Sunday, October 30, 2016
Eu tenho escrito muita coisa

Só não estou publicando. Só isso.

Mas vou publicar alguma coisa a qualquer hora.

Posted at 02:25 pm by Flamarion Daia Júnior
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Wednesday, September 07, 2016
Ponto por ponto 24

Como eu imaginava, o Temer está sendo melhor que a Dilma Roussef, mas não está sendo grande coisa.

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Estranhos liberais, dizem que ter ou não ter um ministério da cultura é uma questão menor, e não entendem porque tanta gente tem raiva do Temer por ele ter voltado atrás na decisão de extinguir o ministério (eu não sei nem se ele chegou a oficializar (1) alguma coisa, acho que nada saiu no Diário Oficial). Esses liberais entendem muito da doutrina liberal, entendem mais de economia que a maioria das pessoas, podem até terem uma grande cultura geral, também, poliglota e etc., mas de política eles não entendem nada.

Política é jogo sujo.

Jogo sujo quer dizer: a não ser que você queira enganar os adversários, não pode mostrar fraqueza, porque senão eles (os adversários) vão se fortalecer as suas custas.

E o Temer diz que vai, aí é pressionado e não vai, ele mostra fraqueza. E os esquerdosos, que entendem muito mais de política que os liberais de quase tudo, vão tirar proveito disso.

E é esse o problema com o Temer dizer que vai fechar o da Cultura e depois voltar atrás.

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De resto, eu nem imaginava que o da Cultura estaria entre os ministérios que o Temer fecharia. Eu fiquei agradavelmente surpreso quando soube que o Temer queria fechá-lo, mas não fiquei nem um pouco surpreso quando ele voltou atrás. Não, nem um pouco.

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Blogs portugueses: o Abrupto (http://abrupto.blogspot.com.br) ainda está ativo. E o "Do Portugal Profundo" (http://doportugalprofundo.blogspot.com.br) também.

Tenho também que corrigir o link do Dennis no twitter: https://twitter.com/DennisOnTheNet

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Tá lá na Folha (Rolha, falha, etc.) de São Paulo do dia 23 de junho, quinta feira:

Há 50 anos

Assembleia de SP discute compra de videoteipes dos jogos da Copa

DO BANCO DE DADOS - A Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou na quarta (22 de junho de 1966) o projeto do governador Laudo Natel, que solicita o crédito de Cr$ 1,5 bilhão para a compra de videoteipes dos jogos da Copa do Mundo na Inglaterra.

O líder do governo, deputado José Pedro Carolo, apresentou emenda para tornar os videoteipes propriedade do governo do Estado. Os vídeos serão cedidos às emissoras nacionais de televisão sob a condição de inserirem somente publicidade de patrocinadores indicados pelo governo.


O Laudo Natel era da ARENA, sabem. Ele foi governador confirmado pelo direitista liberal Castelo Branco. Isso é direita, no Brasil: dinheiro do governo para jogos de copa do mundo!

Quanto o governo já gastou no único esporte que não precisa da ajuda do governo, o futebol? Tenho certeza que mais do que em todos os outros esportes somados. E isso admitindo que gastar dinheiro com esportes é função do governo.

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Uma pessoa que eu acho inteligente escreveu um artigo tolo sobre um assunto que eu conheço melhor do que essa pessoa. Não vou dizer quem é nem sobre o que é por dois motivos: 1) gosto muito dessa pessoa, e 2) tenho um pouco de vergonha de entender do assunto em questão.

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Disse o André de Oliveira, no facebook: "O mais feroz de seus críticos, se tiver o mínimo de seriedade, tem de admitir, pelo menos, que o cara tem uma prosa inacreditável".

Mas o que falta nos críticos do Olavo de Carvalho é justamente isso, seriedade. Talvez o único seja o meu amigo, que volta e meia cito aqui, o senhor P. O senhor P, podemos discordar dele e do que ele diz do Olavo de Carvalho (eu discordo de algumas coisas), mas pelo menos o senhor P não joga para a plateia. Todos os outros críticos do Olavo de Carvalho jogam para a plateia.

Meu outro amigo, o Liberal sem Paixão, que tanto gosta de atacar o Olavo de Carvalho, eu nunca o vi atacar sem jogar para a plateia. Mas o senhor P não faz isso.

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Falando no meu outro amigo, o Liberal sem Paixão, imagino que ele tenha ficado muito triste com a moça que urinou e defecou na foto do Jair Bolsonaro. Não, não é que o Liberal sem Paixão seja fã do Bolsonaro, pelo contrário. É que não dá para forçar a barra e equiparar os fãs do Bolsonaro com os esquerdistas, depois dessa. Um fã do Bolsonaro nunca iria urinar e defecar na foto de um radical de esquerda. Esse episódio deixa os fãs do Bolsonaro indignados e enojados, as pessoas normais pasmas com o inacreditável nível de baixeza a que essa gente pode chegar, os esquerdistas radicais deliciados, os esquerdistas mais lúcidos preocupados com a má repercussão do caso (se não fosse isso, é claro que eles também ficariam deliciados) e os liberais sem paixão, um pouco tristes. Tristes, porque fica difícil fazer o que os liberais sem paixão mais gostam, que é forçar a barra para equiparar radicais de direita com os de esquerda.

É claro que um fã do Bolsonaro não faria isso, pelo menos não em público, e muito menos seria contratado por uma prefeitura administrada por um fã do Bolsonaro depois. Triste para o Liberal sem Paixão é admitir isso, o provável é que ele evite o assunto.

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E falando do Facebook, eu dei lá uma definição de democracia: Uma enorme cota para idiotas.

No tempo em que o voto era censitário, só quem tinha um certo padrão de vida poderia votar. Quem tinha inteligência, claro que tentava melhorar de vida e, com seu trabalho e inteligência, enriquecia e ganhava condições de votar.

Pobres, geralmente, são burros. Se não é burro, é vagabundo. É lógico: se não fosse ou burro ou vagabundo, não seria pobre, seria rico. Ou, pelo menos, de classe "mérdia". Quem tem inteligência e vontade de trabalhar, não permanece pobre por toda vida. Dá direito de voto aos pobres é dá direito de voto a burros ou preguiçosos, e, com certeza, eles não vão fazer o bem com esse direito. Então, na prática, a democracia é uma gigantesca cota para essa gente.

Vejam o que acontece nos EUA: Os burros estão com Donald Trump, os vagabundos (que nem por isso deixam de também serem burros) com Hillary Clinton.

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Não que eu ache muito trágico os americanos terem que escolher entre o Donald e a Hillary. Os dois são melhores que o Obama.

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Se gostei das Olimpíadas? Gostei, sim. Teve babaquice politicamente correta, mas o que não tem, hoje em dia?

Eu fico pensando como seria bom se houvesse mais espaço para os outros esportes. Uma das razões para o Brasil ser um país tão chato é que aqui só se leva a sério o futebol e ignoramos os outros esportes, a maioria mais divertida. As olimpíadas poderiam mudar isso, mas acho difícil.

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Eu fico pensando no chato futebol feminino - como é chato o futebol feminino! Financeiramente, nunca será viável. Mas, se fosse para a seleção brasileira, eu acho que o povo poderia concordar com o financiamento público do futebol feminino, até porque não custa tanto dinheiro assim. As meninas do futebol jogam com alma, isso não se pode negar, e a torcida gosta disso, então, eu acho que a maioria dos pagadores de impostos concordaria, se houvesse um referendo para isso, com o financiamento público do futebol feminino. Eu ouvi alguém dizer que futebol feminino é tão ruim quanto basquete feminino. Pode até ser, mas o basquete feminino é bem menos chato. Mas eu pensei o seguinte, sobre o futebol feminino: e se fosse usado para testar mudanças nas regras, como cobaias? Nesse caso, teria sua utilidade.

E algumas mudanças poderia fazer o futebol feminino ser bem menos chato. Por exemplo: toda falta é, no mínimo, um pênalti. Falta sofrida no campo adversário vale dois pênaltis. O "pênalti" mesmo, a falta dentro da grande área, vale quatro pênaltis. E três escanteios seguidos vale um pênalti. E uma mudança no tempo, também, quatro tempos de 25 minutos, com intervalos de 5 minutos, em vez de dois de 45, com intervalo de 15.

O futebol feminino não melhoraria de qualidade, mas ao menos teria mais gols. Isso poderia atrair mais torcedores. Os americanos iriam gostar.

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Pediram-me uma lista de quinze escritores que me influenciaram. São eles: Jorge Luis Borges, Gabriel Garcia Marquez, João Guimarães Rosa, Ernesto Sábato, Franz Kafka, Edgar Allan Poe, Fiódor Dostoiévski, Liev Tolstói, Charles Dickens, Ernest Hemingway, Charles Baudelaire, Juan Rulfo, Eça de Queiroz, Thomas Mann e Roberto Arlt.

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Roberto Arlt merece uma explicação: há escritores melhores do que ele, Arthur Koestler, Albert Camus, Vargas Llosa, Gore Vidal, Mikhail Lérmontov, Yukio Mishima, Gustave Flaubert, Daltron Trevisan, Guy de Maupassant, Eugene O'Neill, Graciliano Ramos e outros, muitos outros. Mas Roberto Arlt foi mais importante, para mim, porque graças a ele eu descobri a literatura argentina. Não foi graças a Jorge Luis Borges, que é um talento mais mundial do que argentino (na "História Universal da Infâmia" há um conto totalmente de ficção, "O Homem da Esquina Rosada", que se passa em algum lugar indefinido da Argentina, e vários contos ou casos reais que se passam em vários países e épocas). Roberto Arlt, sim, me fez ficar curioso sobre a literatura argentina. E graças a Roberto Arlt descobri depois Manuel Puig, Ernesto Sábato, Júlio Cortazar, Tomas Eloy Martinez, Enrique Molina e outros escritores argentinos. É isso que faz Roberto Arlt mais importante para mim que outros escritores melhores do que ele.

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(1) Alias, o verbo "oficializar" é uma triste consequência linguística da vida burocratizada que levamos.

Posted at 08:12 pm by Flamarion Daia Júnior
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Monday, April 25, 2016
Notas sobre o fim de Dilma Roussef

Claro que eu gostei do fim da Dilma e do PT (E é claro que ela caiu quando perdeu na câmara, o senado apenas vai confirmar). Mas há uma coisa triste: a Dilma perdeu por ser desastrada demais. Outro petista, menos desastrado mas tão culpado quanto a Dilma, outro petista teria ganhado, sem ser por isso menos ruim. Enfim, que o Brasil aprenda e que a Dilma não culpe nada nem ninguém além de sua própria incompetência e maldade.

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O Michel Temer, que será nosso presidente (ninguém tem certeza por quanto tempo, mas imagino que até a posse do vencedor das eleições de 2018, de acordo com a nossa constituição), ele não privatizará nenhum empresa pública. Com sorte, ele pode extinguir alguns (poucos) ministérios. Ele pode tentar trazer de volta a CPMF, e ele teria, para isso, o que a Dilma não teve, maioria do congresso. E, bem, como uma solução provisória, eu acho que dois ou três anos de CPMF não seria ruim, desde que também houvesse cortes nas despesas públicas. Aí, algum engraçadinho vem me perguntar se eu fui contra a tentativa da Dilma de restaurar a CPMF. É, fui contra. Mas eu não confiava na Dilma para reduzir os gastos públicos, então, com a Dilma, a CPMF se tornaria um imposto permanente. Com o Temer, a CPMF pode ser realmente provisória.

Ele deve diminuir a quantidade de petistas no Estado, mas pelo menos alguns serão substituídos pela gente de Temer. Mesmo assim, uma coisa boa, menos petistas no Estado é sempre bom. E acho que alguns cargos serão extintos, não ocupados pela gente de Temer, duplamente bom, portanto, mesmo que ainda muito longe do ideal. O Michel Temer não fará nenhuma tentativa de censurar a mídia, como os petistas fizeram, sem conseguir, nos últimos 13 anos. O Michel Temer deve ter uma política externa mais discreta, politicamente correta, sim, mas vai tentar conciliar o politicamente correto com os interesses do Brasil. Na educação e na cultura (onde o Estado não deveria se meter e se mete mesmo assim), será a mesma coisa: o Michel Temer tentará conciliar o politicamente correto com os interesses do Brasil (mas o “homeschooling” continuará sendo crime). E espero que o Temer se empenhe menos em desarmar o cidadão honesto, mesmo que nada faça para prender os bandidos (combater o crime é função dos governos estaduais, dizem... O governo federal não pode planejar ações conjuntas com os governos estaduais? O governo federal não pode propor uma nova legislação, para facilitar o trabalho da polícia e da justiça?).

Então, eu espero que o Temer melhore, mas não espero muita coisa.

O Temer nunca dirá que a esquerda não presta e que o que a esquerda propõe, quase sempre, é ruim para todo mundo menos para os esquerdistas (políticos normais propõem o que é bom para eles, sim, mas ao menos eles tentam conciliar isso com o que é bom para a maioria das pessoas). O Temer é político e ele sabe que pode precisar da ajuda dos esquerdistas, que têm grande poder político. Para minar o poder político da esquerda é preciso combater o poder cultural da esquerda, de onde ela tira seu poder político. Isso não é função dos políticos, por melhores que sejam. É função nossa, das pessoas que podem oferecer alternativas ao esquerdismo cultural.

Não é difícil oferecer alternativas ao esquerdismo cultural: trata-se de procurar ler por prazer, no caso da literatura, ou estudar com seriedade, no caso das ciências, e escrever suas conclusões com honestidade. Uma pessoa interessada em artes e ciências, religião, história e economia, ou em cultura em geral, e disposta a escrever publicamente sobre isso, sem viés esquerdista (e sem negar razão a um autor esquerdista, se por acaso ele estiver certo em alguma coisa), uma pessoa só é muito pouco, admito, mas centenas de pessoas assim representam uma boa alternativa ao domínio esquerdista na nossa cultura. Quanto mais pessoas estiverem escrevendo na internet, com seriedade, sobre cultura ou ideologia, mais pessoas se entusiasmarão e também farão isso. É dessa maneira que se destrói a hegemonia cultural da esquerda, base de sua força política. Pode demorar, provavelmente irá demorar, mas com certeza é melhor do que confiar em algum “político iluminado”.

Mesmo porque não teremos um político iluminado nas eleições de 2018. O vencedor será um candidato tucano, ou seja, um esquerdista, ou um dissidente do PT como Marina Silva, ou seja, um esquerdista ainda mais radical. Jair Bolsonaro? Por enquanto, eu voto nele, mas não tenho esperança que ele ganhe.

De qualquer modo, sobrevivemos a cinco anos de Dilma Roussef. Podemos sobreviver a um tucano.

Posted at 11:08 am by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, February 14, 2016
Intervencionistas e golpistas

Você sabe a diferença entre intervencionistas e golpistas?

A diferença é que um dos grupos leu a constituição e descobriu que ela pode ser interpretada de um jeito que autoriza a intervenção militar mesmo contra a vontade do presidente da república (que é o chefe das forças armadas). Já o segundo não leu a constituição, ou leu mas não se importa, e deseja uma intervenção militar sem se preocupar com formalidades legais.

Ou seja, não é uma diferença ideológica, mas psicológica: um grupo se importa com o que as pessoas pensam, o outro não. (Ou talvez seja para evitar processos. Se uma pessoa perde uma intervenção militar de acordo com a constituição, ela pode ser acusada de alguma coisa?)

Tirando essa diferença, os dois grupos são iguais: eles acham que os militares são capazes de consertar os erros dos políticos.

Coisa de que eu duvido muito, considerando o que os militares têm dito por aí, considerando como eles se comportam no nesses tempos de PT, considerando como eles governaram nos últimos 10 anos do regime militar, pelo menos.

E é só porque eu duvido da capacidade dos militares de consertarem os erros dos políticos que eu não sou golpista, nem intervencionista. Se eu não duvidasse, não me importaria nem um pouco rasgar essa constituição horrível que o Mário Covas, o Ulisses Guimarães e o Bernado Cabral impuseram ao Brasil (notem que o PT nem teve muita coisa a ver com isso, é coisa de esquerdista "moderado" e da falsa direita que quer agradar a esquerda). Mas eu duvido, e por isso não apoio o golpe. Nem uma intervenção constitucional.

Agora, não pensem que eu acho esses políticos que vão ficar no poder, de onde não sairão, exceto pela improvável ação dos militares, a melhor alternativa. Não. Não espero mais dos políticos que dos militares.

Então, é isso: Não vale a pena lutar pela volta dos militares, e não vale a pena lutar pela permanência dos políticos. E exigir respeito à constituição é, gostem ou não, exigir que os políticos continuem no poder. Não vejo em que tucanos e petistas sejam melhores que os militares, não vejo em que militares são melhores que tucanos e petistas. Não apoio nem um nem outro e não acredito nessa constituição, como não acredito que resgá-la seja melhor.

Então, não tem solução (além de deixar o Brasil, o que não posso fazer porque estou velho demais e tenho filhos)? Bom, solução tem. A pessoa deve tentar melhorar seu próprio nível cultural para tentar entender melhor a situação do Brasil e convencer outras duas ou três pessoas a fazerem o mesmo. Se tiver sorte, serão quatro pessoas que melhoraram de nível. Se essas quatro pessoas repetirem o processo, então serão quase vinte pessoas que melhoraram de nível. Depois, serão cem, depois quatrocentas, depois umas mil e quinhentas, e um dia veremos que somos maioria no Brasil e que os intelectuais de esquerda, que impuseram a divisão política entre tucanos e petistas, com apenas os militares como uma alternativa muito pouco atraente (não importa se legal ou não), já não convencem ninguém.

É uma solução que exige muita paciência e boa vontade, porque levará muito tempo, e também porque sempre haverá o risco de encontrarmos pessoas malvadas ou simplesmente idiotas que não entenderão ou fingirão nada entender e, se essas pessoas idiotas ou malvadas fizerem alguma coisa, será para atrapalhar. Mas não vejo solução melhor.

Posted at 04:03 pm by Flamarion Daia Júnior
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Thursday, January 28, 2016
Japonesa no Banho, de James Tissot

Mais quadros de James Tissot aqui.

Posted at 08:50 pm by Flamarion Daia Júnior
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Tuesday, December 15, 2015
Não mirem-se no exemplo, pensem sobre isso

Hoje eu resolvi ouvir "Mulheres de Atenas", do Chico Buarque, na voz de Ney Matogrosso. Belíssima música, linda interpretação, a do Ney. E tanta gente dizendo que o Chico Buarque devia só se dedicar à música, que ele não tem nada que se meter com política… e essa gente está errada, essa gente não entende nada. Explico: a militância esquerdista do Chico Buarque o salvou de muita coisa ruim. "Mulheres de Atenas" é um exemplo: se ele não fosse um comunista, ele teria sido linchado pelos politicamente corretos.

Então, como ele não tem que se meter em política? Não teria, se ele vivesse num país onde um artista pudesse ser só um artista. Mas no Brasil, o artista tem que ser esperto, além de artista, e o Chico Buarque ficou esperto, e muito. Se ele fosse apolítico, nem precisaria ser de direita, "Mulheres de Atenas" teria sido o fim da carreira dele, ele nunca mais seria elogiado em lugar nenhum. Mas como ele é esperto (ser comunista é consequência dessa esperteza, estou com o Millôr Fernandes, desconfio de todo idealista que lucra com seu ideal, aliás, foi para o Chico Buarque que o Millôr inventou essa frase), "Mulheres de Atenas" foi tocada, festejada, e depois esquecida, exceto pelos que gostam de boa música popular, "Mulheres de Atenas" é uma das mais belas letras que já fizeram na MPB. É, com certeza, contra os direitos das mulheres. Cadê que as feministas criticam?

E é isso o que mais detesto no politicamente correto. É uma lei que só vale para os inimigos da esquerda. Borges de Medeiros disse: "Aos amigos, tudo! Aos inimigos, a lei!". Os esquerdistas, do mundo inteiro, podem bem dizer: "Aos amigos, tudo! Aos inimigos, o politicamente correto!" Ou nem precisam falar nada, basta agir como se assim fosse – porque assim é. Chico Buarque compôs "Mulheres de Atenas" e é um ídolo intocável dos intelectuais brasileiros, a ponto de nem mesmo admitirem crítica a seus romances. Lula da Silva contou alguns anos atrás como arrancava dinheiro de gente pobre em São Paulo, inclusive um "Crioulo", essa a palavra que o Lula usou, debochando do termo afrodescendente. Se fosse um político de direita ou mesmo da esquerda civilizada do PSDB, enfrentaria mil processos e dez mil campanhas nas redes sociais. Fidel Castro colocava os gays de Cuba em campos de concentração para recuperá-los pelo trabalho, mas teve que acabar com isso porque Cuba precisou de dinheiro e assim os gays foram liberados para servirem de prostitutos, um modo de ganhar dinheiro para a revolução – só idiotas acham que se faz revolução apenas com idealismo, todos os revolucionários sempre tiveram muito dinheiro para seus crimes. Mas Fidel Castro nunca foi criticado por isso, nunca. O movimento gay e seus simpatizantes não ligam para gays perseguidos se o perseguidor for alguém como Fidel. Sem contar o racismo e o machismo do comunismo cubano, um regime contra negros e contra mulheres, como também os regimes árabes, inimigos dos Estados Unidos – ser antiamericano, pelo jeito, perdoa qualquer crime não só contra a humanidade, mas também contra qualquer classe que os politicamente corretos querem proteger. Gays, negros e mulheres não são protegidos quando o agressor ou o ofensor é de esquerda. Ou aliado da esquerda contra os americanos, como é o caso dos árabes.

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Mas o que me deu vontade de escrever sobre "Mulheres de Atenas" nem mesmo foi isso. É que a letra da música descreve muito bem como era a condição feminina sobre o paganismo grego. A moda hoje é criticar o cristianismo como sendo uma religião do patriarcado, que nega os direitos das mulheres. Idiotas, o cristianismo foi a religião que começou a reconhecer alguns direitos das mulheres. Leiam a letra com atenção, e saibam: essa era a condição das mulheres nas sociedades pagãs. O cristianismo foi um alívio enorme para as mulheres. Por isso as mulheres pagãs aderiram em massa ao cristianismo. As pagãs do mundo grego e romano ririam muito dessas wickas mimadinhas do moderno paganismo, que acham que se não fosse o cristianismo as mulheres seriam sacerdotisas ou guerreiras respeitadas. Prestem atenção na letra de "Mulheres de Atenas", queridas. Paganismo, para as mulheres, era isso:


Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas; cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas, serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Posted at 06:52 pm by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, December 13, 2015
Xudozhnik, de George Kurasov

Mais quadros de George Kurasov aqui.

Posted at 08:05 pm by Flamarion Daia Júnior
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Sunday, December 06, 2015
O mais razoável

Aí eu estou lendo um desses liberais sem paixão (google it, se você quer saber quem é), debochando do Olavo: "This is man is a genius, with a growing audience in the US"(1)

Isso por causa deste twitter: "Se O Donald Trump for eleito, ele e o Putin têm todas as condições para restaurar a bipolaridade que assegurou a paz desde 1945." (Olavo de Carvalho)

Sinceramente...

Eu acho muito mais razoável acreditar nisso que o Olavo disse (que alias está sendo otimista) do que acreditar no que os liberais sem paixão acreditam, que o capitalismo e a globalização, seguindo seu ritmo natural, aumentarão a paz, a liberdade e os direitos dos homens (2). Sorry, liberais sem paixão, eu não sei se o Olavo está certo, mas mais razoável, sem dúvida.

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(1) Se ele quis falar como os americanos, deveria ter dito America (que em inglês não tem acento no "e") e não US.

(2) Já que estamos falando da América, direito à liberdade de expressão, à liberdade de religião, o direito de guardar e usar armas, à liberdade de assembleia e à liberdade de petição, etc.

Posted at 10:11 pm by Flamarion Daia Júnior
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Thursday, November 19, 2015
O Massacre dos Inocentes na França

Thomas Sowell: "There was a painful irony when France's immediate response to the terrorist attacks in Paris was to close the borders. If they had closed the borders decades ago, they might have avoided this attack."

Pois é...

Coisa abundante aqui no Brasil é gente achando que um país controlar suas fronteiras e selecionar quais imigrantes podem entrar ou não, descartando tipos suspeitos, é puro racismo irracional. O massacre de inocentes na França mostrou que não. Ou por outra: pode até ser racismo, mas com certeza não é irracional.

O massacre de inocentes na França mostrou isso e deve ficar na memória por talvez três ou quatro meses – e olha que estou sendo otimista. Aí, voltará o febeapá habitual, chamando de racista quem exige de seu país que controle suas fronteiras e seja cuidadoso ao escolher quais imigrantes podem entrar e quais não podem. Como se não fosse uma questão de vida ou morte, como se fosse só birra de caipiras reacionários. Os brasileiros, principalmente os que trabalham na mídia, não levam seu próprio país a sério e erram achando que outros povos também não levam, daí os brasileiros acham que tomar precauções quando escolhemos que imigrantes podem ou não entrar num país deve ser um bobo preconceito racista.

Quem leva a sério o país onde nasceu e cresceu (o que, repito, não é o caso dos jornalistas brasileiros) tende a ter outra opinião.

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Outra coisa que eu acho fantástico é a miopia ideológica de muitos comentaristas. Comentando o massacre, eles dizem: "Agora, a extrema direita vai tirar proveito disso".

Sim, vai. É claro que vai. Quando um partido comete erros, e os partidos que há muito tempo tem governado a França (não só o socialista) cometeram vários erros na questão da imigração, os partidos adversários tiram proveito disso. Todos os partidos fazem isso. Os socialistas franceses tiraram proveito dos erros de Sarkozy, os democratas americanos tiraram proveito dos erros de Bush, o PT tirou proveito dos erros do PSDB, em todo mundo é assim e assim será por muito tempo, e eu acho ótimo, porque isso é sinal que o país é uma democracia normal e seus partidos fazem o que um partido deve fazer numa democracia normal, ou seja, tiram proveito dos erros de seus adversários.

O que os comentarias lamentam, uma pessoa normal acha normal.

Na verdade, isso nem mereceria um comentário, dizer que um partido se aproveita do erro de um adversário é como uma manchete dizendo que astrônomos tiram fotos de estrelas ou os evangelhos são quatro, ou algo assim. Esses comentaristas não se lembram de mencionar quando é um partido de esquerda tirando proveito dos erros de um partido de direita (ou tido como de direita), quando este está no poder. Eles só se lembram de mencionar isso, em tom de lamento, quando é um partido de direita tirando proveito dos erros de um partido de esquerda.

Isso pouco diz sobre a situação política da França, mas diz muito sobre o estado psicológico desses comentaristas: Para eles, a existência de partidos de direita, em si, é um problema que precisa ser eliminado. Como os nazistas achavam que era preciso eliminar os judeus, como os comunistas acham que é preciso eliminar a burguesia. Não é que esses comentaristas sejam cruéis. O que eles são é idiotas que falam sem pensar. Eles não sabem que gostariam que não houvesse partidos de direita disputando o poder e vigiando os partidos de esquerda, para tirar proveitos dos erros dos partidos de esquerda. Eles não sabem que lá no fundo o que desejam é uma ditadura. Porque democracia onde só existem partidos de uma mesma ideologia é ditadura.

Posted at 10:26 am by Flamarion Daia Júnior
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Wednesday, October 28, 2015
A diferença entre Petralhas e Tucanos

Eu escrevi, há um ano:Os petistas querem tirar do cidadão honesto o direito de ter uma arma de fogo para se defender, mas não têm apoio popular para isso, aí eles tentam criar vários obstáculos burocráticos e legais para impedir que o cidadão honesto tenha acesso às armas. E os tucanos? Mesma coisa.

Agora, leio isso:

Revogar o estatuto do desarmamento é um escândalo, diz FHC em vídeo.

Sabem qual é a diferença entre Petralhas e Tucanos? Os tucanos usam camisinha e vaselina para te estuprar, os petistas não.

Posted at 11:17 pm by Flamarion Daia Júnior
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