Monday, December 29, 2014
Acaba 2014, e daí?

É simples, o ano que está acabando se resumiu, de importante, à eleição e à copa do mundo. Para mim, a saída do Dennis do Twitter foi mais importante do que as duas coisas, mas quem ler esse blog não precisa concordar com isso.

A copa do mundo me deprimiu menos do que parece. Eu acho que a derrota serviu para duas coisas boas: fazer justiça à seleção excelente de Flávio Costa (tão boa que todos imaginaram que ganharia sem grande esforço e por isso mesmo perdeu) e para desmentir, ao menos em parte, uma das mentiras mais danosas do Brasil, a que diz "nossa elite não presta, mas o povão é maravilhoso", e por termos um povo maravilhoso na hora da adversidade tiramos forças mágicas que no final garantirão o nosso merecido sucesso, apesar da nossa elite egoísta e esnobe. Nunca vi alguém explicar como isso funciona, mas pelo menos no caso do futebol deve ser algo assim: a torcida, com a força do pensamento positivo, aumentará a categoria dos nossos atletas, desde que estes assumam a condição de representantes do povo e se abram para essa estranha energia mística, e assim nossa seleção ganhará todas contra os times dos países mais desenvolvidos, poderosos mas profissionais demais, sem a ligação mística entre atletas e torcida. Afinal, a torcida é o povo...

Analisem muito do que foi dito por milhares, talvez milhões de pessoas, colunistas de sites e blogs, da grande mídia e de redes sociais, o que eles disseram sobre a seleção, suas esperanças de vitória sobre a Alemanha, talvez também da Argentina ou da Holanda, quem quer que chegasse às finais, em maior ou menor grau todos acreditavam nessa relação mística entre seleção e torcida, que por sua vez se baseia na mentira que nosso povo é excelente e seu único problema é a elite esnobe e egoísta. Mas apesar dessa elite o povo às vezes consegue vitórias, por no fundo e é bom e tem uma grande força desconhecida e não aproveitada! As pessoas que acreditam nisso podem não saber definir direito esta estranha fé ou como ela funciona, mas quando foi que isso impediu alguém de acreditar em algo? Na copa do mundo, os jogadores acreditavam nisso (se incentivados por Parreira e Scolari eu não sei, mas imagino que sim) e acreditavam que poderiam ganhar da Alemanha, misticamente. Que muitos torcedores e jornalistas também acreditaram nisso, não tenho dúvida. Foi bom perder, talvez não para iniciar a recuperação do nosso futebol, que já foi muito bom um dia, mas para deixarmos de acreditar nas energias místicas do povo supostamente maravilhoso que seriamos, sim, para isso a humilhante derrota do Brasil foi ótima.

E quanto às eleições... os tucanos quase ganham. Sem que eu tenha notado nenhuma mudança especial em relação às outras campanhas. Como foi, podemos dizer com certeza que não seria necessário nenhuma mudança especial no comportamento tucano para ganhar as próximas eleições, se as instituições brasileiras continuarem como estão. Porque eu acho que as instituições brasileiras irão piorar, no sentido de serem mais parciais a favor dos petralhas. Mais e mais funcionários públicos irão usar seus cargos e suas posições para influenciar o resultado das eleições à favor do PT. E o que é uma instituição pública senão os homens que trabalham nela? Isso que já aconteceu em 2014 acontecerá com muito mais intensidade em 2018.

Falam em reformas políticas, em melhorar o sistema de representação e tudo o mais, mas confesso que isso é o que menos me interessa na política brasileira, que de resto eu acho cada vez menos interessante. Isso de "sistema de freios e contrapesos, e separação de poderes e etc.", isso funciona numa sociedade tem gente madura e responsável em número grande o bastante para ocupar os cargos mais importantes nas instituições que supostamente limitariam o poder dos chefes do executivo. De que adianta voto distrital se não haveria eleitores conscientes majoritários em nenhum dos distritos a serem formados? De que serve um poder judiciário totalmente independente do executivo se cursos jurídicos adotaram em massa o "direito achado na rua"? De que adianta um banco central independente se ele será ocupado por economistas que, no dizer do Alceu Garcia em um artigo infelizmente deletado, têm "Keynes na cabeça e Marx no coração"? De que adianta mais autonomia para os estados se os estados, ao pelo menos a maioria deles, continuariam dominados politicamente por oligarcas demagogos que se vendem aos petralhas na primeira oportunidade? De que adianta reforma política ou administrativa se não podemos mudar de povo?

Então, é simples: os tucanos podem muito bem ganhar em 2018 - quem tem 48,36% numa eleição pode muito facilmente ter maioria absoluta na eleição seguinte, mantendo a mesma estratégia. E com certeza seriam melhores que os petistas, se ganhassem. Mas, com mais certeza ainda, não fariam um bom governo. Digam os petralhas e seus simpatizantes o que quiserem (por demagogia), a verdade é que petralhas e tucanos vieram do mesmo povo. Infelizmente.

Posted at 08:45 pm by Flamarion Daia Júnior

 

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