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Sunday, January 22, 2012
Não
gosto do número que vem entre o 12 e o 14, dá azar. Por isso, eu
faço assim: ponto por ponto 10, 11, 12, 12b, 14, 15...
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Diz Percival Puggina: Sete vezes, na entrevista, o governador [Tarso
Genro] usou o anti-americanismo como forma de tergiversar sobre os
males que o regime impõe ao país onde passou as férias. Tarso, na
entrevista, estava sendo interrogado sobre Cuba por um jornalista
companheiro. E batia nos Estados Unidos, enquanto surfava sobre o
fato de que se há um bloqueio em Cuba, ele é o bloqueio imposto
pelo governo à população, esta sim, impedida, sob força policial
e militar, do fundamental direito de ir e vir.
Tarso
Genro pode até tentar usar o antiamericanismo para justificar o
comunismo, mas em geral é o contrário: os antiamericanos
brasileiros é que querem usar o comunismo contra a América. Todo
amor por Cuba, e mesmo a compreensão, é porque os antiamericanos
acham que apoiando Cuba atingem de alguma forma os americanos. Bem,
de certa forma prejudica um pouco: quando eu conto para um americano
que há brasileiros que acham a oposição de Cuba um problema para a
América, o americano rir durante meia hora. E, por mais agradável
que seja uma boa risada, ainda é uma perda de tempo. Como tempo é
dinheiro, então, sim, o apoio brasileiro a Cuba prejudica um pouco
os americanos.
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Dissidente cubano preso morre durante greve de fome
Na
nossa ditadura tão feroz - alguém sabe de alguém que morreu
durante uma greve de fome?
Eis
aí uma boa medida da “qualidade” (claro, são sempre ruins, mas nunca
igualmente ruins) de uma ditadura. Quantas são, quanto duram e
quantos morrem durante greves de fome.
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Não
sei se foi nesta semana ou na semana passada que assisti a um
episódio da extinta série Law & Order, no 43 da net. Parece que
um bandido meio retardado matou uma mulher por causa das gozações
dos amigos em uma festa para latinos no central park, em Nova Iorque.
Era um bandido brasileiro, o assassino retardado. Será que esse
personagem é o bandido mais burro da série?
Comentei
isso com um amigo que sabe mais dessas séries do que eu. E esse meu
amigo me contou que o episódio mais bobo da extinta “Law &
Order” foi na última temporada, e se chamava “Brazil”.
Os
esquerdinhas de Hollywood parecem saber mais sobre nós do que
pensamos...
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Estreia do Vasco da Gama em 201 em jogos oficiais Vitória sobre o fraco time do Americano
(mesmo para os padrões do campeonato carioca) por 2 a 0. Tudo bem,
no ano passado o começo foi horrível com 5 derrotas para times
pequenos seguidas, e o Vasco acabou sendo o melhor time do ano.
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Gingrich vence a prévia do Partido Republicano da Carolina do Sul
Tem
gente que aposta em um racha entre os republicanos. Não haverá. Eu
acho que Romney ainda ganha a nomeação, e dizem os esquerdistas
brasileiros que a direita republicana não aceita Romney. Já os
libertários brasileiros acham (e torcem) para que Ron Paul (que eu
acho o melhor candidato, mas sei que nesta geração um Ron Paul não
tem chances, parece que ele está trabalhando para um candidato como
ele possa ganhar na próxima) saia como candidato independente depois
das primárias. Os dois grupos, libertários e esquerdistas, se
decepcionarão. Por mais que Gingrich deteste Romney, é claro que
ele sabe que Romney ainda é melhor que Obama. Quanto a Ron Paul, o
filho dele, Rand Paul, é senador republicano, de destaque, tem
posições menos extremistas e pode ser candidato nas próximas
eleições com mais chances. Se Ron Paul sabotar os republicanos
agora, ele prejudicará o filho nas próximas eleições.
Se
eu tivesse que apostar, apostaria na vitória de Romney, tanto nas
primárias quanto nas eleições. Duas vitórias apertadas. Mas eu
não tenho que apostar, então não aposto. A única certeza que
tenho é que será uma eleição apertada.
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Paulo Francis dizia que havia três grandes polemistas no Brasil: Carlos Lacerda, Hélio Fernandes e
ele mesmo. Soube que o Hélio Fernandes se aposentou de vez,
recentemente. Eu discordava de quase tudo o que ele dizia, mas sempre
achei que valia a pena lê-lo. Se mais não fosse, para poder
novamente citar o Paulo Francis.
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Há
três ótimos artigos no Mídia sem Máscara dessa
semana:
Michael Oakeshott e a disposição conservadora, de José Carlos Espada,
Constituição de 88: a lei sem nenhum caráter, de José Maria e Silva, e As Benevolentes, de José Nivaldo Cordeiro.
É,
a semana de 15-22/01/2012 foi a semana dos três Josés no Mídia sem
Máscara.
Fora
do Mídia sem Máscara, dois ótimos artigos são A pobreza é fácil de ser explicada, de Walter Williams,
e Esperando o novo acordo ortográfico, de Pedro Sette-Câmara.
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O Dennis, no Twitter:
* Antes
de de definir como será a 'Comissão da Verdade', Dilma quer ouvir
Lula, o maior mentiroso do Brasil.
* Na
tenebrosa pirâmide social brasileira, o ápice é reservado aos
bandidos, uma classe poderosa e acima das Leis!
* Filhos
de infratores terão vaga ASSEGURADA em creches públicas. Ou seja:
neste país, ser infrator é garantir privilégios!
* O
cara que fala mais do que a boca só se cala quando a coisa fede pra
valer. Escrever, ai que preguiça! Ler, ai que azia!
* O
problema desses diretores 'globais' é não ter uma visão global: o
mundo, para eles, começa e termina no Rio de Janeiro.
Só
entro no twitter por causa do Dennis.
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“Elias Gottlob Haussmann (...) é conhecido principalmente por seu retrato de Johann Sebastian Bach, pintado em 1746.”
Ok,
taí o retrato:

Mais
quadros de Haussmann aqui.
Posted at 09:21 pm by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, January 15, 2012
Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, de Albrecht Dürer
Um quadro com o que eu espero que acontecerá neste ano, e nos próximos. Tomara que eu esteja errado. Mais quadros de Dürer aqui. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * O melhor artigo do Mídia sem Máscara na semana de 08-15/01/2012 é China: mudanças que não mudam, de José Carlos Sepúlveda da Fonseca. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Visitem meu album: * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Ah, sim: que saudades do Paulo Francis!
Posted at 07:03 pm by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, January 08, 2012
Governo de Cuba anuncia que libertará quase 3 mil presos Quer dizer que havia, no mínimo, 3 mil presos políticos em Cuba? Mais de 22 anos depois da queda do muro, ainda há milhares de presos políticos em Cuba? Na tão feroz ditadura brasileira, quantos presos políticos chegamos a ter, no máximo? Detalhe: a ditadura brasileira foi durante a Guerra Fria, quando havia razões para temer o comunismo (e os países comunistas tinham razões, ruins mas tinham, para temer os países do Ocidente). Agora, qual a desculpa para manter presos políticos em Cuba? Segundo Castro, o indulto foi concedido a pedido de parentes dos presos, das igrejas Católica e Protestante, e às vésperas da visita do Papa Bento XVI, marcada para março. E ainda tem gente que reclama da influência da religião na política! Pelo jeito, esse pessoal gostaria mesmo é que os governos (eleitos ou não, é outra questão) fizessem suas merdas sem ninguém para contê-los. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Andei lendo sobre Sarkozy. Deve ser o estadista estrangeiro mais parecido com César Maia. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Os anexos, não sei se vocês já repararam, são sempre a parte mais chata de qualquer livro. Outro dia eu estava relendo "Grandeza e decadência de César Birotteau", do Balzac. Os detalhes contábeis da história estão anexados no final do romance, pelo menos na antiga edição organizada por Paulo Ronai. (Nas edições on-line, que eu saiba, não incluem esse anexo) Que chatura! Alguém lê os anexos a um livro? Alguém já viu um anexo que não seja para explicar detalhes chatos? Sim, há os anexos aos livros de Kafka. Mas esses são, provavelmente, uma sátira de Kafka aos anexos dos documentos burocráticos. Será que, como dizem os críticos, são mesmo trechos que Kafka não se decidia a incluir ou não em seus livros? Bem, se não foram originalmente concebidos como uma sátira aos anexos, funcionam como se fossem. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * O herói do livro de Balzac é um pacato e bem sucedido comerciante que tenta expandir seus negócios honestamente, é traído por algumas pessoas em que confiava e vai a falência. Com sacrifício, ele paga todas as contas, ganha em reputação o que perde em capital e seus inimigos têm que engolir que o tiro saiu pela culatra, pois no final da história César é mais respeitado e admirado do que no começo. Era uma sociedade conservadora, a da França da primeira metade do século XIX, e as virtudes conservadoras eram respeitadas, mesmo que elas não significassem automaticamente sucesso financeiro. Já imaginaram um brasileiro escrevendo um livro desses? Seria tão impossível quanto, parafraseando Orwell, um mercado de escravos escrever sobre os sofrimentos de um negro num navio negreiro. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Alias, porque Balzac é tão pouco editado no Brasil? A cada 20 anos, parece, lançam uma edição cara da Comédia Humana completa, e, fora disso, só editam A Mulher de 30 anos ás vezes. Graças a Deus existem as bibliotecas públicas e, agora, a internet. Sem isso, seria quase impossível achar livros do Balzac. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * - Espere um pouco. Espere um pouco – disse Rubachov, caminhando agitado. - Tudo isto é apenas uma conversa, mas agora estamos nos aproximando do ponto. Pelo que me lembro o problema é o seguinte: o estudante Raskolnikov tem o direito de matar a velha? É jovem e talentoso; traz no bolso, por assim dizer, um compromisso não resgatado com a vida; ela é velha e extremamente inútil para o mundo. Mas a equação não se sustenta. Em primeiro lugar, as circunstâncias o obrigam a assassinar uma segunda pessoa; essa é a consequência imprevisível e ilógica de uma ação aparentemente simples e lógica. Em segundo lugar, a equação desmorona de qualquer forma, porque Raskolnikov descobre que dois e dois não somam quatro quando as unidades matemáticas são seres humanos... Eis aí outro livro que nenhum brasileiro de hoje escreveria, "O Zero e o Infinito". E o triste é que há 50 ou 60 anos atrás seria razoável esperar que um esquerdista brasileiro escrevesse um livro assim, porque naquele tempo a esquerda, embora errada no principal, tinha lá sua inteligência e estava certa em algumas coisas. Paulo Francis aprendeu muito com os esquerdistas daquele tempo, quando poderiamos esperar na nossa esquerda um debate do nível que Arthur Koestler promove entre os personagens de seu livro. Sim, amigos, houve uma época em que a esquerda sabia o que significava Raskolnikov. Para ser justo, é preciso ainda dizer que Rubachov é um personagem quase que completamente fictício. Não que não tenha havido, entre os radicais de esquerda, dilemas como os que Rubachov enfrenta. Mas eram quase todos, no máximo, simples militantes, intelectuais profundos, talvez, mas simples militantes. Os bolcheviques mais importantes, principalmente os mais intelectualizados, pouco ou nada tinham dos dilemas de Rubachov, mesmo depois de terem sido presos. Mesmo assim, é bom recordar uma época em que, graças a esquerda, Raskolnikov era tema de debates políticos. É até covardia imaginar o Luiz Inácio Lula da Silva no meio dos debates da velha esquerda. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Já que ninguém que eu saiba disse até hoje, embora o próprio Paulo Francis tenha dado várias dicas, digo eu que Paulo Francis se inspirou nos debates entre Ivanov, Gletkin e Rubachov para compor o debate entre Hugo Mann e Paulo Hesse em Cabeça de Papel.
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Uma das razões para eu não ser um completo libertário são as bibliotecas públicas. Eu me sentiria muito infeliz num mundo sem elas. Quando eu vivia duro, há uns 15 anos atrás, eu só lia muito graças às bibliotecas públicas. E mesmo hoje, quando tenho algum dinheiro para comprar livros (menos do que gostaria, mas tenho), é um prazer ir para a biblioteca da 407 sul, aqui em Brasília, contemplar os livros todos nas estantes. A outra biblioteca pública de Brasília é a Biblioteca Nacional Leonel Brizola (seria como chamar um estádio de futebol de estádio Olavo de Carvalho!), entre a rodoviária e a esplanada. Já estive lá, mas não gostei muito. Não havia (não sei como é hoje) estantes onde possamos passear entre os livros, o que pode ser bom para diminuir roubos, mas diminui muito o charme das bibliotecas públicas, pelo menos para mim. Claro, algum libertário pode dizer que uma biblioteca particular, voltada para o lucro, pode cumprir a função das bibliotecas públicas sem onerar os pagadores de impostos. Um libertário que nada sabe do Brasil real pode, sim, dizer isso. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * A história de Eduard Streltsov, o Pelé russo. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Os melhores artigos do Mídia sem Máscara, na última semana de 2011, é Saltos Qualitativos, de Olavo de Carvalho, e Reversão Demográfica irá Acabar com o Assistencialismo Estatal, de Mark Steyn. Fora do Mídia sem Máscara merece destaque o artigo 2012: Perspectivas para a economia mundial, de Antony P. Mueller. Os melhores artigos do Mídia sem Máscara na semana de 01-08/01/2012 são Tchutchucas e tigrões, do Percival Puggina, e Questões de direito do Nivaldo Cordeiro. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * No artigo 2012, Uma reflexão de gases, Guy Sorman fala muito em gases mas é principalmente o gás de xisto. Estranho, ele nada fala do hidrogênio, o gás que até pouco tempo atrás estava na moda entre os inimigos do petróleo. Há inimigos do petróleo de esquerda, que são inimigos das multinacionais do petróleo, e de direita, inimigos das ditaduras antiocidentais que vivem do petróleo. O nosso álcool de cana, etanol, foi concebido pela ala esquerdista dos inimigos do petróleo (gente como Bautista Vidal, que convenceram gente como Ernesto Geisel) e, depois, adotado pela ala direitista dos inimigos do petróleo. Já tentaram o carro elétrico, o hidrogênio, o etanol... até o carvão já tentaram usar como combustível para os carros! E agora, parece que vão tentar o gás de xisto... É claro que eu acharia ótimo o fim de regimes como a república bolivariana ou as teocracias árabes, e é claro que eu sei que, com uma grande queda no consumo do petróleo, esse fim (e o fim da Petrobras) seria no mínimo muito apressado, mas, a julgar pela longa história de esperanças frustadas pelos inimigos do petróleo, eu acho que ainda teremos que queimar fósseis por muito tempo ainda. E as empresas dedicadas à exploração do gás de xisto? Bem, se houverem, eu aconselho a aproveitarem a moda do gás de xisto para tentar pressionar os governos ocidentais para conseguirem subsídios de diversos tipos, como a turma do carro elétrico, do etanol, do hidrogênio, etc, já fizeram. Provavelmente, isso não mudará em nada a situação do petróleo nem ajudará muito a população dos países importadores. Mas isso não quer dizer que alguns empresários, pelo menos, não possam ganhar seu dinheiro legalmente, não é? (Quase digo "honestamente", mas pensei melhor: ganhar dinheiro assim pode ser legal, mas eu não diria que é "honesto"). * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Do Beto Queiroz: Caro FLAMA, Comentário atrasado, mas espero que oportuno. O Francis é importante como oráculo do Brasil - veja 'Cabeça de Negro' e entenderemos muito da violência do RIO, depois da chegada das massas à zona sul, entre outras sacadas. Flu x Vasco = wow, que saudade do dr. Horta. O Vasco até que foi bem com todo o drama do Ricardo etc. Mas times mesmo ainda são forjados na Espanha. Que o diga meu Santos que levou um 'passeio' catalano. Abraços e Happy New Year, my friend. Beto. Dizer o que, Beto, se concordo com você? Feliz ano novo para você também. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Menina com Flores, de Friedrich Dürck.
 Mais quadros de Friedrich Dürck aqui.
Posted at 10:44 pm by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, January 01, 2012
Um grande post no dia 08 de janeiro.
Posted at 11:11 pm by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, December 25, 2011
O Vasco da Gama ainda não fez nenhuma contratação importante. Não dará esse presente de natal para a torcida. Acho que fará o que faz todos os anos, contratar um ou dois veteranos rejeitados pelos demais times grandes e mais umas seis ou sete promessas de times médios ou pequenos. Pode ser que dê sorte (o Juninho Pernambucano chegou ao clube assim), é claro que eu espero que dê sorte, mas quase sempre essa política não resolve nada. Agora, a verdade é que quase todo grande time da história do futebol brasileiro foi feito assim, com a sorte de contratar jogadores desconhecidos que se revelaram grandes craques. O maior goleiro da história do futebol brasileiro foi empurrado para o Corinthians por um time pequeno do interior de São Paulo, como contrapeso em uma transação. Enfim, pode ser que o Vasco da Gama tenha sorte e forme em 2012 um time ainda melhor que o deste ano. Times grandes, no Brasil, foram quase todos formados pela sorte. A única exceção que conheço foi a Máquina tricolor, de Paulo Cézar Cajú e Roberto Rivelino. Este Fluminense foi formado principalmente pela coragem e competência de Francisco Horta. Mas acho que todos os outros grandes times da história do futebol brasileiro foram formados pela sorte. E, se no ano que vem, o Vasco da Gama tiver um grande time, será principalmente por sorte. (Eu não sou tão velho assim: eu era muito criança e não me interessava por futebol, o que só começou a acontecer dois ou três anos depois, então eu não cheguei a ver a máquina do dr. Horta jogar. Mas foi quase). * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *Paulo Francis dizia que não se fazia festa durante o natal, como conhecemos. Isso começou nos anos 50, o que segundo Paulo Francis foi um dos primeiros sinais da perda da influência cultural da Igreja Católica. Antes, o que havia eram missas especiais para essa data. Procurei algo sobre a opinião de Paulo Francis sobre o natal na internet e não encontrei, então cito de memória. Mas mesmo assim é bom citar. O Paulo Francis provavelmente falaria também de um filme sobre natal com alguma atriz bonita e classuda, e de como decaímos desde que o filme foi lançado, o que ensinaria mais sobre cinema do que 90% de tudo o que já se escreveu levando o cinema a sério. Cinema (e séries de TV), não sendo levado a sério, pode ser uma boa diversão. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *Há dois artigos no Mídia Sem Máscara comentando a morte de Václav Havel (que eu só não mencionei na semana passada porque eu só soube da morte dele quando já tinha escrito o post): Havel, herói, de Paulo Briguet, e Uma outra visão sobre Václav Havel, de Alex Pereira. Além desses, o melhor artigo do Mídia sem Máscara na semana de 18-25/12/2011 é O processo crítico do conservadorismo, de Dean Terril, e o mais engraçado é Saudação de Natal e Ano Novo politicamente correta, de Heitor De Paola. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Agora que eu já falei do Vasco da Gama, já me lembrei do Havel e já citei o Paulo Francis, só resta mesmo colocar um quadro aqui. Então, segue um quadro de Bartholomäus Bruyn  Mais quadros de Bartholomäus Bruyn aqui
Posted at 11:53 am by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, December 18, 2011
Cuba é o pônei maldito das nações. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Uma das mais deprimentes e idiotas manias da esquerda brasileira é a mania de se preocupar com Cuba toda vez que a América (recuso-me a chamar a América de Estados Unidos) endurece sua política externa. "Será que vão invadir Cuba?", nossos esquerdistas perguntam nos jornais da grande burguesia. Não, não vão. Nem Reagan invadiu Cuba (quem mais perto chegou disso foi o grande ídolo da esquerda americana e de parte da esquerda brasileira, o pranteado Kennedy). Certamente os "rinos" de hoje não invadirão. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Um amigo me disse uma vez que não existe "rinos", o que existe são republicanos mesmo, porque todos os candidatos republicanos à presidência da República desde pelo menos 1924, com duas possíveis exceções, Reagan e Goldwater, foram "rinos". Talvez ele esteja certo, mas mesmo assim eu acho útil o termo "rino", para que se saiba que os candidatos não são os ogres reacionários que a esquerda americana pinta e muitos "liberais" brasileiros acreditam. Porque há muitos liberais brasileiros que são liberais só em nome mesmo. Eu me lembro que um deles, cujo nome quero esquecer, disse que dar a muitas pessoas um plano de saúde através do Estado não é exatamente ser socialista. E o pior é que isso não é demagogia da parte do cidadão em que estou pensando: ele realmente acredita que é possível defender um plano estatal de saúde para muitas pessoas e ser um liberal, no sentido brasileiro da palavra. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Bem, sem considerar os méritos nem os defeitos de um plano estatal de saúde para muitas pessoas, o fato é que isso não está de acordo com o que se espera de um liberal brasileiro. Pode ser uma proposta de um 'neoliberal" brasileiro. Ou de um liberal americano, ou seja, um esquerdista. De qualquer forma, os esquerdistas e os "liberais" fãs de um plano estatal de saúde não têm muito com o que se preocupar, no Brasil: nenhum partido importante terá coragem de ser contra um plano estatal de saúde para muitas pessoas. E nem na Europa, também. É uma coragem que eu espero da direita americana. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Alias, eu só conheço dois países do mundo onde se pode esperar que haja uma direita politicamente poderosa e firme contra o aborto: o Brasil e os Estados Unidos. Para a tristeza da esquerda brasileira e americana, e também para a tristeza de muitos libertários e "liberais" brasileiros. Graças a Deus, que é bom, se um dia houver uma direita poderosa na política nacional será uma direita antiaborto. Graças! * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Eu imaginava que nada poderia ser mais ridículo que a idolatria dos americanos por Élvis Presley. E eis que vejo a idolatria dos americanos por Michael Jackson... * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Eu ando lendo Sérgio Buarque de Hollanda. O que me faz pensar: em 1964, a esquerda era uma minoria ridícula, pequena, que seduziu João Goulart mas tinha poucos votos (Brizola ou Arraes nunca derrotariam Juscelino Kubitschek ou Carlos Lacerda). Na época, a esquerda imaginava virtudes inexistentes no povo brasileiro. Quando começou a ver os defeitos dos brasileiros, e resolveu conquistar o "homem cordial", aí a esquerda começou a ganhar. O homem cordial é fácil de manipular. É só dizer o que ele quer ouvir. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Canadá anuncia saída do Protocolo de Kyoto Até o super politicamente correto Canadá acha esse protocolo (e por que chamam a isso protocolo e não tratado?) uma roubada! Agora, eu duvido que os canadenses recebam metade das críticas que os americanos já receberam. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Ninguém nega a culpa do povo alemão na formação e na consolidação dessa doutrina criminosa que é o nazismo. No entanto, em tudo o mais de ruim que aconteceu ao redor do mundo, o povo é inocente. O povo americano é inocente dos erros de Obama e democratas, o povo americano é inocente dos erros de Bush e republicanos (no segundo caso, é verdade, há muito mais pessoas dispostas a responsabilizar os eleitores americanos que no primeiro), o povo cubano é inocente da barbárie castrista, o povo português é inocente do salazarismo, o povo brasileiro é inocente dos crimes do império, da república velha, do Estado Novo, do regime militar, e da corrupção que vem nos governando desde sempre, em todos os nossos regimes – ou seja, o pobre vota no candidato do Lula achando que poderá viver sem trabalhar (uma vida de vagabundo pobre, é verdade, mas ao menos segura em sua vagabundice), o intelectual de classe média vota nos candidatos lulistas esperando ganhar um emprego público e uma vida de vagabundo de classe média, mas aí, os políticos que eles elegeram se revelam corruptos e o eleitor não tem culpa nenhuma disso. Bem, talvez houvesse menos corrupção na política se os eleitores votassem com sentimentos menos baixos. Mas quem é que vai culpar o povo? É isso que aumenta a estranheza no caso do nazismo. Por que, nesse caso, há tanta gente culpando (e até com razão) o povo alemão e no caso dos outros crimes cometidos por políticos no mundo todo ninguém culpa os outros povos? No caso dos crimes cometidos por políticos americanos, é verdade, muitos culpam o povo americano, mas é por antiamericanismo. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * As pessoas sensatas estudam um assunto e depois tomam uma posição. Com os brasileiros, é o contrário: o brasileiro começa a estudar com uma posição definida, isso quando estuda alguma coisa. De qualquer forma, se estuda, é só para confirmar e reforçar sua posição. E, quando o intelectual brasileiro médio depara com fatos que contrariam sua posição, ou argumentos que contrariam suas opiniões, a reação do intelectual brasileiro médio é sempre a mesma: "isso não pode ser verdade". Porque esses tipos estudam pouco mas são capazes de imaginar tudo – menos que eles possam estar errados... Os exemplos são muitos, e bem distribuídos entre todas a ideologias (e até entre os que pretendem não ter nenhuma ideologia): Quando se debate com fãs de Max Weber sobre se a religião é ou não tão importante assim para o sucesso econômico das nações, quando se debate com apologistas do regime militar sobre se as ambições pessoais dos chefes militares foram ou não o fator mais importante para o regime militar ter durado mais de 20 anos, quando se debate com defensores do controle de natalidade sobre se esse controle é ou não a principal causa da provavelmente irreversível decadência europeia, quando se debate com libertários sobre a importância de Ronald Reagan para o fim da União Soviética, quando se debate com defensores das chamadas "minorias" (as mulheres são maioria, mas tudo bem) sobre se os membros dessas minorias são ou não mais bem tratados pela elite branca, heterossexual e masculina do que por outras minorias oprimidas, ou até por outros membros da mesma minoria, quando se debate com defensores da liberdade sexual (a proposito, eu sou um desses defensores) sobre se a maioria da humanidade tem ou não condições de usufruir de forma saudável da liberdade sexual, quando se debate com defensores do padrão ouro sobre as dificuldades de reunir uma reserva de ouro para dar lastro suficiente a uma moeda em condições de atender a uma economia do tamanho da brasileira – e, com esquerdistas, quando se debate sobre qualquer questão. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Para os leitores do site de VEJA, talvez seja este o modo mais fácil de descrever o jornalista inglês Christopher Hitchens, morto nesta quinta-feira, aos 62 anos, das complicações acarretadas por um câncer: ele foi o Reinaldo Azevedo deles (sendo "eles" tanto os ingleses quanto os americanos, uma vez que Hitchens vivia desde 1981 nos Estados Unidos). Como o Reinaldo aqui do site, Hitchens era prolífico, polêmico, temível no combate - "um dos retóricos mais aterrorizantes que o mundo já viu", na descrição de seu amigo romancista Martin Amis. Guiava-se por princípios e era incansável em sua defesa, em textos que combinavam de modo desconcertante lógica ferrenha e humor desbragado. O Reinaldo Azevedo deles! Quando o Gore Vidal teve alguns ensaios publicados aqui, também foi chamado de Paulo Francis deles. O que me entristece: a cultura brasileira é tão bunda-mole e os brasileiros mais ou menos cultos são tão apegados a essa ou aquela seita ideológica que o intelectual brasileiro médio acha que todos os que debocham dos dogmas politicamente corretos devem ser membros da mesma turma. Claro, não posso imaginar dois colunistas, considerando apenas os colunistas leváveis a sérios, mais diferentes do que Reinaldo Azevedo e Christopher Hitchens. E não vejo muita coisa de "desbragado" no humor deles. Enfim, agradeço ao autor anonimo dessa notinha da Veja a chance de citar mais uma vez o nunca demais citado Paulo Francis – que era diferente e muito tanto de Reinaldo Azevedo e Christopher Hitchens quanto do Olavo de Carvalho. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
O outro morto celebre da semana é o Joãozinho Trinta, autor da frase "O povo gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual". É isso mesmo. Se fosse só o autor dessa frase ele já seria melhor que 99% dos intelectuais brasileiros. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Acabo de ver a goleada de 4 a 0 do Barcelona no Santos. No futuro, mais do que era Lula/Dilma, era Putin ou era Obama, o nosso tempo será chamado de era Barcelona. E o ano de 2011 será mais lembrado por ter visto o Barcelona ser campeão do mundo do que pela Primavera Árabe. Esse Barcelona é um time para marcar época. Lembra o Expresso da Vitória, o timaço do Vasco da Gama que encantou o Brasil e o mundo no final da década de 40. Eu nem era nascido naquele tempo e meus pais eram crianças no interior de Minas Gerais, mas eu sei que o Barcelona lembra aquele Vasco da Gama. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Meio atrasado, mas espero que ainda em tempo, aviso (quase digo "informo", mas o saudoso e citado Paulo Francis certamente preferiria o menos pretensioso verbo avisar) que o Alexandre Soares Silva está postando muito e bem em um novo endereço, aqui. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * O melhor artigo do Mídia sem Máscara na semana de 11-18/12/2011 é Os sucessivos fracassos do keynesianismo, de Lew Rockwell.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Abaixo, o quadro Tatiana Barbakoff em trajes chineses, de Waldemar Flaig.  Mais quadros de Waldemar Flaig aqui.
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Sunday, December 11, 2011
As Classes Idiotas e as Classes Piores
Num shopping center percebemos que a maioria dos brasileiros é tão idiota que sequer é capaz de olhar para onde anda. E eu estou falando da classe média, ou seja, os mais inteligentes. Porque há os pobres, burros demais para chegarem à classe média. É por burrice e preguiça que os pobres não são de classe média. Aqui, ó, que eles são uns coitados explorados e por isso não têm vida melhor. (A não ser que você esteja falando da exploração dos funcionários públicos, que exploram toda sociedade, vivendo dos impostos pagos por ricos, classe média e pobres, dando muito pouco em troca.). A maioria dos pobres, mesmo considerando os impostos que pagam para sustentar o Estado, poderia muito bem evoluir e subir para a classe média, se tivesse um mínimo de inteligência e vontade de trabalhar. Claro que seria mais fácil com um Estado menos guloso. Mas está longe de ser impossível. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Quando você ouvir um radical de classe média atacar a classe média, pode ter certeza: é um mimado que nasceu na classe média e nunca teve que trabalhar para chegar lá – e deduz que toda classe média é igual a ele, uma multidão de mimados que já nasceram na classe média. Esse radical ficaria surpreso se soubesse quanta dor e quanto sacrifício muitos pobres com um mínimo de inteligência e vontade de trabalhar tiveram que pagar para deixarem de ser pobres e passarem à classe média. O brasileiro de classe média é o brasileiro pobre com um pouco mais de inteligência e um pouco menos de preguiça. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Esse é um engano comum à quase todos os esquerdistas (pelo menos todos os esquerdistas brasileiros), que os pobres "conscientizados" irão fazer revolução ou reivindicação em favor de sua classe, como o "Pedro pedreiro" do Chico Buarque. Nada disso. Pobre "conscientizado", se isso quiser dizer conhecedor das realidades do mundo e não doutrinado em alguma ideologia, irá pensar num jeito de deixar de ser pobre (1). É a prioridade de todo pobre saudável: pensar num jeito de deixar de ser pobre. É só na música do Chico que o Pedro quer ser pedreiro pobre e nada mais com um tempinho para imaginar coisas lindas. Na vida real, o Pedro que passar de pedreiro a mestre de obras, ou seja, de pobre à classe média, quem sabe comprar uma casa e sair do aluguel, quem sabe juntar algum para começar a ter uma lojinha, talvez duas, e não trabalhar mais para a empreiteira... Sabem, é daí que vem nossa elite econômica, a maioria. A elite econômica de hoje não é mesma do tempo da colônia. A elite econômica do tempo da colonia foi gastar em Portugal o dinheiro que ganhou no Brasil. A elite econômica de hoje é formada por milhares de Pedros Pedreiros que não perderam o tempo imaginando coisas lindas na estação do trem e foram a luta para melhorar de vida. Só um radical bobo que já nasceu na classe média e nunca teve que lutar para melhorar de nível social é que pode imaginar que todos os pobres sempre foram Pedro Pedreiro e todos os ricos sempre foram Chico Banqueiro. Na vida real, acontece muito do Chico Banqueiro acabar pedreiro e do Pedro Pedreiro acabar banqueiro. Bom, talvez não aconteça tanto assim. Mas de qualquer forma acontece muito mais do que o radical de classe média pensa. E aconteceria muito mais ainda, se não fosse o intervencionismo para ajudar os ricos e o assistencialismo (2) para ajudar os pobres. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * E que ninguém pense que eu estou apologizando (palavra longa, chata e feia, "apologizando"... O Paulo Francis diria que quem usa essa palavra só entra armado na casa dele – na verdade, eu só usei essa palavra porque, bem, é um pretexto para citar mais uma vez meu amado e saudoso Paulo Francis) as classes alta e média. São mais inteligentes e trabalhadoras que os pobres, na maioria das vezes, mas isso não quer dizer muita coisa. Comecei este post, podem reparar, chamado as classes alta e média de idiota. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * (1) E é um dos problemas com os seguidores de Karl Marx. O próprio Marx era um snobe agressivo que jogava na cara de líderes operários que eles eram uns ignaros incapazes de produzir uma doutrina decente por conta própria, mas seus seguidores parecem achar que a classe operária, "conscientizada", dará prioridade à extinção do capitalismo. Bem, se por classe conscientizada entendemos uma classe onde pelo menos a maioria de seus membros "conscientizados" (e eu não sei que outra coisa podemos entender por classe conscientizada) e se por conscientizados entendemos conscientes das realidades do mundo, então a verdade é que a classe operária conscientizada dará prioridade a deixar de ser operária, deixar a classe e passar para outra. Podem estudar para passar em algum concurso, podem reunir capital e tentar a sorte como comerciante. Se calhar de trabalhar numa grande empresa, pode fazer carreira dentro dessa pequena empresa. Pobre doente não faz revolução porque é doente e pobre saudável não faz revolução porque sua prioridade é deixar de ser pobre. E não faltam meios para um pobre saudável deixar de ser pobre. Citando Janer Cristaldo: "Quando alguém me fala que mobilidade social não existe no Brasil, costumo puxar da memória dois turcos de minha infância. Aconteceu há mais de quarenta anos, quando eu ainda vivia nos campos de Upamaruty. Eles chegaram de Dom Pedrito, cidade que eu ainda não conhecia, aliás não conhecia cidade nenhuma. Vinham em duas precárias bicicletas, enfrentando estradas de areia e barro, os porta-cargas repletos de espelhos, pentes, isqueiros, carretéis, agulhas, alfinetes, baralhos. Uma orgia de consumo para aqueles camponeses, separados da cidade por léguas de solidão. As mulheres da região recebiam os turcos com festa, eram as coisas da cidade que chegavam até seus modestos desejos. Ainda piá, eu os observava com espanto. Entre si, usavam uma algaravia incompreensível. Conosco, falavam com sotaque carregado. Hospitalidade oblige, sempre encontravam pernoite e comida em nosso rancho. À noite, me ensinavam, com o auxílio de grãos de feijão e milho, mistérios da matemática. Se mal se conseguiam fazer entender com palavras, eram exímios nesta linguagem universal, a dos números." "Os dois turcos voltaram muitas vezes em suas bicicletas àqueles pagos inóspitos. Até o dia em que chegaram de jipe, desta vez com tecidos, colchas, cobertores, toalhas e utensílios de cozinha, uma orgia aos olhos do mulherio lá da campanha. Voltaram muitas outras vezes, até o dia em que não voltaram mais. Quando fui conhecer cidade, encontrei-os em Dom Pedrito. Descobri então que sequer eram turcos, mas sírios. Tinham uma loja de tecidos, com três ou quatro funcionários. Quando abandonei a cidade, já tinham duas lojas e o dobro de funcionários. Bem mais tarde, quando me dei conta do que significava ser sírio, meus dois turcos me voltaram à lembrança. Haja pertinácia para sair de longínquos desertos das Arábias, atravessar um oceano, viver em país novo, outra língua, cultura distinta, e enfrentá-lo com duas bicicletas e algumas bugigangas de mascate no cargueiro." E é isso. Pobre saudável quer deixar de ser pobre e, na maioria das vezes, consegue. Então, quem quer revolução? Só pode ser gente que não é doente demais para simplesmente vegetar ao longo da vida sonhando não ter mais que trabalhar, nem tem saúde bastante para para ver a realidade com clareza e prosperar por conta própria. E que tipo de revolução gente assim pode produzir? Bem, até hoje nenhuma deu certo. (2) E notem, eu sou a favor de algum assistencialismo, para ajudar pessoas doentes demais e que realmente precisam, quando se trata de caso de vida ou morte. Quem realmente está morrendo de fome ou precisa de médico, e não pode pagar, bem, nesse caso eu acho que os poderes públicos têm algo para fazer. Mas esses casos são mínimos, na maioria das vezes os pobres podem pagar por uma emergência na saúde. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Abaixo, o quadro Auto-retrato com a filha, de Georg Desmarées.

Mais quadros de Georg Desmarées aqui.
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O melhor artigo do Mídia sem Máscara na semana de 04-11/12/2011 é O conservadorismo e o espírito criativo, de Lynn Harold Hough.
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Sunday, December 04, 2011
O post anterior se chamou "ponto por ponto 8" porque eu sem querer do 7 pulei para o 9. Por isso este aqui se chama "ponto por ponto 10". E vamos que vamos. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Uma das coisas mais irritantes na mentalidade brasileira (quero dizer com isso a maneira brasileira de raciocinar) é o simplismo autoritário: Se eu digo que x é melhor que y, o brasileiro médio entende que eu acho que x é perfeito e pensa que me retruca (ou me derrota, se por acaso estivermos debatendo) dizendo que x não é perfeito. Mas é possível ser melhor que y sem ser perfeito, o que o brasileiro médio não entende. Esse simplismo autoritário faz das polêmicas no Brasil, na maioria das vezes, um jugo fútil e tedioso, sendo mais útil para criar inimigos pessoais (felizmente também virtuais, já que esses debates quase que só acontecem na internet) do que para aprender qualquer coisa. Claro que se pode ser polêmico e ser ao mesmo tempo adulto, ou seja, superar esse simplismo autoritário. Mas no Brasil, pelo menos, isso é difícil. (Aqui, eu faço um "mea culpa", pois até algum tempo atrás eu também tinha, e talvez ainda tenha, traços desse simplismo autoritário em minha personalidade, e ofendi, consciente ou não, muitas pessoas na internet. Se algumas dessas pessoas estiverem me lendo, saibam que vou tentar evitar isso no futuro, pois hoje eu sei que não leva a nada). * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Ainda não sei o resultado de Vasco e Flamengo. Dizem que esse ano foi ótimo para o Vasco da Gama, que o Vasco já se firmou como o melhor time do ano, e que o campeonato nacional seria a cereja de um bolo muito gostoso. Sou mais modesto: a vitória do Vasco sobre o Flamengo ainda tiraria o time rubro negro da libertadores, e isso seria uma cereja, para mim, ainda mais saborosa que o campeonato nacional. Como bom vascaíno, sou anti-flamenguista. (Eu e o tricolor Claúdio iremos rir muito com aquele time fora da libertadores. Espero que no ano que vem flamenguistas e botafoguenses se esforcem um pouco mais na copa sul-americana...) * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Luiz Inácio Lula da Silva é um preguiçoso (nada contra, eu também sou). Será que a vaidade dele é maior que a preguiça? Qual pecado ganhará? O duelo na alma de Luiz Inácio Lula da Silva, mais do que qualquer circunstância política ou social, decidirá as eleições de 2014. (A mosca azul de Igor Taam, que pena, parece ter fechado de vez.... mas um de seus últimos posts, me lembro, era sobre o antimarxismo dos fãs de Luiz Inácio Lula da Silva, que creditavam tudo o que acontecia de bom à personalidade do Filho do Brasil. Bem, nisso eles estavam mais certos do que Marx, embora errados em quase tudo, a personalidade de Luiz Inácio Lula da Silva é mais importante, para a política brasileira, do que qualquer luta de classes. O que eu acho lamentável). * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Os melhores artigos do Mídia sem Máscara na semana de 27/11/2011-04/12/2011 é Aumenta a violência esquerdista, de Matt Barber, e Uma Época Revolucionária, de Felipe Mello. Vale ler o artigo de Matt Barber junto com o artigo Considerações sobre os manifestantes de Wall Street, de Steven G. Horwitz, no Ordem Livre. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Em estado grave na UTI, Sócrates respira por aparelhos Foi um grande jogador. Foi um dos lideres da "Democracia Corintiana", que usava o futebol para fazer proselitismo político. Juca Kfouri, que tanto fala mal do proselitismo religioso nos estádios, adorava o proselitismo político da democracia corintiana. Quando um dos líderes da democracia corintiana (não um jogador mas um dos dirigentes) resolveu se entender com Orestes Quércia, um acordo entre políticos normal dentro de uma democracia, o Juca Kfouri rompeu com ele. Ou seja, para o Juca Kfouri o Corinthians pode e deve ser democrático desde que a esquerda sempre ganhe... Mas voltado ao doutor Sócrates: foi um grande jogador, um militante político que usou seu clube para promover uma causa ruim para os brasileiros, mas foi também um sujeito simpático. Eu fui fã dele quando ele jogava, continuei fã enquanto fui esquerdista, deixei de ser quando deixei de ser esquerdista, mas também nunca tive raiva dele. Uma vez, ele disse que sua utopia era viver numa espécie de comuna com todos os seus amigos mais queridos, sua família, seus livros, etc. Que posso dizer se essa também é uma das minhas utopias? Apenas, eu sei que, na política, a mais alegre utopia sempre será a mais triste ditadura, se tentarem realizá-la no mundo real. Mas simpatizo com o Doutor. Espero que ele se recupere com a ajuda de Deus, e que depois ele se lembre de agradecer a Deus. Boa sorte, Sócrates. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Astrônomos encontram 18 planetas fora do Sistema Solar Esse tipo de notícia é boa para os fãs de ficção científica, pois isso deve inspirar seus autores favoritos. As obras de inspiração marxistas são obras de ficção científica. Um dos autores marxistas mais conhecidos no Brasil é Leo Huberman. E há um trecho de sua "História da Riqueza do Homem", esse bem escrito livro de ficção histórica (ou seja, ficção inspirada em fatos históricos reais mas que permanecem ficção) um trecho de ficção científica: "Cecil Rhodes, o conhecido imperialista, sentia agudamente esse problema. A aquisição de novos mercados tornou-se parte dele; a anexação de novos territórios era parte de seu sangue. A ambição imperialista se ilustra melhor, talvez, numa declaração por ele feita, certa vez, a um amigo: 'O mundo está quase todo parcelado, e o que dele resta está sendo dividido, conquistado, colonizado. Pense nas estrelas que vemos à noite, esses vastos mundos que jamais poderemos atingir. Eu anexaria os planetas, se pudesse; penso sempre nisso. Entristece-me vê-los tão claramente, e ao mesmo tempo tão distantes.' Rhodes morreu cedo demais. Que pena! Num laboratório do deserto do Novo México, o Prof. R. H. Goddard realiza experiências com um foguete que talvez vá à Lua; numa montanha de Gales a Sociedade Interplanetária Britânica procura aperfeiçoar um foguete capaz de chegar aos planetas. Se Rhodes estivesse vivo! Não obstante, talvez sua alma encontre consolo no pensamento de que seu espírito ainda sobrevive, mais forte do que nunca. Quando o Homem da Lua saudar o primeiro passageiro na primeira nave espacial, esse passageiro sem dúvida responderá com uma pergunta murmurada no ouvido de seu anfitrião: ― Que tal tomar algum dinheiro emprestado para consertar os canais velhos e construir novos? Assine aqui, e meu banco cuidará dos detalhes... ...Pronto... ...Muito obrigado.'" Faltou Leo Huberman dizer (se é que sabia disso) que o imperialismo não era lucrativo. Quem queria que os capitalistas investissem em regiões miseráveis da África, da Ásia e da América Latina eram os governos, que queriam poder e não dinheiro. Era preciso que os Estados subsidiassem os investimentos nas colônias, pois estes investimentos, em si, não eram lucrativos. Não se tratava do pecado da ambição, e sim da vaidade. Toda vaidade é fútil e acaba cansando. No final, os europeus se cansaram de ter colônias e deixaram a Africa para os ditadores africanos, o que foi uma grande desgraça para os povos africanos. Se há algo que não ajudou o capitalismo europeu foi a criação de colonias no século XIX. A Alemanha é a maior potência capitalista da Europa e não chegou a ter muitas colônias. A França e a Inglaterra têm grandes problemas sociais em parte por causa de suas ex-colônias. Portugal e Espanha só começaram a enriquecer quando perderam suas colônias. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Olimpíada foi prenúncio de crise grega, dizem analistas A escalada de custos, a falta de controle nas obras e o abandono generalizado do legado físico da Olimpíada de Atenas 2004 foram sinais da tragédia financeira que estaria por vir, a crise de débito grega, na opinião de especialistas ouvidos pela BBC Brasil. Isso me faz temer pelas consequências da copa do mundo de 2014 no Brasil... e eu não tenho razão nenhuma para achar os líderes brasileiros mais sábios ou comedidos que os líderes gregos. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Martim Vasques da Cunha, sobre cinema: Da minha revisão de clássicos, tiro o meu chapéu para Akira Kurosawa que, com o seu quarteto sobre a hybris, "Os sete samurais", "Trono manchado de sangue", "Kagemusha" e "Ran", dá um curso intensivo de filosofia política que muita gente precisa, especialmente no Brasil. Dos citados, eu vi "Kagemusha" na televisão e "Ran", no cinema. São lindos, bem filmados, ainda mais na telona. (1). Mas são chatos, e só podem ser bons cursos de filosofia política em comparação ao lugar comum esquerdista que ensinam nas nossas faculdades, porque, francamente, o que há de filosofia em "Kagemusha" e "Ran" é uma pomposa coleção de lugares comuns. O que aprendemos sobre política em "Kagemusha" ? Que é melhor se matar por uma causa certa mas perdida do que tentar reconstruir sua vidinha em outro canto? Então, é o filme ideal para Lamarca e Marighella. "Ran" já é um pouco melhor como filosofia (e mais chato, como cinema), ensina que escolhas têm consequências e que abdicar das responsabilidades leva a perda do poder (e das regalias do poder). Mas qualquer artigo de segunda do Reinaldo Azevedo é mais útil. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Recebi um amável comentário a este post: Luiz Amaral November 29, 2011 03:04 PM PST Interessante notar que o autor se refere à Gilda Müller/Maneco e Adalgisa Nery no texto: por coincidência eles moraram no mesmo prédio em Botafogo, na Rua Voluntários da Pátria, Gilda no apartamento que ficava sobre o meu e Adalgisa morou no último andar com seu marido Lourival Fontes que, na época, era assessor de Getúlio Vargas. Aliás, tanto a Gilda como sua família inteira e a Adalgisa eram pessoas de educação esmerada, finíssimo trato, pessoas que tive o grande prazer de conhecer pela sua finura de primeiríssima linha. Pois é, senhor Luiz Amaral. Eu até acho que a atual geração é mais esperta que as anteriores – mas mais civilizada, isso não. Não mesmo! De resto, eu o agradeço pelo comentário e pela oportunidade de me lembrar mais uma vez de Paulo Francis. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Parece que na guerra civil era melhor para os índios apoiarem o Sul que o Norte... Abaixo, segue um trecho do livro The Slaveholding Indians, de Annie Heloise Abel: Este volume é o primeiro de uma série de três sobre os índios escravistas como secessionistas, como participantes na Guerra Civil, e como vítimas da Reconstrução (2). A série trata de uma fase da história da Guerra Civil americana que até aqui (1915) tem sido quase inteiramente negligenciada ou, quando analisada, incompreendida ou mal interpretada. Talvez o terceiro e último volume seja para muitas pessoas mais interessante porque mostrará, com muitos detalhes, o preço enorme que o infortunado índio teve que pagar por ter se tornado por conta própria um secessionista e um soldado. No entanto, a proposta deste primeiro volume é muito maior do que parece à primeira vista. Foi propositadamente lhe dado um subtítulo, a fim de que a posição peculiar do Índio, em 1861, pudesse ser fortemente destacada. Ele foi importante o bastante dentro da União Americana para opinar sobre a secessão e importante o bastante fora dela para ser abordado diplomaticamente. É digno de nota, realmente, que Albert Pike negociou vários tratados que levaram as nações indígenas a uma aliança com os estados secessionistas, sob a autoridade do Departamento de Estado Confederado (3), o que foi um decidido avanço no sistema dos Estados Unidos - uma inovação, realmente, que marcou a enorme importância que o governo confederado dava à amizade com os índios. Era algo que se contrastava nitidamente com a indiferença manifestada naquele momento pelo governo de Washington, pois enquanto este estava negligenciando os índios a um ponto em que ultrapassava a própria desonra, a Confederação estava oferecendo-lhes igualdade política e prometendo-lhes respeitar sua integridade política e estava estabelecendo em seu território, não apenas uma tutela sem significado, mas um protetorado autônomo de fato. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * (1) Quando os cineastas brasileiros vão colocar beleza na telona, por falar nisso? Eu não falo de mulher pelada não, embora isso até me agrade, falo da beleza sublime, a paisagem que nos faz perder o folego, um rosto lindo com um olhar comovente, uma das vantagens das mulheres sobre os homens é que as mulheres são mais sensíveis a beleza sem ser para logo transar... ok, tantos lugares bonitos no Brasil, nossos diretores preferem filmar favelas e miseráveis em estações de trem... Será que eles acham mesmo que os pobres preferem ver pobres feios a ver homens, mulheres e lugares bonitos? Cinema é uma chance de levar a beleza às classe baixas, afinal, esse seria um dos raros motivos capazes de me fazer mudar de opinião sobre cinema... Porque nenhum brasileiro faz um filme sobre Jesus, Maria e os primeiros cristãos? Canso de ver filmes sérios e belos feitos por americanos, italianos, franceses, até espanhóis sobre Jesus e os primeiros cristãos, mas nunca vi um bom filme sobre Jesus Cristo ou os primeiros cristãos feito por um brasileiro. (2) A Reconstrução dos Estados Unidos foi o período da história dos Estados Unidos, que se iniciou após o término da Guerra Civil Americana, em 1865, e se estendeu até o ano de 1877. O período é marcado pelo retorno gradual dos Estados que haviam se separado do país e formado os Estados Confederados da América, do status dos líderes da antiga Confederação, e pelo início do processo de integração dos ex-escravos afro-americanos. (3) O Departamento de Estado dos Estados Unidos (em inglês: United States Department of State) é o departamento executivo federal dos Estados Unidos responsável pelas relações internacionais do país, e equivalente ao Ministério das Relações Exteriores de outros países. O Departamento de Estado Confederado (em inglês: Confederate State Department) era o equivalente confederado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Abaixo, o quadro Uma Princesa da Saxônia, de Lucas Cranach, o velho.  Mais quadros de Lucas Cranach aqui.
Posted at 10:01 pm by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, November 27, 2011
Foi aqui no Cláudio que eu vi isso aqui: Fidel Castro entra na lista dos mais ricos do mundo da "Forbes". (também saiu aqui ) Creio que nunca houve um líder revolucionário esquerdista bem sucedido que não tenha sido um monstro moral (1). Um simples militante pode ser um ótimo sujeito. Um político democrático de esquerda pode ser tão corrupto ou tão honesto quanto muitos políticos de todas as tendências políticas normais em uma democracia estável (já que toda tendência política normal tem os seus corruptos, e os seus honestos). Mas os líderes revolucionários de esquerda, bem sucedidos, são sempre monstros morais. A disputa entre o corrupto depravado Danton e o psicopata sanguinário Robespierre, durante a revolução francesa, definiu os tipos esquerdistas (Danton era sanguinário também, mas pelo menos não era psicopata). Inclusive, a morte da esposa de Danton e o efeito que essa morte provocou no marido é muito parecida com a morte da primeira esposa de Stalin e da sobrinha-amante de Hitler. Decididamente, o pior tipo possível do circo de aberrações que é a vida política de qualquer nação é o líder revolucionário de esquerda. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Quando falei sobre futebol eu me esqueci de mencionar minha seleção brasileira de todos os tempos. Ninguém pode escalar uma seleção de todos os tempos sem ser injusto, então eu serei também: A de 1958, com Romário no lugar de Vavá e Gerson no lugar de Zagalo, ou seja: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Romário, Pelé e Gerson. Nesta seleção, o único que vi jogar foi Romário. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Eu tinha escolhido Nazismo, Comunismo e o Problema da Liberdade, de Bruno Garschagen como o melhor artigo do Mídia sem Máscara na semana de 20-27/11/2011, mas é que eu ainda não tinha lido Três Pilares da Ordem: Edmund Burke, Samuel Johnson, Adam Smith, de Russel Kirk. E, com todo respeito que o Bruno Garschagem merece, é preciso reconhecer que o artigo de Russel Kirk é melhor. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Com R$ 50.438, DF tem mais que o dobro do PIB per capita de SP Se pelo menos isso quisesse dizer que o brasiliense produz em média duas vezes mais que o paulista... * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Barbosa, da Fazenda: Brasil deve crescer menos de 3,8% em 2011. Muitos analistas acham que em 2012 a economia estará pior. Mas talvez não. Consideremos que 2012 será um ano eleitoral e que o governo federal quer eleger seus candidatos usando a máquina pública: isso quer dizer mais investimentos públicos. Além do mais, o agronegócio garante o Brasil como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, e o mundo está cada vez mais faminto (nas crises econômicas o que se corta é o supérfluo, pelo menos nos países ricos). Por conta das eleições e do agronegócio, portanto, talvez (eu não tenho certeza) 2012 seja um ano bom para a economia. Se for, provavelmente 2013 será péssimo. Será o ano de pagar a conta. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Paulo Francis estava certo no que dizia contra Luiz Inácio Lula da Silva e o PT? Bem, sim e não. O PT que Paulo Francis conhecia era o PT que posava de ultrarradical e perdeu as eleições de 1989 e 1994. Era um PT que queria que a desastrosa constituição cidadã de 1988 fosse ainda mais esquerdista e por isso se recusou a reconhecê-la, e queria que o Plano Real fracassasse para poder atacar melhor Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Esse era o PT que Paulo Francis conhecia e esse PT teria sido, sem dúvida, um desastre. Não se sabe o que Paulo Francis acharia do PT light da Carta de Brasília, do Lulinha Paz e Amor e do PT que nomeou um banqueiro tucano para presidir o Banco Central. Não se sabe, porque Paulo Francis morreu antes. (Se cabe um palpite, eu diria que o Paulo Francis estaria mais de acordo com Diogo Mainardi que com Olavo de Carvalho). * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Sábado, 26 de novembro, comemoramos o holocausto ucraniano – o holodomor. Sobre o assunto, vale ler pelo menos este artigo. Um trecho: A Rússia nunca perseguiu nenhum de seus assassinos em massa, como se fez na Alemanha. Mas todos nós conhecemos os crimes de Adolf Eichmann e Heinrich Himmler, e sabemos o que foi Babi Yar e Auschwitz. Mas quem lembra os assassinos em massa soviéticos Dzerzhinsky, Kaganovitch, Yagoda, Yezhov e Beria? Não fosse o escritor Alexander Solzhenitsyn, nós poderíamos nunca ter sabido dos campos da morte soviéticos como Magadan, Kolyma e Vorkuta. A todo tempo aparecem filmes sobre o terror nazista, enquanto o mal soviético some da visão ou se dissolve na nostalgia. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Bom artigo sobre a questão da legalização das drogas, este. E há este outro, um tanto cretino mas ainda assim tem alguns dados relevantes. Eu acho que pelo menos a maconha será legal. Pelo mesmo motivo que as bebidas, que fazem muito mais mal À saúde, são legais: fazem parte da cultura popular e seu consumo é tolerado, como o consumo da maconha logo será. A lei seca não adiantou nada, porque a cultura popular americana é tolerante com a bebida. Alguém duvida que, se o brasileiro continuar assim, achando chique ser progressista, e eu não vejo mudança a vista, logo a maconha será tão aceitável na cultura popular quanto a cachaça? Quanto a mim, pessoalmente, tive muitos contatos desagradáveis tanto com maconheiros quanto com cachaceiros, e eu acharia uma boa ideia, se fosse possível, reprimir tanto a bebida quanto a maconha. Mas eu sei que não é possível no caso da cachaça, e eu sei que, continuando assim, no futuro também não será mais possível no caso da maconha. Pessoalmente, eu acho melhor manter a maconha proibida enquanto for possível. Acabará não sendo mais possível, mas ao menos teremos feito o bem que podemos fazer, pelo tempo que tivemos. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * E a legalização das outras drogas além da maconha? Bem, no caso da heroína e da cocaína (e subprodutos, como crack), é tão óbvio o mal que fazem, e tão rápido, que mesmo com o máximo de propaganda a favor ainda seria muito difícil serem aceitas na cultura popular como a cachaça é, por exemplo. Continuarão proibidas, pelo menos por muito tempo depois da maconha se tornar legal. Lembrem-se: para o Estado, ou seja, os políticos e seus assessores e os funcionários públicos em geral, legalizar seria até um bom negócio, eles teriam mais dinheiro para muitas outras coisas, inclusive aumentar seus próprios salários. Mas a maioria não aceita. Inclusive a maioria dos funcionários públicos e dos políticos, eles têm restrições morais (culturais) à legalização da maconha. E é isso que conta, muito mais que argumentos técnicos. Mas, pelo que vejo, a elite cultural é favorável a legalização da maconha e não há ninguém com grande influência contra. Os argumentos? Os argumentos não interessam, o que interessa é a influência dos lados. Quem é a favor de legalizar a maconha tem mais influencia cultural, então a maconha será legal. É questão de tempo. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * (1) Destaco o "esquerdista" porque os líderes da Revolução Americana e da Revolução Gloriosa, revoluções mais conservadoras que a nossa "revolução" de 1964, não eram esquerdistas e foram bem sucedidos, para felicidade de seus povos. De qualquer forma, no mundo moderno só se pode ser revolucionário sendo de esquerda. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * A Dama no Jardim, de Frederick Carl Frieseke.

Mais quadros de Frederick Carl Frieseke aqui.
Posted at 02:08 am by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, November 20, 2011
Gretchen diante da Mater Dolorosa, de Peter von Cornelius
Posted at 01:01 am by Flamarion Daia Júnior
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