

 

O "Sir Ney" no texto era o então presidente José Sarney, e foi o ainda mais saudoso Paulo Francis que inventou esse apelido, embora o Millôr tenha sido o maior divulgador (rimou).

 

Mas o que me ocorre nesse pequeno parágrafo do Millôr, além de algumas lembranças do passado, é que esse é o destino de toda corrente política, não só das de direita, respeitável ou não. Foi assim com o patriciado romano, a nobreza feudal, os "coronéis" da república velha do Brasil, a nomenclatura soviética. Todas eram elites naturalmente superiores ao povão, e essas elites usaram, em seus melhores momentos, sua superioridade natural a serviço da comunidade, para acabar, já em sua decadência, a usar sua superioridade a serviço das ditas vantagens estúpidas e vaidades ridículas por meio das prepotências mais cruéis. A exceção é a nomenclatura soviética, que mesmo quando era abnegada e desapegada, não colocava seus talentos e sua capacidade a serviço do povo soviético mas sim a serviço de uma utopia irrealizável, e justamente por isso foi o pior tipo de elite que pode existir, uma maldição para seu próprio povo.

 

Tal seria (e não o progresso econômico através do capitalismo) o programa de uma direita respeitável: criar e conservar uma elite consciente de sua superioridade e que por isso assume "o dever de servir, esclarecer e amparar os menos dotados e mais necessitados", ou seja, criar e conservar uma boa elite. E isso é possível, há exemplos de boas elites na história.

 

Comparem isso com os dois pressupostos implícitos (ou explícitos, no caso dos anarquistas: "Hay gobierno? Soy contra!") em qualquer ideologia esquerdista, ou seja, que toda elite é má e que o povo não precisa de nenhuma elite, boa ou má. O primeiro pressuposto é uma mentira, como qualquer estudante sério de história sabe muito bem, o segundo é um absurdo total – e nem é preciso estudar história ou qualquer tipo de ciência, basta observar o comportamento das pessoas comuns por algum tempo (rimou de novo...).

Posted at 12:24 pm by Flamarion Daia Júnior

 

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