Monday, April 25, 2016
Notas sobre o fim de Dilma Roussef

Claro que eu gostei do fim da Dilma e do PT (E é claro que ela caiu quando perdeu na câmara, o senado apenas vai confirmar). Mas há uma coisa triste: a Dilma perdeu por ser desastrada demais. Outro petista, menos desastrado mas tão culpado quanto a Dilma, outro petista teria ganhado, sem ser por isso menos ruim. Enfim, que o Brasil aprenda e que a Dilma não culpe nada nem ninguém além de sua própria incompetência e maldade.

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O Michel Temer, que será nosso presidente (ninguém tem certeza por quanto tempo, mas imagino que até a posse do vencedor das eleições de 2018, de acordo com a nossa constituição), ele não privatizará nenhum empresa pública. Com sorte, ele pode extinguir alguns (poucos) ministérios. Ele pode tentar trazer de volta a CPMF, e ele teria, para isso, o que a Dilma não teve, maioria do congresso. E, bem, como uma solução provisória, eu acho que dois ou três anos de CPMF não seria ruim, desde que também houvesse cortes nas despesas públicas. Aí, algum engraçadinho vem me perguntar se eu fui contra a tentativa da Dilma de restaurar a CPMF. É, fui contra. Mas eu não confiava na Dilma para reduzir os gastos públicos, então, com a Dilma, a CPMF se tornaria um imposto permanente. Com o Temer, a CPMF pode ser realmente provisória.

Ele deve diminuir a quantidade de petistas no Estado, mas pelo menos alguns serão substituídos pela gente de Temer. Mesmo assim, uma coisa boa, menos petistas no Estado é sempre bom. E acho que alguns cargos serão extintos, não ocupados pela gente de Temer, duplamente bom, portanto, mesmo que ainda muito longe do ideal. O Michel Temer não fará nenhuma tentativa de censurar a mídia, como os petistas fizeram, sem conseguir, nos últimos 13 anos. O Michel Temer deve ter uma política externa mais discreta, politicamente correta, sim, mas vai tentar conciliar o politicamente correto com os interesses do Brasil. Na educação e na cultura (onde o Estado não deveria se meter e se mete mesmo assim), será a mesma coisa: o Michel Temer tentará conciliar o politicamente correto com os interesses do Brasil (mas o “homeschooling” continuará sendo crime). E espero que o Temer se empenhe menos em desarmar o cidadão honesto, mesmo que nada faça para prender os bandidos (combater o crime é função dos governos estaduais, dizem... O governo federal não pode planejar ações conjuntas com os governos estaduais? O governo federal não pode propor uma nova legislação, para facilitar o trabalho da polícia e da justiça?).

Então, eu espero que o Temer melhore, mas não espero muita coisa.

O Temer nunca dirá que a esquerda não presta e que o que a esquerda propõe, quase sempre, é ruim para todo mundo menos para os esquerdistas (políticos normais propõem o que é bom para eles, sim, mas ao menos eles tentam conciliar isso com o que é bom para a maioria das pessoas). O Temer é político e ele sabe que pode precisar da ajuda dos esquerdistas, que têm grande poder político. Para minar o poder político da esquerda é preciso combater o poder cultural da esquerda, de onde ela tira seu poder político. Isso não é função dos políticos, por melhores que sejam. É função nossa, das pessoas que podem oferecer alternativas ao esquerdismo cultural.

Não é difícil oferecer alternativas ao esquerdismo cultural: trata-se de procurar ler por prazer, no caso da literatura, ou estudar com seriedade, no caso das ciências, e escrever suas conclusões com honestidade. Uma pessoa interessada em artes e ciências, religião, história e economia, ou em cultura em geral, e disposta a escrever publicamente sobre isso, sem viés esquerdista (e sem negar razão a um autor esquerdista, se por acaso ele estiver certo em alguma coisa), uma pessoa só é muito pouco, admito, mas centenas de pessoas assim representam uma boa alternativa ao domínio esquerdista na nossa cultura. Quanto mais pessoas estiverem escrevendo na internet, com seriedade, sobre cultura ou ideologia, mais pessoas se entusiasmarão e também farão isso. É dessa maneira que se destrói a hegemonia cultural da esquerda, base de sua força política. Pode demorar, provavelmente irá demorar, mas com certeza é melhor do que confiar em algum “político iluminado”.

Mesmo porque não teremos um político iluminado nas eleições de 2018. O vencedor será um candidato tucano, ou seja, um esquerdista, ou um dissidente do PT como Marina Silva, ou seja, um esquerdista ainda mais radical. Jair Bolsonaro? Por enquanto, eu voto nele, mas não tenho esperança que ele ganhe.

De qualquer modo, sobrevivemos a cinco anos de Dilma Roussef. Podemos sobreviver a um tucano.

Posted at 11:08 am by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, February 14, 2016
Intervencionistas e golpistas

Você sabe a diferença entre intervencionistas e golpistas?

A diferença é que um dos grupos leu a constituição e descobriu que ela pode ser interpretada de um jeito que autoriza a intervenção militar mesmo contra a vontade do presidente da república (que é o chefe das forças armadas). Já o segundo não leu a constituição, ou leu mas não se importa, e deseja uma intervenção militar sem se preocupar com formalidades legais.

Ou seja, não é uma diferença ideológica, mas psicológica: um grupo se importa com o que as pessoas pensam, o outro não. (Ou talvez seja para evitar processos. Se uma pessoa perde uma intervenção militar de acordo com a constituição, ela pode ser acusada de alguma coisa?)

Tirando essa diferença, os dois grupos são iguais: eles acham que os militares são capazes de consertar os erros dos políticos.

Coisa de que eu duvido muito, considerando o que os militares têm dito por aí, considerando como eles se comportam no nesses tempos de PT, considerando como eles governaram nos últimos 10 anos do regime militar, pelo menos.

E é só porque eu duvido da capacidade dos militares de consertarem os erros dos políticos que eu não sou golpista, nem intervencionista. Se eu não duvidasse, não me importaria nem um pouco rasgar essa constituição horrível que o Mário Covas, o Ulisses Guimarães e o Bernado Cabral impuseram ao Brasil (notem que o PT nem teve muita coisa a ver com isso, é coisa de esquerdista "moderado" e da falsa direita que quer agradar a esquerda). Mas eu duvido, e por isso não apoio o golpe. Nem uma intervenção constitucional.

Agora, não pensem que eu acho esses políticos que vão ficar no poder, de onde não sairão, exceto pela improvável ação dos militares, a melhor alternativa. Não. Não espero mais dos políticos que dos militares.

Então, é isso: Não vale a pena lutar pela volta dos militares, e não vale a pena lutar pela permanência dos políticos. E exigir respeito à constituição é, gostem ou não, exigir que os políticos continuem no poder. Não vejo em que tucanos e petistas sejam melhores que os militares, não vejo em que militares são melhores que tucanos e petistas. Não apoio nem um nem outro e não acredito nessa constituição, como não acredito que resgá-la seja melhor.

Então, não tem solução (além de deixar o Brasil, o que não posso fazer porque estou velho demais e tenho filhos)? Bom, solução tem. A pessoa deve tentar melhorar seu próprio nível cultural para tentar entender melhor a situação do Brasil e convencer outras duas ou três pessoas a fazerem o mesmo. Se tiver sorte, serão quatro pessoas que melhoraram de nível. Se essas quatro pessoas repetirem o processo, então serão quase vinte pessoas que melhoraram de nível. Depois, serão cem, depois quatrocentas, depois umas mil e quinhentas, e um dia veremos que somos maioria no Brasil e que os intelectuais de esquerda, que impuseram a divisão política entre tucanos e petistas, com apenas os militares como uma alternativa muito pouco atraente (não importa se legal ou não), já não convencem ninguém.

É uma solução que exige muita paciência e boa vontade, porque levará muito tempo, e também porque sempre haverá o risco de encontrarmos pessoas malvadas ou simplesmente idiotas que não entenderão ou fingirão nada entender e, se essas pessoas idiotas ou malvadas fizerem alguma coisa, será para atrapalhar. Mas não vejo solução melhor.

Posted at 04:03 pm by Flamarion Daia Júnior
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Thursday, January 28, 2016
Japonesa no Banho, de James Tissot

Mais quadros de James Tissot aqui.

Posted at 08:50 pm by Flamarion Daia Júnior
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Tuesday, December 15, 2015
Não mirem-se no exemplo, pensem sobre isso

Hoje eu resolvi ouvir "Mulheres de Atenas", do Chico Buarque, na voz de Ney Matogrosso. Belíssima música, linda interpretação, a do Ney. E tanta gente dizendo que o Chico Buarque devia só se dedicar à música, que ele não tem nada que se meter com política… e essa gente está errada, essa gente não entende nada. Explico: a militância esquerdista do Chico Buarque o salvou de muita coisa ruim. "Mulheres de Atenas" é um exemplo: se ele não fosse um comunista, ele teria sido linchado pelos politicamente corretos.

Então, como ele não tem que se meter em política? Não teria, se ele vivesse num país onde um artista pudesse ser só um artista. Mas no Brasil, o artista tem que ser esperto, além de artista, e o Chico Buarque ficou esperto, e muito. Se ele fosse apolítico, nem precisaria ser de direita, "Mulheres de Atenas" teria sido o fim da carreira dele, ele nunca mais seria elogiado em lugar nenhum. Mas como ele é esperto (ser comunista é consequência dessa esperteza, estou com o Millôr Fernandes, desconfio de todo idealista que lucra com seu ideal, aliás, foi para o Chico Buarque que o Millôr inventou essa frase), "Mulheres de Atenas" foi tocada, festejada, e depois esquecida, exceto pelos que gostam de boa música popular, "Mulheres de Atenas" é uma das mais belas letras que já fizeram na MPB. É, com certeza, contra os direitos das mulheres. Cadê que as feministas criticam?

E é isso o que mais detesto no politicamente correto. É uma lei que só vale para os inimigos da esquerda. Borges de Medeiros disse: "Aos amigos, tudo! Aos inimigos, a lei!". Os esquerdistas, do mundo inteiro, podem bem dizer: "Aos amigos, tudo! Aos inimigos, o politicamente correto!" Ou nem precisam falar nada, basta agir como se assim fosse – porque assim é. Chico Buarque compôs "Mulheres de Atenas" e é um ídolo intocável dos intelectuais brasileiros, a ponto de nem mesmo admitirem crítica a seus romances. Lula da Silva contou alguns anos atrás como arrancava dinheiro de gente pobre em São Paulo, inclusive um "Crioulo", essa a palavra que o Lula usou, debochando do termo afrodescendente. Se fosse um político de direita ou mesmo da esquerda civilizada do PSDB, enfrentaria mil processos e dez mil campanhas nas redes sociais. Fidel Castro colocava os gays de Cuba em campos de concentração para recuperá-los pelo trabalho, mas teve que acabar com isso porque Cuba precisou de dinheiro e assim os gays foram liberados para servirem de prostitutos, um modo de ganhar dinheiro para a revolução – só idiotas acham que se faz revolução apenas com idealismo, todos os revolucionários sempre tiveram muito dinheiro para seus crimes. Mas Fidel Castro nunca foi criticado por isso, nunca. O movimento gay e seus simpatizantes não ligam para gays perseguidos se o perseguidor for alguém como Fidel. Sem contar o racismo e o machismo do comunismo cubano, um regime contra negros e contra mulheres, como também os regimes árabes, inimigos dos Estados Unidos – ser antiamericano, pelo jeito, perdoa qualquer crime não só contra a humanidade, mas também contra qualquer classe que os politicamente corretos querem proteger. Gays, negros e mulheres não são protegidos quando o agressor ou o ofensor é de esquerda. Ou aliado da esquerda contra os americanos, como é o caso dos árabes.

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Mas o que me deu vontade de escrever sobre "Mulheres de Atenas" nem mesmo foi isso. É que a letra da música descreve muito bem como era a condição feminina sobre o paganismo grego. A moda hoje é criticar o cristianismo como sendo uma religião do patriarcado, que nega os direitos das mulheres. Idiotas, o cristianismo foi a religião que começou a reconhecer alguns direitos das mulheres. Leiam a letra com atenção, e saibam: essa era a condição das mulheres nas sociedades pagãs. O cristianismo foi um alívio enorme para as mulheres. Por isso as mulheres pagãs aderiram em massa ao cristianismo. As pagãs do mundo grego e romano ririam muito dessas wickas mimadinhas do moderno paganismo, que acham que se não fosse o cristianismo as mulheres seriam sacerdotisas ou guerreiras respeitadas. Prestem atenção na letra de "Mulheres de Atenas", queridas. Paganismo, para as mulheres, era isso:


Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas; cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas, serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Posted at 06:52 pm by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, December 13, 2015
Xudozhnik, de George Kurasov

Mais quadros de George Kurasov aqui.

Posted at 08:05 pm by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, December 06, 2015
O mais razoável

Aí eu estou lendo um desses liberais sem paixão (google it, se você quer saber quem é), debochando do Olavo: "This is man is a genius, with a growing audience in the US"(1)

Isso por causa deste twitter: "Se O Donald Trump for eleito, ele e o Putin têm todas as condições para restaurar a bipolaridade que assegurou a paz desde 1945." (Olavo de Carvalho)

Sinceramente...

Eu acho muito mais razoável acreditar nisso que o Olavo disse (que alias está sendo otimista) do que acreditar no que os liberais sem paixão acreditam, que o capitalismo e a globalização, seguindo seu ritmo natural, aumentarão a paz, a liberdade e os direitos dos homens (2). Sorry, liberais sem paixão, eu não sei se o Olavo está certo, mas mais razoável, sem dúvida.

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(1) Se ele quis falar como os americanos, deveria ter dito America (que em inglês não tem acento no "e") e não US.

(2) Já que estamos falando da América, direito à liberdade de expressão, à liberdade de religião, o direito de guardar e usar armas, à liberdade de assembleia e à liberdade de petição, etc.

Posted at 10:11 pm by Flamarion Daia Júnior
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Thursday, November 19, 2015
O Massacre dos Inocentes na França

Thomas Sowell: "There was a painful irony when France's immediate response to the terrorist attacks in Paris was to close the borders. If they had closed the borders decades ago, they might have avoided this attack."

Pois é...

Coisa abundante aqui no Brasil é gente achando que um país controlar suas fronteiras e selecionar quais imigrantes podem entrar ou não, descartando tipos suspeitos, é puro racismo irracional. O massacre de inocentes na França mostrou que não. Ou por outra: pode até ser racismo, mas com certeza não é irracional.

O massacre de inocentes na França mostrou isso e deve ficar na memória por talvez três ou quatro meses – e olha que estou sendo otimista. Aí, voltará o febeapá habitual, chamando de racista quem exige de seu país que controle suas fronteiras e seja cuidadoso ao escolher quais imigrantes podem entrar e quais não podem. Como se não fosse uma questão de vida ou morte, como se fosse só birra de caipiras reacionários. Os brasileiros, principalmente os que trabalham na mídia, não levam seu próprio país a sério e erram achando que outros povos também não levam, daí os brasileiros acham que tomar precauções quando escolhemos que imigrantes podem ou não entrar num país deve ser um bobo preconceito racista.

Quem leva a sério o país onde nasceu e cresceu (o que, repito, não é o caso dos jornalistas brasileiros) tende a ter outra opinião.

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Outra coisa que eu acho fantástico é a miopia ideológica de muitos comentaristas. Comentando o massacre, eles dizem: "Agora, a extrema direita vai tirar proveito disso".

Sim, vai. É claro que vai. Quando um partido comete erros, e os partidos que há muito tempo tem governado a França (não só o socialista) cometeram vários erros na questão da imigração, os partidos adversários tiram proveito disso. Todos os partidos fazem isso. Os socialistas franceses tiraram proveito dos erros de Sarkozy, os democratas americanos tiraram proveito dos erros de Bush, o PT tirou proveito dos erros do PSDB, em todo mundo é assim e assim será por muito tempo, e eu acho ótimo, porque isso é sinal que o país é uma democracia normal e seus partidos fazem o que um partido deve fazer numa democracia normal, ou seja, tiram proveito dos erros de seus adversários.

O que os comentarias lamentam, uma pessoa normal acha normal.

Na verdade, isso nem mereceria um comentário, dizer que um partido se aproveita do erro de um adversário é como uma manchete dizendo que astrônomos tiram fotos de estrelas ou os evangelhos são quatro, ou algo assim. Esses comentaristas não se lembram de mencionar quando é um partido de esquerda tirando proveito dos erros de um partido de direita (ou tido como de direita), quando este está no poder. Eles só se lembram de mencionar isso, em tom de lamento, quando é um partido de direita tirando proveito dos erros de um partido de esquerda.

Isso pouco diz sobre a situação política da França, mas diz muito sobre o estado psicológico desses comentaristas: Para eles, a existência de partidos de direita, em si, é um problema que precisa ser eliminado. Como os nazistas achavam que era preciso eliminar os judeus, como os comunistas acham que é preciso eliminar a burguesia. Não é que esses comentaristas sejam cruéis. O que eles são é idiotas que falam sem pensar. Eles não sabem que gostariam que não houvesse partidos de direita disputando o poder e vigiando os partidos de esquerda, para tirar proveitos dos erros dos partidos de esquerda. Eles não sabem que lá no fundo o que desejam é uma ditadura. Porque democracia onde só existem partidos de uma mesma ideologia é ditadura.

Posted at 10:26 am by Flamarion Daia Júnior
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Wednesday, October 28, 2015
A diferença entre Petralhas e Tucanos

Eu escrevi, há um ano:Os petistas querem tirar do cidadão honesto o direito de ter uma arma de fogo para se defender, mas não têm apoio popular para isso, aí eles tentam criar vários obstáculos burocráticos e legais para impedir que o cidadão honesto tenha acesso às armas. E os tucanos? Mesma coisa.

Agora, leio isso:

Revogar o estatuto do desarmamento é um escândalo, diz FHC em vídeo.

Sabem qual é a diferença entre Petralhas e Tucanos? Os tucanos usam camisinha e vaselina para te estuprar, os petistas não.

Posted at 11:17 pm by Flamarion Daia Júnior
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Saturday, August 29, 2015
Ponto por Ponto 23

É com grande prazer que anuncio a volta do Dennis ao Twitter":

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Saudades dos blogs de Portugal, caro leitor? Não se preocupe, o Super Flumina ainda está ativo

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Enquanto escrevo, eu vejo "O Lobo de Wall Street". Como alguém tem coragem de dizer que essa porcaria não é um bom filme eu não consigo entender. Só pode ser raiva de gente rica, o filme é ótimo.

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É, vejo enquanto escrevo. Filmes raramente valem que eu pare de escreve enquanto eu os vejo. Posso até fazer as duas coisas juntas. Dá prioridade a um filme, raramente.

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Antes, eu achava ridícula essa mania dos tradutores de legendas de cortarem os palavrões que os americanos falam. Agora, eu me pergunto: será que não é melhor assim? Brasileiro já é boca suja demais para o meu gosto, não quero que copiem mais essa mania dos filmes americanos. Que copiamos tudo, qualquer um pode ver.

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E tanta gente atribuindo as baixarias e as imoralidades da teledramaturgia (palavra que me faz rir de mim mesmo por usá-la) ao saudoso Nélson Rodrigues… Balela, isso é coisa de Hollywood. "Roliú", dizia o igualmente saudoso Rubem Braga.

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E é bom, como é bom, ter mais uma desculpa para citar o eterno Paulo Francis! Ele dizia (e com certa frequência) que uma vez alguém que tinha estado anos fora do Brasil uma vez perguntou ao Rubem Braga: "O que há de novo?" Rubem Braga pensou, pensou e afinal disse: "Roliú com filtro". Antes o cigarro era sem filtro. E foi essa a única novidade importante que Rubem Braga foi capaz de citar.

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Continuo vendo o filme, ele começa a ficar chatinho a partir da segunda metade. Ainda é melhor que a média. Não, não vou contar o final dele.

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Até parece que não escrevo por falta de tempo. Waal, isso foi verdade alguns anos atrás. Eu não escrevo hoje porque tenho preguiça mesmo. Tenho tempo de sobra, mas prefiro baixar pornografia e jogar no facebook. Minha filha joga muito comigo, sabem? Ele vive com o noivo dela (ainda não casaram), e mal nos encontramos ao vivo, mas conversamos muito on-line.

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Eu queria casar com a mulher que eu amo, e não deu certo. Hoje, eu quero namorar a mulher que eu amo (continua a mesma), mas casar de jeito nenhum. Ela não serve para ser esposa de ninguém. Mas pode ser uma ótima namorada.

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Será que pensar isso é pecado? Waal, eu sei duas coisas: é uma merda, e é verdade.

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2015 será igual a 1992? Waal, vejamos: Dilma, muito parecida com Collor, só que mais burra. A coligação da Dilma é maioria no congresso, mas não se Eduardo Cunha ficar contra ela. Eduardo Cunha, muito parecido com Ibsen Pinheiro. Tucanos em cima do muro, em 2015 como em 1992. Crise econômica sem perspectiva de melhora a curto prazo, em 1992 como em 2015. Mas esse Rodrigo Janot não é um Aristides Junqueira. Isso provavelmente salvará a Dilma.

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Mas nada salvará a vida dos brasileiros de merda e mais merda nos próximos anos. Eu sou o único com emprego na minha família. Minha mãe tem sua renda de imóveis a aposentadoria, minhas irmãs e meus cunhados estão desempregados, assim como minha filha. Tenho mais dois filhos, um está no exército e o outro faz estágio. Acho muito improvável que os desempregados da família arrumem emprego nos próximos anos. Acho muito pouco improvável que o povo passe a gostar mais de Dilma nos próximos anos. Acho até boa essas tentativas idiotas dos cada vez mais raros simpatizantes do governo de mostrar que a oposição é igual ao PT, primeiro porque é claro que não é, o PT é pior, segundo porque assim as pessoas não esperarão nada de muito bom do próximo governo. Só que não seja igual ou pior que os petistas, o que, convenhamos, é uma esperança mais que razoável.

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A noite está sendo quente, sinal de chuva em Brasília nos próximos dias, é assim nesta época do ano, mas até chover o calor desse final de inverno (oficialmente…) é horrível. Graças a Deus tenho ventilador. Pensar que por culpa da Dilma a conta da luz virá altíssima… Você, defensor dos pobres que me lê, saiba que a maioria deles também tem ventilador nesse calor e gosta. Mas quantos poderão ligar? Acho que saberem que a classe média pagará muito caro pelos nossos ventiladores não é consolo para eles. Pode ser consolo para algum esquerdista idiota.

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O que ando lendo? No momento, "Guillaume le Conquérant", de Yann Coz. A Idade Média me deixa pasmo, sempre. Como aquele povo (todos os países) gostavam de uma briguinha. Porque eram isso, briguinhas. O povão entrava de gaiato e muito de vez em quando nas briguinhas dos poderosos. As brigas de hoje são horríveis, é povão contra povão, e o povão precisa acreditar que seu inimigo é pior do que ele. As elites de hoje ficam em seus gabinetes enquanto o povão pega o povão de outro país. As elites medievais eram muito, muito melhores do que as elites de hoje com o povão. E eu falo de todas as elites que temos hoje: a política, a cultural, a econômica, a esquerdista, a conservadora… Waal, talvez as elites religiosas sejam melhores hoje do que eram na Idade Média. Mas não ouso dizer com certeza absoluta. (O corretor do texto diz que "certeza absoluta" é pleonasmo, que eu deveria dizer só "certeza". Waal, como diria o lobo de Wall Street, fuck you, corretor. O que sabem estes corretores? Eu quase chamo o Rubem Braga de Rubens Braga por culpa desse corretor).

Posted at 10:41 pm by Flamarion Daia Júnior
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Friday, June 26, 2015
A elite como superioridade natural...

"A elite como superioridade natural, assumindo em consequência o dever de servir, esclarecer e amparar os menos dotados e mais necessitados, essa seria a consciência ideológica de uma direita respeitável. Mas, cedo ou tarde – em geral muito cedo – essa superioridade é usada não mais como munus – o serviço prestado ao público –, mas como gazua para privilégios. E atrás vem logo o esquecimento de nobrezas humanísticas e dignidades éticas, pois os privilégios simples já não bastam, não satisfazem. O apetite aumenta e as elites apodrecem, cevadas no gozo de vantagens estúpidas e na satisfação de vaidades ridículas, mantidas por meio de prepotências mais cruéis. Não é dando mais dois anos a Sir Ney que vamos ultrapassar esse estágio", disse o saudoso Millôr Fernandes no também saudoso Jornal do Brasil, em primeiro de abril (mas ele não estava mentido) de 1987. Há 28 anos. Sou velho mesmo. E cada vez menos reconheço o país de minha adolescência e juventude, o que por sinal acho mais bom do que ruim. Tenho fé que minha maturidade e minha velhice serão muito melhores que minha juventude.

 

O "Sir Ney" no texto era o então presidente José Sarney, e foi o ainda mais saudoso Paulo Francis que inventou esse apelido, embora o Millôr tenha sido o maior divulgador (rimou).

 

Mas o que me ocorre nesse pequeno parágrafo do Millôr, além de algumas lembranças do passado, é que esse é o destino de toda corrente política, não só das de direita, respeitável ou não. Foi assim com o patriciado romano, a nobreza feudal, os "coronéis" da república velha do Brasil, a nomenclatura soviética. Todas eram elites naturalmente superiores ao povão, e essas elites usaram, em seus melhores momentos, sua superioridade natural a serviço da comunidade, para acabar, já em sua decadência, a usar sua superioridade a serviço das ditas vantagens estúpidas e vaidades ridículas por meio das prepotências mais cruéis. A exceção é a nomenclatura soviética, que mesmo quando era abnegada e desapegada, não colocava seus talentos e sua capacidade a serviço do povo soviético mas sim a serviço de uma utopia irrealizável, e justamente por isso foi o pior tipo de elite que pode existir, uma maldição para seu próprio povo.

 

Tal seria (e não o progresso econômico através do capitalismo) o programa de uma direita respeitável: criar e conservar uma elite consciente de sua superioridade e que por isso assume "o dever de servir, esclarecer e amparar os menos dotados e mais necessitados", ou seja, criar e conservar uma boa elite. E isso é possível, há exemplos de boas elites na história.

 

Comparem isso com os dois pressupostos implícitos (ou explícitos, no caso dos anarquistas: "Hay gobierno? Soy contra!") em qualquer ideologia esquerdista, ou seja, que toda elite é má e que o povo não precisa de nenhuma elite, boa ou má. O primeiro pressuposto é uma mentira, como qualquer estudante sério de história sabe muito bem, o segundo é um absurdo total – e nem é preciso estudar história ou qualquer tipo de ciência, basta observar o comportamento das pessoas comuns por algum tempo (rimou de novo...).

Posted at 12:24 pm by Flamarion Daia Júnior
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